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O Serviço de Atenção Domiciliar (SAD) é uma forma de atenção à saúde oferecida no domicílio, caracterizada por um conjunto de ações de promoção, prevenção, tratamento de doenças, paliação e reabilitação, com garantia da continuidade do cuidado e integrada à RAS. Atende aos pacientes que necessitam de maior frequência de cuidado, recursos de saúde e acompanhamento regular. Com abordagens diferenciadas, esse tipo de serviço está disponível no município de Jundiaí (SUS) e é oferecido de acordo com a necessidade do paciente através do Projeto Terapêutico Singular. Percebemos ao longo de nossas intervenções que a maioria dos pais e das crianças com deficiência acaba por restringir sua participação social, ou permanecer domiciliada devido à rotina intensa de cuidado, ausência de rede de suporte e/ou dificuldade de romper barreiras de acessibilidade, sejam elas físicas ou atitudinais, acrescido pelo estigma do acesso aos espaços de lazer e/ou circulação pelo território pelas Pessoas com Deficiência (PcD). Para facilitar esse acesso foi planejada e realizada uma ação de promoção de saúde, lazer, cultura e socialização em um parque público municipal para os familiares e crianças atendidas pelo SAD de Jundiaí. Essa iniciativa é especialmente relevante, considerando que garantir a participação nesses espaços é imprescindível para as crianças e seus familiares, pois promove estímulos ao desenvolvimento infantil, contato com a natureza, melhora da saúde e a participação social.
Utilizar um espaço público de lazer da cidade para promoção de saúde e garantia de direitos com familiares e crianças PcD atendidas pelo SAD. Específicos: – Propiciar espaço de escuta e trocas de experiências entre os cuidadores/familiares e os profissionais de saúde; – Possibilitar acesso a direitos de lazer e cultura à PcD e seus familiares; – Propiciar momento lúdico natalino para conhecer o “Papai Noel” com entrega de presentes; – Ampliar experiências de acesso e circulação na cidade para romper barreiras da acessibilidade vivenciadas pelas PcD e seus familiares/cuidadores; – Ampliar rede de suporte e participação social das famílias e crianças PcD.
Ao realizar o atendimento domiciliar das crianças com deficiências no SAD e adentrar no cotidiano das famílias, identificamos pelo relato dos familiares a necessidade da intervenção com o olhar no cuidado ampliado e integral para fora do domicílio. Para isso, a fisioterapeuta, médica, enfermeiro, técnica de enfermagem, assistente social e terapeuta ocupacional planejaram e organizaram a atividade externa, considerando o conceito ampliado de saúde, clínica ampliada e integralidade do sujeito. Inicialmente, foi levantado o interesse das famílias dos pacientes entre a faixa etária de 0 a 18 anos em participar da atividade. Isso foi realizado através de contato telefônico ou durante os atendimentos presenciais. Dentre os 12 pacientes nessa faixa etária, tivemos 5 famílias interessadas. Posteriormente, a equipe realizou a articulação intersetorial com o Fundo Social de Solidariedade e o Assessor de Políticas Públicas para PcD. O primeiro viabilizou a doação de brinquedos, alimentos para o piquenique e kits de higiene para as crianças atendidas; o segundo providenciou o transporte adaptado com acessibilidade para cadeira de rodas, o qual transportou os atendidos e seus familiares dos respectivos endereços até o parque.
O encontro ocorreu no dia 21 de dezembro de 2023, no período da manhã das 9h às 12h no Parque da Cidade e Mundo das Crianças de Jundiaí. Após as instalações necessárias para acomodação adequada dos usuários foi realizada uma dinâmica de apresentação e troca de experiências entre os familiares. Ademais, foi mediada uma reflexão sobre a importância da saúde mental do cuidador e posteriormente a visita do “Papai Noel” com entrega de presentes às crianças. Apesar da ação ter sido planejada para 5 pacientes e seus familiares, no dia da atividade duas famílias cancelaram a participação, evidenciando a dificuldade de romper barreiras de acessibilidade e estigmas sobre acesso à espaços de lazer e participação social da PcD. Durante e após a atividade, a equipe recebeu devolutivas significativas a respeito da ação. Houveram falas como: “espero que a van demore para chegar, pois não quero ir embora”, “a gente poderia vir mais vezes”, “eu vim, pois eu quero proporcionar esses momentos para os meus filhos”, “obrigada pela oportunidade de fazermos um passeio em família, nós nunca conseguimos sair todos juntos”, “eu (mãe) percebo que ele (filho) se sente bem na natureza”, “nossa, eu precisava muito falar com você, Papai Noel”. Estes comentários ressaltam que a presente experiência proporcionou emoções positivas que, de acordo com a Psicologia Positiva, podem contribuir para o bem-estar psicológico e a saúde física.
Consideramos que a atividade possibilitou acesso ao espaço público de lazer pela criança PcD e sua família que, por sua vez, corrobora para a desconstrução de estigmas, pensamentos e comportamentos capacitistas, além de possibilitar a motivação das famílias a lutarem pela garantia desses direitos. Entretanto, constatamos pelo baixo número de participantes que ainda é um desafio romper o isolamento, medos e estigmas presentes no contexto familiar e social da PcD. Ademais, a experiência proporcionou o contato com a natureza, brincar livre, trocas de experiências entre os cuidadores, rompimento do isolamento, reflexões sobre o cuidado e saúde mental, circulação social e fortalecimento das famílias com possibilidade de ampliar rede de suporte e participação social. Constata-se a necessidade de ampliar ações e as articulações intersetoriais para garantia de direitos das PcD e seus familiares/cuidadores, incorporando nos serviços de saúde o conceito expandido do processo saúde-doença e clínica ampliada.
Atenção Domiciliar; Deficiência; Inclusão Social.
ALEXANDRE RAFAEL GATTI SANTIAGO, MARCO ANTONIO DOS SANTOS, ELAINE DE FÁTIMA SCAVASSA SOUZA, PAULA CONSOLINE MICHELETTO, JOELY GONÇALVES BATISTA, SILVANA GUILHEN GALIETA, MARIA DE LOURDES DOS SANTOS ABREU, JÉSSICA AMANDA MACHADO, THAIS ARAUJO FERNANDES