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No sentido de criar uma extensão dos serviços hospitalares, garantindo assim a continuidade da assistência, na década de 60, surge no Canadá, a Enfermeira de Ligação. Esse tipo de experiência deu tão certo que passou a ser implementada em vários países. “Enfermeira Obstetra de Navegação, nome que usaremos no projeto”. Escolhemos trabalhar dentro do cenário obstétrico e com foco nas Condições Potencialmente Ameaçadoras da Vida (CPAVs), em especial Pré-eclâmpsia e eclampsia, após observar em vivencia de ambiente hospitalar os desfechos adversos ocorridos em decorrência dessas alterações. Acredita-se que a presença de um profissional com visão integrativa nos diferentes níveis de atenção à saúde, a continuidade dos cuidados, um bom processo de comunicação entre os serviços e no planejamento, junto ao alinhamento da assistência entre os diferentes níveis de atenção gere melhoras nos desfechos maternos fetais adversos. Nota-se a importância das ações integrativas no processo do cuidado entre os diferentes níveis de atenção à saúde e exaltamos que, em se tratando de cuidado biopsicossocial, o Enfermeiro é considerado um profissional de extrema capacidade para o desempenho da função inovadora de Enfermeiro Obstetra de Navegação, por apresentar subsídios técnicos, científicos e legais para essa interfase de gestão (assistência/cuidados).
Aumentar em 89% (de 6 para 95) a porcentagem de novas gestantes com avaliação de risco para PE e eclâmpsia na UBS Jardim Caiçara até outubro de 2024. A classificação de risco para profilaxia da PE e eclampsia é uma aliada importante para identificação e intervenção de forma precoce, pois subsidia o acompanhamento gestacional e a prescrição de medicações importantes para prevenção dos agravos relacionados a essas Condições Potencialmente Ameaçadoras da Vida (CPAV). Notamos que essa classificação era realizada de forma aleatória e com isso muitas gestantes acabavam não recebendo as medicações profiláticas de forma precoce, com isso a necessidade de reforçar os benefícios e padronizar o uso por toda equipe da UBS Caiçara.
Estudo investigativo, descritivo, com coleta de dados do tipo antes e depois. Na rede optou-se por eleger uma unidade básica integral como piloto “UBS Jardim Caiçara” e que fica localizada no bairro Jardim Caiçara, extremo sul da região do Jardim Ângela em São Paulo. É referenciada do Hospital onde acontecerá essa pesquisa. É gerida também pelo Centro de Estudos Dr. João Amorim (CEJAM). A coleta de dados acontecerá através dos seguintes indicadores estabelecidos: Taxa de classificação de risco para pré-eclâmpsia e eclampsia; taxa de gestantes em uso de AAS e Cálcio, Taxa de gestantes com monitoramento de pressão arterial, taxa de aplicação de escore MEOWS. Utilizado ferramentas como PDCA, Ishikawa para padronização dos fluxos. Problema identificado e ação realizada: Ausência de ferramenta para identificação de deterioração clínica = Implantar escore de alerta precoce obstétrico (MEOWS). Variabilidade da prática por desconhecimento da escala = Padronizar a aplicação da escala de estratificação de risco para PE e eclampsia. Variabilidade da prática por desconhecimento das medidas = Realizar treinamento para equipe multiprofissional sobre o pacote de medidas para gestantes com risco para PE e eclampsia. Ausência de coleta de dados, definição operacional e reporte dos indicadores = Construção e acompanhamento de indicadores. Ausência de interface com a unidade = Realizar reuniões mensais com a unidade, para discussão dos resultados e lições aprendidas.
Após a implantação das ações, podemos observar um aumento de 91% na realização de avaliação de risco para PE e eclampsia na UBS Jardim Caiçara que correspondem a 310 vidas impactadas. Além disso, podemos observar uma curva de melhora na realização do score MEOWS nas gestantes elegíveis, entendendo que é um processo novo/inovador na APS e que se faz necessário o tempo de adaptação e amadurecimento da ação implementada para sustentação do resultado. Outro indicador que está sendo acompanhado é a adesão no monitoramento de pressão arterial, item essencial no Bundle de medidas preventivas na detecção precoce de PE e eclampsia.
Pensando nas complicações gestacionais e ao recém nascido, as ações realizadas pela EON, contribuem para promoção da saúde e qualidade de vida do binômio, evitando a deteriorização clínica e prematuridade iatrogênica, principalmente quando levamos em consideração os dados relacionados ao manejo adequado dos protocolos. Benefícios: Melhorar desfechos materno-fetais em gestantes com diagnóstico de Pré-eclâmpsia e eclampsia. Promover integração entre a rede de atenção primaria à saúde e o hospital com o intuito de reduzir a fragmentação na assistência e evitando que a gestante se perca entre os serviços. Aprendizados: • O projeto gerou a necessidade de padronização no rastreio e profilaxia para PE. • No início gerou resistência no envio dos indicadores, mas hoje podemos notar a eficácia e adequação da equipe no reporte dos dados. Ações futuras: • Expansão para outras unidades da Atenção Primária de Saúde referência do Hospital. • Esse projeto continuará fazendo parte da atuação da Enfermeira Obstetra de Navegação, com expansão para demais Condições Potencialmente Ameaçadoras da Vida (CPAV).
Eclâmpsia, enfermeira de navegação.
KARINA APARECIDA DAS NEVES CAVALCANTE, SHEYLA GUIMARÃES DE OLIVEIRA, CAROLINE DE PAULA MARTINS DA SILVA