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A integralidade no cuidado em saúde é um princípio constitucional, que visa compreender as necessidades abrangentes do ser humano, promovendo articulação entre atividades preventivas e assistenciais, em prol de uma sociedade mais equânime. O trabalho em equipe é uma estratégia fundamental para alcançar a integralidade no cuidado em saúde, promovendo um novo modo de relacionamento e planejamento entre profissionais, além de sugerir práticas que vão além do cuidado fragmentado, desempenhando um papel essencial nesse processo. O enfermeiro precisa estar preparado para atender às demandas da população através da consulta de enfermagem, refletindo constantemente sobre conceito ampliado de saúde e na aplicação prática dos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), para resolutividade no atendimento prestado. O cuidado do pré-natal por profissionais qualificados é essencial para identificar e tratar precocemente problemas que possam afetar a gestação. O enfermeiro, como parte da equipe multiprofissional, precisa ir além dos aspectos técnicos, acolhendo as necessidades da gestante e promovendo cuidados baseados em evidências científicas. A atuação da prática da consulta de enfermagem no acompanhamento do pré-natal de risco habitual tem respaldo legal do Conselho Federal de Enfermagem, embora observa-se disparidade de condutas para assistência de pré-natal de risco habitual nas diferentes unidades de saúde, onde é realizada exclusivamente por médicos.
Atuar de maneira integrada e alinhada nas ações de qualificação da assistência ao acompanhamento do pré-natal de risco habitual na Atenção Primária à Saúde (APS) da Rede Regional de Assistência à Saúde RRAS 09 Capacitar e qualificar o maior número de enfermeiros atuantes na APS do território em questão, promovendo autonomia na prescrição, administração e acompanhamento do tratamento de sífilis, pela equipe de enfermagem, através do conhecimento do protocolo e legislação Proporcionar o tratamento de sífilis em gestantes e parceiros, de maneira adequada e em tempo oportuno evitando assim a sífilis congênita Empoderar a equipe da APS para a prática da consulta de enfermagem no acompanhamento do pré-natal de risco habitual, através do respaldo legal do Conselho de Enfermagem.
Esta experiência foi desenvolvida por meio da integração das Articuladoras de Atenção Básica, sob Coordenação da Atenção Básica da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, juntamente com o Coren/SP e Secretarias Municipais de Saúde de abrangência do DRS VI – Bauru, tendo como foco a interação da equipe de AAB e enfermeiros da APS, na qualificação da assistência ao pré-natal de risco habitual, diante do alinhamento do cuidado utilizando o protocolo de assistência à saúde da mulher do referido Conselho. A inquietação e iniciativa dessa proposta partiu da necessidade de qualificar os profissionais após a identificação do aumento de notificação dos casos de sífilis congênita, podendo se dar em consequência ao início tardio do acompanhamento de pré-natal, demonstrado pelos indicadores do previne Brasil e/ou falha no esquema de tratamento medicamentoso ou resistência dos profissionais em prescrever e administrar a medicação em tempo oportuno nas unidades básicas de saúde. O trabalho foi desenvolvido por meio de um cronograma de atividade estruturado e aprovado pelos gestores municipais e DRS-VI em Reunião da Comissão Intergestores Regionais, sendo dividido em etapas/turmas para melhor aproveitamento da estratégia de ensino. Os encontros foram realizados presencialmente nas cinco regiões de saúde, sendo: Lins, Bauru, Jaú, Polo Cuesta e Vale do Jurumirim, possibilitando desta forma, abranger toda RRAS 9.
Foram capacitados neste processo 477 profissionais da enfermagem, totalizando 63 municípios, dentre os 68 pertencentes a este território. Observou-se após a capacitação, o aumento no número das consultas de acompanhamento de pré-natal realizadas por enfermeiros, como também a implantação do esquema medicamentoso nas unidades básicas de saúde, que anteriormente eram incipientes. Com a disseminação do conhecimento das práticas baseadas em evidências, promoveu entre os enfermeiros a segurança na administração dos medicamentos nas unidades básicas de saúde, haja vista que este procedimento é amparado legalmente e tecnicamente. Houve interesse de alguns gestores em multiplicar a capacitação no município sob sua gestão, abrangendo assim toda a equipe. Alguns municípios publicaram um Decreto de implantação do protocolo da saúde da mulher Coren-SP Cap. VI, que enfatiza e garante ao enfermeiro a realização da consulta de enfermagem no acompanhamento do pré-natal de risco habitual, firmando desta maneira, que este processo permaneça mesmo com a troca de gestão.
A experiência nos mostra a importância do trabalho integrado das AAB na qualificação de uma completa rede de assistência primária à saúde, em tempo oportuno, buscando assim, uniformizar as ações em todo território de atuação desta equipe que é composta por nove profissionais da Secretaria Estadual de Saúde. Este movimento demonstra a dimensão da função apoio inserida nesse processo de movimentos coletivos, podendo auxiliar e ofertar diretamente aos municípios, conceitos, troca de saberes e experiências, buscando melhorar os processos de trabalho e como principal, a melhoria e garantia da assistência aos usuários do Sistema Único de Saúde.
articuladoras, trabalho integrado, pré natal
Amanda Sierra Sardi, Ana Alice Batista, Neusa Maria Delgado, Regina Márcia Maestrello Bolis Paula Meira, Ângela Maria Fogueiral, Maria Emilia Ferreira, Fabiana Aparecida Monção Fidelis