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O tabagismo constitui um relevante problema de saúde pública, sendo fator de risco para diversas doenças crônicas, com impacto expressivo no processo de envelhecimento saudável. No Sistema Único de Saúde (SUS), a abordagem do tabagismo demanda estratégias que ampliem o cuidado integral, o vínculo e a escuta qualificada, especialmente entre adultos e idosos. A auriculoterapia, prática integrante da Medicina Tradicional Chinesa e reconhecida como Prática Integrativa e Complementar em Saúde (PICS), apresenta-se como recurso terapêutico complementar eficaz no controle da ansiedade, da compulsão e dos sintomas de abstinência relacionados ao uso do tabaco. A experiência foi desenvolvida no município de Vista Alegre do Alto/SP, em unidade da rede municipal de saúde, com início em março de 2025. Participaram 15 usuários tabagistas, com faixa etária entre 38 e 70 anos, sendo 13 mulheres e 2 homens, acompanhados por profissionais da atenção básica capacitados em PICS. A ação teve como foco o cuidado humanizado, a promoção da autonomia e a melhoria da qualidade de vida, considerando a transversalidade do tema envelhecimento.
O objetivo do presente trabalho visa: Apoiar o tratamento do tabagismo por meio da auriculoterapia como estratégia integrativa no SUS municipal; Reduzir o consumo de tabaco e os sintomas de abstinência; Fortalecer o vínculo entre usuários e equipe de saúde por meio da escuta qualifi cada; Estimular o autocuidado e a melhoria da qualidade de vida em adultos e idosos; Contribuir para ações de promoção da saúde e envelhecimento saudável no município de Vista Alegre do Alto/SP.
A experiência foi desenvolvida por meio da oferta de sessões semanais de auriculoterapia para usuários tabagistas acompanhados no grupo de controle do tabagismo da unidade de atenção básica de saúde do município de Vista Alegre do Alto/SP. Inicialmente, os participantes passaram por acolhimento individual com escuta qualificada, levantamento do histórico de tabagismo, condições de saúde associadas e definição do plano terapêutico. As sessões utilizaram pontos auriculares específicos relacionados à dependência química, ansiedade, controle da compulsão, equilíbrio emocional e bem-estar geral, com aplicação de sementes e/ou esferas. O acompanhamento ocorreu de forma individualizada, respeitando as particularidades de cada usuário, com atenção especial às necessidades dos participantes idosos. A experiência envolveu profi ssionais da atenção básica, com integração às ações de promoção da saúde e apoio ao tratamento do tabagismo, ao longo de pelo menos seis meses de acompanhamento.
Foram atendidos 15 pacientes, com faixa etária entre 38 e 70 anos, sendo 13 mulheres e 2 homens. Ao longo do acompanhamento, observou-se que 2 pacientes cessaram completamente o uso do tabaco em até 3 meses, outros 2 pacientes cessaram o tabagismo em até 6 meses e 1 paciente apresentou redução significativa do consumo de cigarros. Os demais participantes desistiram do tratamento ao longo do processo, evidenciando os desafios relacionados à adesão em terapias para cessação do tabagismo. Entre os usuários que mantiveram o acompanhamento, foram relatadas melhorias no controle da ansiedade, redução da compulsão, melhora do sono e aumento do bem-estar geral. A auriculoterapia mostrou-se uma prática segura, de baixo custo e bem aceita, com impacto positivo especialmente entre os participantes em processo de envelhecimento.
A experiência demonstrou que a auriculoterapia constitui uma estratégia integrativa relevante no apoio ao tratamento do combate ao tabagismo no SUS municipal de Vista Alegre do Alto/SP, contribuindo para a cessação ou redução do consumo de tabaco em parte dos participantes. Apesar da desistência de alguns usuários, os resultados alcançados reforçam a importância da escuta qualificada, do vínculo e do cuidado contínuo, especialmente no contexto do envelhecimento. A prática favoreceu a promoção da saúde, o autocuidado e a melhoria da qualidade de vida, indicando a necessidade de fortalecimento e ampliação das PICS na rede municipal de saúde, e na atenção básica, bem como de estratégias que incentivem maior adesão ao tratamento no futuro.
Combate ao Tabagismo, Auriculoterapia
GRAZIELE GÉLIO TOSTA, MARIA EMÍLIA AIDAR SERPA, CAROLINA ROMANO MOTTA, BARBÁRA FIORIN