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A Portaria SMS nº 438/2020 instituiu o Cuidado Continuado Integrado (CCI) como estratégia para garantir cuidados intermediários no pós-alta hospitalar. No município de São Paulo, o CCI de Ermelino Matarazzo foi inaugurado em junho de 2024, em território com alta demanda ortopédica nos serviços de urgência e emergência. Em 2024, foram registrados 40.293 atendimentos por fraturas com necessidade de imobilização provisória e tratamento conservador, gerando grande demanda por reabilitação especializada. No mês de inauguração do CCI, haviam 1.745 pacientes em fila de espera para reabilitação ortopédica no município, evidenciando a importância do serviço. O CCI recebe pacientes por três vias: UBS, Hospital Alípio Correa Neto e UPA Ermelino Matarazzo, com vagas distribuídas de forma equitativa via Sistema SIGA, conforme Portaria nº 255/2025. Após 10 meses de funcionamento, observou-se descompasso entre a oferta de vagas e a demanda dos pacientes egressos da UPA, com apenas 34% dos pacientes elegíveis conseguindo agendamento conforme prescrição médica evidenciando a necessidade de adequação da proporcionalidade na oferta de vagas, relacionado ao número de pacientes egressos da UPA, que aguardavam por consulta de acesso ao CCI.
Aumentar o percentual de pacientes egressos da UPA III Ermelino Matarazzo com consulta de reabilitação ortopédica agendada no CCI, conforme prescrição médica. Objetivos específicos: • Adequar a oferta de vagas do CCI à demanda real da UPA. • Padronizar critérios e tempo de encaminhamento médico. • Qualificar os processos administrativos e clínicos de agendamento. • Melhorar a integração entre UPA e CCI para garantir continuidade do cuidado.
Trata-se de uma experiência de melhoria de processos baseado na metodologia do IHI – Institute for Healthcare Improvement com uso de ciclos PDSA (Planejar–Fazer–Estudar–Agir). Participaram equipes administrativas e assistenciais da UPA e CCI, gestores da Supervisão Técnica de Saude e da Coordenadoria Regional de Saude Leste e apoiadores institucionais da OSS. Inicialmente, realizou-se o diagnóstico do problema por meio das ferramentas diagrama de afinidades, análise de causas e efeito (Ishikawa), SIPOC e levantamento de dados no SIGA. A partir dessas análises, foram identificadas como principais causas: desconhecimento dos protocolos, falhas no processo de agendamento, encaminhamentos inadequados, alta rotatividade da equipe médica e insuficiência de vagas para pacientes elegíveis. Utilizando diagrama direcionador, foram desenvolvidas quatro ideias de mudança 1.Adequação do “espelho de agenda” para melhor distribuição das vagas. 2.Padronização do tempo de encaminhamento do ortopedista da UPA ao CCI. 3.Adequação da planilha de agendamento UPA–CCI. 4.Ações de gerenciamento de risco e segurança. Cada intervenção foi testada por ciclos PDSA, com reuniões periódicas, monitoramento por indicadores e ajustes contínuos. Os serviços envolvidos foram UPA III Ermelino Matarazzo, CCI Ermelino Matarazzo, STS Ermelino Matarazzo e OSS parceira.
Os primeiros ciclos demonstraram melhoria progressiva na organização da agenda, redução de falhas administrativas e maior adesão ao protocolo clínico. Houve aumento gradual do percentual de pacientes egressos da UPA com consulta de reabilitação agendada no CCI, aproximando-se da meta estabelecida. Qualitativamente, observou-se maior integração entre equipes, clareza de fluxos, redução de retrabalho e maior segurança para profissionais e usuários. A experiência também fortaleceu a cultura de monitoramento por indicadores e tomada de decisão baseada em dados, além de contribuir para os eixos estratégicos de efetividade do cuidado, qualidade, segurança do paciente e equidade.
A experiência demonstrou que a reorganização de fluxos e a integração entre pontos de atenção são fundamentais para garantir a continuidade do cuidado no SUS. A utilização de metodologia de melhoria contínua possibilitou identificar gargalos, testar soluções em pequena escala e institucionalizar práticas mais seguras e eficientes. O projeto contribui para reduzir iniquidades no acesso à reabilitação ortopédica, melhorar a experiência do usuário e qualificar o trabalho das equipes. Como perspectiva futura, espera-se consolidar as mudanças, ampliar o modelo para outros territórios e fortalecer a sustentabilidade das ações, mantendo o foco na integralidade do cuidado e na saúde populacional.
Reabilitação Ortopédica
CAMILA SOUZA PEREIRA FERMIANO, JULIANA MENDES MELO, EVELIN TEO VASCONCELLOS SANTANA DE SOUZA, TATIANA ALMEIDA NAVES DE SOUZA, MARCIA DE SOUZA DIAS