Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24h) é um dispositivo de saúde que faz parte da Rede de Atenção às Urgências e, tem como objetivo os atendimentos de saúde de complexidade intermediária, compondo uma rede organizada em conjunto com a atenção básica, atenção hospitalar, atenção domiciliar e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU. No município de Pindamonhangaba existem duas UPA’s e a inserção de um profissional da Psicologia ocorreu na UPA 24h que se tornou referência no município para casos de urgência e emergência psiquiátrica, sendo possível fornecer acolhimento e escuta especializada em relação a saúde mental dos sujeitos que ali chegam e/ou estão em sofrimento psíquico, tendo como foco as práticas de atenção à crise baseadas no modelo psicossocial de cuidado e atendimento.
Este trabalho tem como objetivo descrever a experiência de uma Psicóloga numa Unidade de Pronto Atendimento 24h entre os meses de Janeiro a dezembro de 2023, com o intuito de enfatizar a importância desse profissional dentro da rede de urgências e emergências, e a ampliação da escuta terapêutica diferente do setting tradicional da clínica. Essa experiência tem como o foco a atenção à crise em saúde mental, seguindo o modelo psicossocial baseado nos princípios da Reforma Psiquiátrica, valorizando os aspectos subjetivos do sujeito, a história de vida e o contexto em que a crise emerge. A crise pode ser compreendida como um fenômeno que envolve a expressão da subjetividade relacionada com um momento de ruptura da história do sujeito.
O atendimento psicológico é realizado nos leitos de enfermaria e na sala de atendimento, o tempo varia de acordo com a avaliação do caso, buscando sempre o melhor para o paciente se baseando nos preceitos éticos da psicologia. Os usuários que chegam por meios próprios, são aqueles que procuram pelo serviço com dor física, e em alguns casos com a dor psíquica. São avaliados pelo médico plantonista e se necessário, encaminhados para o atendimento psicológico. Na unidade de pronto atendimento, existem os pacientes que estão internados para a estabilização do quadro clínico, no qual, alguns aguardam vagas em leitos de hospitais pela Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (CROSS). Nestes casos, o tempo de espera pode causar um desconforto emocional no paciente corroborando para a piora do quadro, sendo assim, o atendimento psicológico é fornecido em leito de enfermaria para este paciente. Além disso, os casos que são encaminhados para a unidade via Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) se encontram em um nível extremo de sofrimento psíquico que colocam em risco a sua própria vida e a de terceiros. Esses casos podem ser advindos de uma crise em saúde mental, podendo ser as tentativas de suicídio, os surtos psicóticos/agressivos, crise nervosa, crise depressiva, crise de ansiedade e uso excessivo de substâncias psicoativas (SPA). O atendimento psicológico é realizado para o manejo da crise e avaliação do quadro, e se necessário é fornecido também para o acompanhante.
O trabalho da psicologia envolve uma escuta especializada e humanizada a fim de minimizar o sofrimento extremo e fornecer suporte emocional para evitar a medicalização dispensável. Em relação aos pacientes que permanecem na unidade, o trabalho psicológico é caracterizado por intervenção focal e visa o sujeito em sua integralidade e singularidade. Pretendendo minimizar o sofrimento provocado pela internação e atuando como facilitador do diálogo entre a tríade paciente, família e equipe. Para os pacientes que são internados na unidade apresentando crise em saúde mental, conta-se também com a presença do médico psiquiatra para avaliação. Após as avaliações (psicológica, psiquiátrica e clínica) o caso é discutido entre a equipe para o encaminhamento e articulação na rede intra e intersetorial. O trabalho da psicologia consiste em acompanhar na unidade o processo de internação involuntária nos casos em que este se faz necessário, fornecendo apoio psicológico para o acompanhante e a elaboração de documentos técnicos, sendo todas as ações registradas em prontuário único.
A partir deste relato de experiência, torna-se evidente a necessidade do profissional da psicologia na Unidade de Pronto Atendimento. Nesse dispositivo de saúde, o fluxo de atendimento é grande e faz com que as questões subjetivas do sujeito em cada processo de adoecimento passem desapercebidas. Para que o usuário tenha um atendimento efetivo, é necessário ter um olhar biopsicossocial sobre ele, pois em relação ao adoecimento percebe-se diversos fatores que interatuam produzindo o estresse e a redução na qualidade de vida. O psicólogo é um profissional que pode fornecer uma escuta especializada e que se aproxima do apoio durante o sofrimento ali vivido. Ainda que o sujeito procure pela UPA por dor física, muitos necessitam do atendimento psicológico para minimizar o sofrimento, sendo de extrema importância o acolhimento humanizado para que o paciente possa compartilhar as suas angústias. O vínculo saudável estabelecido entre psicólogo e paciente faz com que este se sinta valorizado e cuidado, ampliando a promoção da saúde nos atendimentos na unidade.
UPA, Psicologia, assistência, humanização
Isabelle Prudente dos Santos, Roberta de Abreu Faria