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A tuberculose permanece como importante problema de saúde pública, fortemente associada às vulnerabilidades sociais. No município de Atibaia (SP), até o final de 2023, o cuidado às pessoas com tuberculose esteve centralizado no antigo Ambulatório de Moléstias Infecciosas (AMI), sob responsabilidade de pneumologista e equipe de enfermagem. Com a saída do especialista, a Secretaria Municipal de Saúde iniciou um processo de reestruturação da assistência. Em dezembro de 2023, o AMI foi reorganizado como Serviço de Atenção Especializada (SAE), equipamento responsável pela atenção integral à saúde de pessoas com HIV, hepatites virais e tuberculose. A experiência ocorreu no âmbito do SAE e da Atenção Primária à Saúde (APS), envolvendo médica de família e comunidade, enfermeira coordenadora do Programa Municipal de Tuberculose, assistente social, equipe de enfermagem, farmacêutica, infectologistas de retaguarda e profissionais da rede básica. A proposta beneficia pessoas diagnosticadas com tuberculose no município, incluindo população em situação de rua, pessoas privadas de liberdade e indivíduos com uso problemático de álcool e outras drogas. A iniciativa se mostra relevante para o SUS municipal por fortalecer a APS, integrar serviços e qualificar o cuidado longitudinal.
Melhorar a adesão ao tratamento da tuberculose; Reduzir o número de óbitos; Diminuir as taxas de abandono; Estruturar o primeiro protocolo municipal de tuberculose, fortalecendo o cuidado multiprofissional e articulado em rede. Descentralizar gradualmente o cuidado para a Atenção Primária à Saúde; Viabilizar o tratamento preventivo da tuberculose (TPT) aos pacientes elegíveis.
A experiência foi desenvolvida a partir da reorganização do cuidado em tuberculose no SAE, com integração direta à APS. Implantou-se o monitoramento sistemático do Tratamento Diretamente Observado (TDO) nas unidades básicas e no SAE, com apoio técnico contínuo às equipes. Foram realizadas capacitações com profissionais da rede, consultas médicas e de enfermagem no início e ao longo do tratamento, além de discussão de casos complexos com retaguarda da infectologia. A assistente social realizou avaliação socioeconômica, viabilizando acesso a benefícios sociais, cestas básicas e transporte. Implementou-se busca ativa de faltosos por telefone e visitas domiciliares. Houve articulação com a assistência social, Casa de Passagem, Equipe de abordagem social, Consultório na Rua (CnaR), CAPS AD, rede de urgência e emergência e Centro de Ressocialização, com ações de identificação de sintomáticos respiratórios e testagem e acompanhamento dos pacientes diagnosticados com tuberculose no sistema prisional. A coordenação do programa passou a monitorar indicadores regularmente pelo TBWEB.
Antes da reorganização do cuidado, o município apresentava indicadores preocupantes. Em 2022, o coeficiente de mortalidade por tuberculose foi de 3,1 por 100 mil habitantes, com taxa de abandono de 9,4%. Em 2023, a mortalidade foi de 3,7 e o abandono de 11%. Após o início da intervenção, observou-se melhora expressiva. Em 2024, o coeficiente de mortalidade reduziu para 0,63 por 100 mil habitantes e a taxa de abandono caiu para 7%. De janeiro a dezembro de 2025, não foram registrados óbitos por tuberculose no município. Além dos indicadores quantitativos, houve fortalecimento do vínculo com os usuários, maior integração entre SAE e APS, ampliação do acompanhamento social e maior corresponsabilização das equipes da rede, consolidando um cuidado mais resolutivo e humanizado.
A experiência de Atibaia demonstra que o enfrentamento da tuberculose exige organização do cuidado baseada em equipe multiprofissional, integração da rede e centralidade na pessoa. A combinação de monitoramento sistemático, TDO qualificado, apoio social e articulação intersetorial contribuiu para redução de óbitos e abandono, especialmente entre populações vulneráveis. A iniciativa evidencia que mudanças organizacionais, mesmo diante de desafios como a saída de especialista, podem se transformar em oportunidade de qualificação da assistência. Como perspectiva futura, pretende-se consolidar o protocolo municipal e ampliar a corresponsabilização das equipes da APS, garantindo sustentabilidade dos resultados alcançados.
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DENISE CRISTIAN QUIRINO DE OLIVEIRA CHINEN, PRISCILA LIMA DE OLIVEIRA MOREIRA, RENATA MAZZILLI PEREIRA PRADO, ADRIANA MICHELI MACHADO