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O programa saúde com agente foi um importante e fundamental curso de formação dos profissionais Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agente de Combate às Endemias (ACE) desenvolvido pelo Ministério da Saúde e Conselho Nacional de Secretarias municipais de Saúde (CONASEMS) em parceria com a UFRGS no intuito de oferecer Curso Técnico em ACS e Curso Técnico em Vigilância em Saúde com Ênfase no Combate às Endemias, para ACE, com o objetivo de fortalecer e qualificar as atuações destes profissionais na atenção básica1. O Cirurgião-Dentista, como um dos profissionais atuantes na Atenção Básica (AB), tem papel essencial na construção e formação destes profissionais, pois seu conhecimento vasto sobre saúde está imbricado com a educação permanente do Sistema Único de Saúde (SUS). Este relato traz a atuação de um Cirurgião-Dentista da Estratégia Saúde da Família (ESF) frente à preceptoria de duas turmas de ACS e ACE do programa Saúde com Agente, onde este profissional, detentor de um amplo conhecimento teórico-prático sobre o SUS e Atenção Primária à Saúde (APS), é bastante capacitado para acompanhar e orientar outros profissionais e estudantes da área da saúde. A preceptoria se deu em duas UBS da zonal sul da cidade de São Paulo e contou com a participação de 15 ACS e 1 ACE e ocorreu durante os meses de maio a agosto de 2023.
Geral: qualificar e ampliar o escopo de atuação dos ACS e ACE nos territórios das UBS; Específicos: Incentivar as atividades práticas de educação em saúde e educação permanente; estimular as práticas de promoção e prevenção à saúde; demonstrar a importância dos profissionais de saúde bucal frente às atuações diversas da saúde coletiva;
No programa, os ACS/ACE se inscreveram de forma espontânea e voluntária e iniciaram as atividades teóricas em plataforma EAD do CONASEMS acompanhados por um tutor. Inicialmente as atividades seriam restritas à plataforma EAD com disciplinas teóricas, chamados de fascículos. No segundo momento, com as atividades teórico-práticas entrou em campo um profissional de saúde do território – o preceptor. A escolha do preceptor foi por processo seletivo e aprovação da gestão local da AB do município de São Paulo. Foi designado um coordenador regional para acompanhar as atividades através de relatórios, além de reuniões com preceptores de outras cidades para trocas de experiências. A atuação do Cirurgião-Dentista preceptor ocorreu na zona sul da capital de São Paulo, no distrito de Cidade Ademar. Idealmente o profissional ficaria em sua UBS de origem, porém devido à indisponibilidade de inscritos neste local, houve realocação para UBS que ainda não contavam com preceptor. A preceptoria se deu em duas turmas: uma composta por 11 ACS e 1 ACE e a outra por 4 ACS, totalizando 16 profissionais ACS/ACE e aconteceram semanalmente no período da manhã. Os eixos dos cursos para ACS e ACE eram comuns até os fascículos de número 21, a partir do número 22 focou-se especialmente na atuação individual de cada categoria. A forma de avaliação deu-se na prática, no momento final da realização de cada atividade e posteriormente, lançado na plataforma do CONASEMS para somar às notas dadas pela tutoria.
Logo no início, os ACS/ACE se sentiram desafiados com as atividades e estranharam o fato de um Cirurgião-Dentista estar à frente da preceptoria, haja vista ser mais comum outras categorias tomarem a frente de atividades coletivas e treinamentos. Porém, com o passar do tempo os estranhamentos deram lugar a motivação com os novos aprendizados. Além disso, historicamente o Cirurgião-Dentista sempre teve foco nos atendimentos ambulatoriais, resquícios trazidos do modelo biomédico do passado e que perduram nos dias de hoje2. A atuação de um Cirurgião-Dentista fora do consultório demonstra a capacidade de atuar em serviços de preceptoria e traz uma renovação e diversidade no perfil destes profissionais evitando a evasão nos diversos cursos de capacitação e treinamento, fato comprovado por este relato, onde todos que iniciaram a parte prática seguiram até sua conclusão, sem nenhuma desistência e com aproveitamento acima de 95%, considerado um êxito. Ademais, a participação constante da Odontologia nestes espaços do SUS joga luz sobre a necessidade de mais investimentos e capacitações destes profissionais para lidar com o ensino-aprendizagem e gerar mais interesse da classe na saúde coletiva, área ainda carentes de profissionais de saúde bucal. Além disso, a EPS é essencial para a formação dos profissionais e sua promoção deve ser elaborada pelas equipes de gestores locais, aliada à conscientização dos governos e comunidade para a execução de ações voltadas para a EPS no SUS3.
As atividades apresentadas neste relato foram de extrema importância tanto para os profissionais orientados – ACS/ACE – quanto para o profissional Cirurgião-Dentista que atuou na preceptoria. Para o profissional de saúde bucal a experiência, além de inédita, foi fortalecedora no sentido de inserir o protagonismo da Odontologia dentro da educação permanente em saúde na AB do SUS, percorrendo várias áreas outrora ocupadas por outros profissionais de saúde.
Saúde com agente, preceptor, Cirurgião-Dentista.
Cléverton da Silva Santos