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A Educação em Saúde é uma atividade que faz parte do rol de atribuições dos agentes de apoio ao controle ambiental (agente de controle de endemias em Campinas) e pressupõe alguns conhecimentos, habilidades e competências para que sejam desenvolvidas de maneira efetiva. A partir de diagnóstico realizado no segundo semestre de 2022, sobre o processo de trabalho destes profissionais, foi identificado que, apesar de existir potência na produção de materiais educativos, como dioramas, jogos e outros, a ação educativa, de maneira geral, era desenvolvida de maneira empobrecida e sem considerar as diferenças existentes entre diferentes públicos. As atividades eram desenvolvidas a partir de conhecimentos e interesses individuais dos trabalhadores, que são variados e, de maneira geral, utilizando os mesmos recursos pedagógicos. Destaca-se que alguns profissionais haviam participado de capacitações e/ou oficinas anteriormente, tendo oportunidade de ampliar os conhecimentos. Entendendo que o conhecimento é um recurso potente na estratégia de qualificação do trabalho, foi proposto à gestora da área a realização de um processo de educação permanente onde a prática educativa fosse colocada em análise e fosse dada a devida visibilidade aos saberes e habilidades já existentes no grupo. Em virtude da epidemia de dengue ocorrida no primeiro semestre de 2023, foi necessário adiar o início do processo para o segundo semestre e sendo assim, o programa teve início em setembro de 2023.
Objetivo Geral: Possibilitar reflexão sobre a prática educativa desenvolvida pelos agentes de controle ambiental e agentes de apoio ao controle ambiental na prevenção de arboviroses, zoonoses e determinantes ambientais em saúde. Objetivo específico – Refletir sobre a experiência vivida e a necessidade de qualificação do processo; – Estimular os profissionais a reconhecerem, coletivamente, o valor do que já desenvolvem, ou seja, seus conhecimentos e habilidades prévias; – Desenvolver estratégias pedagógicas que possibilitem aos profissionais, por meio das vivências, refletir sobre maneiras possíveis de desenvolver ações educativas; – Ofertar conhecimentos teóricos, por meio de diálogo com as vivências realizadas no processo de educação permanente.
Compreendendo que o processo de educação permanente pressupõe reflexão sobre a prática, desenvolvimento de novos conhecimentos, habilidades e competências, no planejamento dos encontros, houve o cuidado de que a carga horária fosse distribuída de forma a contemplar atividades que propiciassem reflexão e aprendizado. Foram realizados seis encontros, entre 27/092023 e 20/12/2024, com carga horária de 3 a 4 horas, sendo que no primeiro encontro, iniciamos dialogando sobre a motivação dos profissionais para o trabalho no Núcleo de Educação e Comunicação (NEC), sendo possível aos participantes falarem sobre suas predileções e frustrações. Este diálogo foi imprescindível para que os profissionais atribuíssem valor a este espaço criado. Os encontros foram conduzidos por meio de metodologias ativas, com reflexão sobre a prática e exploração de saberes prévios dos participantes, discussão sobre conceitos e/ou temas, discussão sobre vídeos, atividades em grupos, avaliação do encontro e emissão de um relatório memória, para ser utilizado como material de consulta. Participaram dos encontros entre 17 e 19 profissionais que atuam nos NEC, tendo a facilitação de duas enfermeiras do Departamento de Vigilância em Saúde. Paralelamente, houve uma atuação in loco da profissional de referência de educação em saúde, em atividades educativas realizadas pelas equipes, onde teve oportunidade de interagir e propor estratégias diferenciadas, consonantes com o que estava sendo discutido nos encontros.
Nos encontros realizados em 2023, foram priorizados conteúdos sobre estratégias de educação em saúde e recursos pedagógicos, considerando a percepção da profissional de referência sobre as lacunas existentes, durante acompanhamento in loco das atividades realizadas pelos profissionais. Foram trabalhados os conceitos de educação, educação permanente em saúde e educação em saúde, com aprofundamento deste último, que embasa o trabalho do NEC; potencialidades e fragilidades das estratégias educativas adotadas pelas equipes e a possibilidade de melhorias; discussão sobre o calendário epidemiológico; organização de um portfólio de atividades, por meio de uma Ficha de Descrição com informações que facilite o envolvimento de todos os membros do NEC (Nome da Atividade, Objetivo, Público, Duração, Espaço necessário). Nos encontros realizados em 2024, foram trabalhadas estratégias educacionais com diferentes públicos (educação infantil, ensino fundamental 1, ensino fundamental 2 e nível médio, adultos, ACS e professores) sobre Febre Maculosa e Esporotricose. No último encontro, foi trabalhado o tema avaliação (do planejamento da ação, da execução e dos resultados) e houve a avaliação das ações educativas realizadas no ano. Ao final de cada encontro foi feita avaliação, com resultado positivo em todos. Observou-se ainda no processo um maior envolvimento dos profissionais nas ações educativas e aumento das trocas entre as equipes, comprovando a potência do espaço de educação permanente.
Este processo de educação permanente em andamento, tem nos mostrado que investir em espaços dialógicos e de empoderamento dos profissionais é relevante para a qualificação do trabalho. Realizar ações de educação em saúde é atribuição dos agentes de controle ambiental e no geral, eles sabem da importância desta atividade para a prevenção e controle dos principais agravos e doenças. Além disso, eles conhecem os problemas dos territórios, os equipamentos sociais e profissionais com os quais podem fazer parceria para equacioná-los. Neste sentido, o empoderamento em relação a estratégias educacionais mais potentes, se constitui uma ferramenta de trabalho. E, propiciar que estes profissionais vivenciem um processo educativo onde sua voz é ouvida e seu saber é valorizado, é uma forma de ensinamento pelo exemplo sobre como agir nas ações educativas a serem desenvolvidas junto a diferentes públicos. Finalmente, nós temos também aprendido que o processo de educação permanente é uma forma de valorizar o agente de controle ambiental para que desenvolva cada vez melhor o seu papel de educador, tanto nos conteúdos sobre os agravos, quanto na aplicação prática dos conhecimentos pedagógicos.
prática educativa, agentes,prevenção, arboviroses.
ALOIDE LADEIA GUIMARÃES, PRISCILLA BRANDÃO BACCI PEGORARO, DAIANE CRISTINA PEREIRA MORATO