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Quando discutido o acesso à saúde da população transexual e travesti (trans), Ferreira e Nascimento (2022) apontam para as violências praticadas nos serviços, onde esta população frequentemente passa por constrangimentos e negações de direitos, por preconceito ou falta de conhecimento/ treinamento da equipe de saúde. Tais fatores contribuem para o afastamento da população trans dos cuidados em saúde, impactando em seus determinantes de saúde. A Unidade Básica de Sáude (UBS) Vila Ipojuca faz parte da Rede de Atenção à Saúde Integral de Pessoas Travestis e Transexuais (Sampa Trans), está localizada no mesmo território do Centro de Cidadania Oeste – Cláudia Wonder destinado á Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Travestis e Intersexuais (CC LGBTI), apesar da proximidade dos serviços poucas pessoas trans procuravam a UBS. A partir daí surgiu a proposta de atendimento da equipe interdisciplinar no CC LGBTI, local onde as pessoas trans se sentem seguras e acolhidas.
Facilitar o acesso das pessoas transexuais e travestis aos serviços de saúde ofertados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) do Município de São Paulo Estimular os cuidados em saúde através da prevenção primária e melhora nos hábitos de vida da população atendida Levantar as características e necessidades da população transexual e travesti em vulnerabilidade social para desenvolvimento de estratégias em saúde
Elaborada estratégia de atuação in loco no CC LGBTI Oeste através de atendimentos da equipe interdisciplinar que compõe a Rede Sampa Trans da UBS Vila Ipojuca. Os CC’s LGBTI são uma iniciativa da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, e desenvolvem ações para o estímulo à cidadania e combate a homofobia, contando também com o projeto transcidadania. Foi realizada uma reunião entre as equipes e gerências dos equipamentos onde foram levantadas as necessidades, espaço disponível e dias de maior movimento para melhor abordagem da população alvo, sendo então organizadas as agendas dos profissionais. Os atendimentos se iniciaram com a enfermeira e farmacêutica uma vez por semana no CC LGBTI Oeste, sendo composto pela assistente social posteriormente. Os atendimentos são individuais, realizados de forma compartilhada entre as profissionais, em sala privativa, contemplando escuta qualificada com cuidado centrado na pessoa. São abordadas questões de saúde em geral como: saúde mental, adicção, violências, realização de testes rápidos de infecção sexualmente transmissível (IST) e encaminhamentos aos demais equipamentos da rede de saúde. Para casos que necessitam de intervenções médicas, a equipe recebe apoio do médico da UBS. A partir dos atendimentos, foram instituídas ações com a equipe de odontologia, grupos abordando temas diversos, como saúde do homem trans, ISTs, saúde mental e também técnicas não recomendadas como o silicone industrial e automedicação.
Até o momento, o projeto atendeu 108 usuários (as) do CC LGBTI, significando 83% do total, dentre eles 83 pessoas transfemininas, 25 transmasculinos e 1 pessoa agênero. Foram realizadas 182 consultas no período, indicando adesão de parte da população alvo aos atendimentos. O público do CC é composto majoritariamente por pessoas transfemininas, representando 77% dos beneficiários do projeto transcidadania, portanto é o maior público atendido pela equipe. Perfil das pessoas transfemininas e travestis: 29% vive com Human Immuno-Deficiency Virus (HIV), 5% diagnosticada durante os atendimentos da UBS; 29% relatou histórico ou atividade atual como profissionais do sexo; 18% possui silicone industrial (SI) em dierentes partes do corpo e 60% das que possuem SI apresenta complicações em decorrência do implante. Do total de pessoas atendidas 18,5% declararam adicção, 17,5% apresentaram queixas ou histórico de saúde mental. Diante deste cenário epidemiológico, foi realizada em uma feira da saúde no dia do orgulho LGBTI de 2023, reunindo equipamentos do território em prol da saúde trans, onde esteve presente equipes do Centro de Atendimento Psicossocial (CAPS), CAPS Álcool e Drogas, Consultório na Rua, Unidade de Referência do Idoso (URSI), Serviço de Atendimento Especializado (SAE) e UBS’s da Rede Sampa Trans. A partir desta ação, o CAPS do território passou a realizar grupos mensais com o público interessado.
Acreditamos que diante do trabalho que está sendo ofertado pela equipe de saúde da UBS Vila Ipojuca estamos proporcionando à população trans uma interlocução em rede dos serviços de saúde estimulando melhorias no autocuidado. Através da parceria com o Centro de Cidadania LGBTI Oeste Claudia Wonder observamos a construção de uma ponte entre os serviços, onde há encaminhamentos e discussão dos casos entre as equipes, fortalecendo a procura da população trans à UBS e aos serviços ofertados, assim como aos programas disponibilizados no Centro de Cidadania. Atualmente o desafio da equipe é garantir o seguimento do cuidado longitudinal em saúde para além do período em que estão assistidas pelo projeto transcidadania (2 anos) e frequentando o Centro de Cidadania, para que elas consigam atendimento integral com acesso igualitário e universal na unidade de referência de seu domicílio. Desta forma o projeto continua com a mesma frequência para o ano de 2024, visando fortalecer cada vez mais as parcerias já estabelecidas e buscar novas oportunidades de somar para o bem estar dessa população.
transexual, travesti, população trans
Mônica Esteves Guimarães, Amanda Junqueira Rossetto, Isis Arcanjo Collucci