Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A participação da comunidade, junto com a integralidade e a universalidade, é prevista na Lei 8.080/90 que institui o Sistema Único de Saúde, seus princípios e diretrizes. Somada à Lei 8.142/90 que dispõe sobre a participação social em todas as esferas da gestão do SUS. O controle social garantido pela Constituição Federal (1988) no âmbito da saúde refere-se à ações que os cidadãos exercem para monitorar, fiscalizar, avaliar e intervir na gestão das unidades e políticas públicas. A Política Nacional de Educação Permanente para o Controle Social publicado em 2006 reúne um conjunto de contribuições para a formação dos conselheiros. De acordo com o Documento Norteador para a Educação Permanente do Controle Social na Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, a Educação Permanente para o Controle Social busca a construção e apropriação do conhecimento, de forma compartilhada com os atores envolvidos. Nesse contexto e com o objetivo de instrumentalizar técnica e politicamente os conselheiros gestores, constituiu-se a Comissão de Educação Permanente Biênio 2022-2024, formado por conselheiros e profissionais de saúde (trabalhadores e gestores) interessados em construir um espaço coletivo de trocas sobre educação permanente e controle social, a partir de suas experiências como conselheiros, usuários, trabalhadores e gestores do SUS.
A Comissão de Educação Permanente do Conselho Gestor da Supervisão Técnica de Saúde Sé objetiva contribuir para ampliação, instrumentalização e qualificação da participação social para a formulação, gestão e controle social das Políticas Públicas de Saúde. Dessa forma, a comissão propôs ações educativas visando a ampliação e a troca de conhecimento dos Conselheiros Gestores e interessados em temas como legislação, Rede de Atenção à Saúde, função conselheira, instrumentos de gestão, entre outros. O objetivo das oficinas realizadas durante 2023 foi a constituição de espaços de participação em que as pessoas pudessem refletir e atuar de forma crítica sobre as necessidades em saúde do território, a gestão das unidades e políticas públicas de saúde.
Inicialmente o grupo reunia-se mensalmente para discutir temas relacionados à educação permanente para o controle social e, construir possibilidades de trocas com os outros conselheiros e interessados. A primeira oficina fruto desses encontros: Bem Vindo ao SUS apresentou e conversou com os Conselheiros, em especial os novos, sobre os princípios e diretrizes do SUS e a rede de saúde. A segunda trabalhou de forma ativa o tema das conferências de saúde e sua relevância. Os conselheiros foram estimulados a pensar nos problemas de saúde do território e propor diretrizes, de acordo com os eixos das Conferências que viriam a ser realizadas. Nas duas oficinas foram realizadas avaliações e solicitado que novos temas fossem indicados, assim foi definido o tema da terceira oficina: Função Conselheira. A partir da dramatização de cenas, usuários, trabalhadores e gestores discutiram e atuaram na resolução de problemas de saúde do território. A quarta oficina trabalhou com interessados em realizar a formação para Facilitadores em Educação Permanente para o controle social, os temas relacionados foram discutidos a partir da vivência dos participantes e facilitadores compartilharam suas experiências. As oficinas foram planejadas com metodologias ativas, em que os participantes interagiam entre si, discutiam temas e apresentavam resolução de problemas e o impacto da experiência em sua perspectiva da participação social.
Foram realizadas 4 oficinas ao longo de 2023 e participaram 145 usuários, trabalhadores e gestores do território da Sé. Observamos como resultado dos encontros: ampliação do conhecimento da rede de saúde do território da Sé, para além das unidades básicas de saúde; difusão de conhecimento sobre os princípios e diretrizes do SUS; aumento do interesse de usuários e trabalhadores sobre as conferências de saúde; instrumentalização dos participantes sobre as metodologias de discussão e trabalho das conferências de saúde; multiplicação aos conselheiros dos instrumentos de gestão do SUS: Plano Municipal de Saúde, Programação Anual de Saúde, Relatório Anual de Gestao; construçao de conhecimentos sobre função conselheira, possibilidades de atuação, educacação permanente e controle social por meio do compartilhamento de experiências. A Comissão de Educação Permanente ao longo do processo de planejamento das oficinas, que também possibilitou a formação da equipe, priorizou o uso de metodologias ativas, em que os participantes fossem protagonistas, dessa forma, as oficinas também possibilitaram: estímular à reflexões sobre problemas de saúde do território e formas de enfrentá-los; inversão de papéis entre gestores, trabalhadores e usuários como forma de desenvolver maior empatia entre os atores de saúde do território e fomentar respostas coletivas aos problemas complexos de saúde que temos na região.
A Comissão de Educação Permanente do Conselho Gestor da Supervisão Técnica de Saúde da Sé, em 2023, constituiu-se como um grupo de discussão e trabalho formado por conselheiros e interessados em educação permanente para o controle social. A partir de suas experiências, os integrantes se aprofundaram nos temas, discutiram, planejaram e avaliaram os encontros coletivamente. O uso de metodologias ativas objetivou trazer os participantes das oficinas como protagonistas do processo de aprendizagem, de forma colaborativa, as atividades visaram discutir problemas de saúde e encontrar possibilidades de atuação dos conselheiros gestores. As avaliações realizadas nos encontros foram estratégias para levantar sugestões de temas a serem abordados, metodologias a serem utilizadas e melhorar a organização dos encontros, sempre respeitando a voz ativa dos conselheiros. Avaliamos que alcançamos os objetivos: ampliação, instrumentalização e qualificação da participação social. E, entendemos que o fortalecimento do controle social contribui para a garantia da universalização do acesso, o aprimoramento das políticas de equidade e integralidade da atenção à saúde no SUS, dessa forma, seguiremos em 2024 com novas propostas de ações educativas.
Controle Social, Educação Permanente, SUS
Luciana Carvalho da Silva, Marina de Fatima Paulavicius, Valquiria da Rocha Gotado, Edson do Nascimento Gomes, Alessandro Rovigatti do Prado, Beatriz de Luiz Césari