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A experiência que vamos relatar ocorreu no município da Estância Turística de Eldorado/SP, cidade com quinze mil habitantes, terra de quilombos, indígenas e ribeirinhos. O ano de 2024 foi de aprendizado para equipe do Centro de Atenção Psicossocial, no qual pudemos vivênciar a experiência do atendimento volante do CAPS. Levando o atendimento do CAPS a comunidades quilombolas e a aldeia indígena. Sendo assim, pudemos conhecer e aprender com novas culturas e vimos a importância de levar o atendimento para os bairros, de estar próximo da população, conscientizar a população que saúde mental é uma política pública, que deve ser conversada e que precisa de investimentos, que precisamos falar de saúde mental de uma forma leve, sem burocracia e livre de preconceitos. Trabalhar a reforma psiquiátrica e desconstruir o olhar asilar, ou seja, que os cidadãos com diagnóstico de transtorno mental, tem o direito de ser atendido e compreendido em seu território. O atendimento do CAPS no território é uma forma de garantir o acesso da população ao cuidado em saúde.
Proporcionar o atendimento de saúde mental no território para juntos construirmos um modelo de saúde mental municipal fortalecida.
Percorremos os territórios juntamente com as equipes de Estratégia Saúde da Familia (ESFs) e realizamos ações de matriciamento, foi através dos matriciamentos que vimos a importância de levar o atendimento para o território, pois constatamos que os pacientes estavam abandonando o acompanhamento por não conseguirem chegar até o CAPS. Dentre os motivos levantados estavam os valores altos do preço da passagem, falta de linha de onibus no território, horários de onibus não compativel com a consulta. Sendo assim, a equipe do CAPS juntamente com as ESFs, constataram a importância de levar os atendimentos até o territorio, dessa forma estaríamos facilitando o acesso da população ao cuidado em saúde mental. Os territórios escolhidos foram os que apresentavamm os casos classificados de grave a moderado e os territórios de mais difícil acesso. Os bairros atendidos foram: Quilombo Ivaporunduva, Quilombo Pedro Cubas, Aldeia Indígena Tekoa Takuari e Bairro Batatal.
Foi gratificante levar o atendimento do CAPS aos territórios ribeirinhos, quilombolas e a aldeia indígena. Os profissionais envolvidos nas ações foram: médico, enfermeiro, psicólogo e assistente social. Procuramos não ficar presos ao modelo ambulatorial, realizamos roda de conversa, visitas domiciliares e casos que demandavam atendimento individual também foram atendidos. Em cada território que realizamos atendimentos, pudemos estar próximo da população, ouvir seus relatos, suas histórias e seus ensinamentos. Aprendemos nas comunidades quilombolas sobre os chás de ervas, utilizados para auxiliar na insônia e para acalmar os “nervos”. Na aldeia indígena aprendemos a importância e valorização da pessoa idosa, uma fala do cacique nos chamou a atenção, “na cultura de vocês homens brancos existem asilos para idosos, na nossa não temos asilos, nós cuidados dos nossos idosos, vocês homens brancos consultam livros nós valorizamos a sabedoria do idoso.” Tanto na aldeia indígena como no quilombo observamos o risco do acesso ao celular indo na contra-mão da cultura, tanto a liderança da aldeia indígena quanto a liderança dos quilombos trouxeram a fala e pediram ajuda referente a essa temática, ao risco para saúde mental dos jovens.
A vivência de percorrer os territórios e levar os atendimentos do CAPS, foi uma experiência gratificante, na qual garantimos o acesso da população ao cuidado em saúde mental, desmistificando assim que saúde mental/CAPS é coisa de “louco”, ampliamos assim o espaço de discussão em saúde mental, o relato que ouvimos em cada território foi valorizado. Conforme o centenário de Franco de Basiglia pontua, “ A saúde mental é um direito, não um privilégio”. Diante do atendimento volante pudemos garantir o acesso das pessoas ao cuidado em saúde mental. Mas não um cuidado visando apenas o diagnóstico, mais o cuidado em seu contexto territorial. Por isso a importância da aproximidade do CAPS junto a Atenção Básica e o cuidado compartilhado junto a ESF.
território, saúde mental, direito
DAYANE APARECIDA DE MORAES ANTUNES, SIMONE MENDES DA SILVA LINSENMAYER, PAULO CEZAR RIBEIRO TAKAHASHI, MATHEUS EDUARDO DE PONTES PEREIRA, MARIA APARECIDA PEREIRA MARTINS, MICAL NAARA LEMOS MARTINS, GUSTAVO DA COSTA AQUINO