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As hepatites virais B e C constituem um problema extremamente grave no Brasil e no mundo, principalmente por serem diagnosticadas tardiamente. A Organização Mundial de Saúde estima que nas Américas cerca de 5,4 milhões de pessoas tenham hepatite B e 4,8 milhões possuam hepatite C, ocasionando 23 mil mortes anuais por hepatite B e 84 mil por hepatite C. A hepatite B é uma doença que não tem cura medicamentosa, mas possui vacina e tratamento que visa reduzir o risco da progressão da doença e suas complicações. Já a hepatite C não tem vacina, no entanto, apresenta cura de 90 a 95% após o tratamento medicamentoso. O diagnóstico e o tratamento adequado impactam diretamente na qualidade de vida do indivíduo, atuando como um forte instrumento na prevenção de complicações frequentes como a cirrose avançada e o câncer hepático. A compreensão dos profissionais de saúde em relação aos pacientes portadores de hepatites virais, assim como a detecção de situações que comprometem o sucesso do acompanhamento e adesão à terapêutica é essencial durante o período de tratamento. O estabelecimento de vínculo dos profissionais com os pacientes é fundamental para a criação de uma relação sólida. Nesse contexto, o presente estudo poderá contribuir com a literatura científica no aumento de conhecimento da atuação da equipe multidisciplinar no cuidado dos pacientes portadores de hepatites virais, assim como os resultados encontrados a partir da implementação de uma nova gestão do cuidado.
Diante das reflexões apresentadas, o referido estudo teve como objetivo demonstrar a atuação da equipe multidisciplinar na adesão dos pacientes à terapêutica das hepatites virais B e C em um Hospital Dia do Município de São Paulo, assim como as repercussões identificadas após as implantações de um novo modelo de gestão.
O presente trabalho, de caráter descritivo, relatou a experiência vivenciada por uma equipe multidisciplinar de um Hospital Dia do Município de São Paulo, referência para tratamento de hepatites virais B e C. Trata-se de um estudo com abordagem quantitativa, que lida com a problemática a partir de métodos descritivos e observacionais. Utilizou-se para coleta de dados a planilha de acompanhamento do Programa Municipal de Hepatites Virais (PMHV) e dados do Sistema Integrado de Gestão de Assistência à Saúde (SIGA), de julho a dezembro dos anos de 2021 e 2022. Para o estudo foi realizado o acréscimo de 01 técnico de enfermagem para apoio a equipe multiprofissional do PMHV, composta anteriormente por 01 médico, 01 farmacêutico e 01 enfermeiro. Essa alteração iniciou-se em julho de 2022, onde foram realizadas modificações na gestão de agendamento desses pacientes, sendo implementadas: a qualificação das agendas do médico e a realização de exames laboratoriais e de imagem na unidade. Associado a estas mudanças foram implementadas consultas farmacêuticas e de enfermagem personalizadas, com alternativas de dias e horários diversificados para o atendimento, fluxo diferenciado para indivíduos com maiores dificuldades e oferta de material de apoio. Nesse período, o médico do PMHV trouxe também uma nova proposta de consulta, caracterizada pelo atendimento humanizado, transparente e esclarecedor.
Foi observado neste estudo que a atuação dos técnicos de enfermagem na gestão da agenda médica, possibilitou o aproveitamento das vagas, melhoria do acesso às consultas de retorno, diminuição da fila de espera interna, redução do absenteísmo em 3% e aumento de 33% de consultas médicas. A realização do atendimento pela equipe de enfermagem antes e depois das consultas médicas e a execução de exames na unidade, facilitaram o acompanhamento desses pacientes, contribuindo para: o fortalecimento do vínculo; o retorno nas consultas com os resultados dos exames em mãos; a agilidade do agendamento das consultas e também na antecipação da prescrição do tratamento e/ou alta da especialidade. Outro fator importante foi a entrega dos medicamentos atrelados às consultas farmacêuticas, onde os pacientes recebiam orientações de como tomar os medicamentos, esclareciam as dúvidas e o mais importante, fortaleciam o vínculo com o profissional. Os números de consultas farmacêuticas realizadas no período foram significativos, apresentando um aumento de 476%. O comprometimento, interação, transparência e empatia da médica também favoreceram o vínculo profissional – paciente, contribuindo para a adesão e resultado da terapêutica. Os resultados dessas alterações de gestão do atendimento para os pacientes do Programa Municipal de Hepatites Virais, causaram impactos positivos na quantidade de pacientes encaminhados para o tratamento e também na quantidade de altas, onde detectamos um aumento de 178%.
O estudo mostrou que a atuação da equipe multidisciplinar foi relevante, pois aprimorou a qualidade da assistência prestada e proporcionou uma abordagem individualizada, contribuindo para um cuidado mais centrado no paciente. A compreensão do paciente em relação a sua doença e sobre o tratamento medicamentoso, associado ao vínculo com a equipe multiprofissional, favoreceu a adesão à terapêutica dos pacientes com hepatites virais neste Hospital Dia. A gestão do cuidado direcionado aos pacientes do Programa Municipal de Hepatites Virais, causou mudanças significativas que influenciaram no aumento do acesso de retorno através da gestão das agendas, na redução do absenteísmo e no aumento do percentual de consultas médicas, consultas farmacêuticas e também no número de altas. Conclui-se que, a ampliação da capacitação da equipe multidisciplinar foi de extrema importância para o sucesso da adesão do paciente à terapêutica das hepatites virais B e C. Não podemos esquecer que a vontade do paciente em aderir ao tratamento é primordial, sendo assim necessário a sensibilização deste indivíduo através de uma equipe com habilidades, atitudes e conhecimentos.
hepatites virais, hepatites, adesão ao tratamento
FERNANDA LAGES FERREIRA, LARISSA DAVI DE MEDEIROS VIEIRA, PATRICIA MEIRE CARAVANTE GAIA, ROSANA LEMES PINHEIRO, LILIAN CARVALHO BRANCO REIS