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Em um serviço como um CAPS Adulto, as demandas relacionadas ao sofrimento psíquico são complexas e constantes, tornando-se necessário estratégias de cuidado que consigam combinar: a escuta qualificada das demandas apresentadas; a atenção integral envolvendo processos de fortalecimento da conexão da pessoa com seu próprio corpo; o desenvolvimento da autonomia para reabilitação psicossocial. Identificou-se a necessidade de espaços de cuidado para pessoas com dificuldade de adesão ao tratamento, com sintomas de ansiedade, depressão, risco de suicídio, abuso de benzodiazepínicos, instabilidade emocional, impulsividade e dificuldade de se perceberem e assumirem responsabilidades diante os conflitos e situações de tensão em suas vidas. Além disso, promover espaços para aprofundar sobre a trajetória terapêutica, processo de alta do CAPS e seguimento na Atenção Básica. É neste contexto que surgiu e se desenvolveu uma experiência combinada de um grupo terapêutico que inclui espaço de conversa e a oferta de auriculoterapia, realizado no CAPS Adulto III Paraisópolis.
Desenvolver espaços de cuidado que fortaleçam a adesão ao tratamento, com estratégias de desenvolvimento de crítica e cuidado relacionados a sintomas que envolvem depressão, ansiedade, ideação suicida, impulsividade e dificuldades com as interações. Disseminar cuidados de fortalecimento da saúde mental ofertados a partir da combinação de práticas integrativas com espaços de conversa Aprofundar o protagonismo do usuário em sua trajetória de cuidado e no seu projeto terapêutico singular Criar espaço de troca entre os próprios usuários, fortalecendo vínculos e dinâmicas de acolhimento e apoio mútuo entre os participantes do grupo
Em conjunto com equipe de profissionais do CAPS, foram elaborados e pactuados os objetivos do grupo e a relação com os projetos terapêuticos singulares dos usuários. Posteriormente, o grupo foi realizado a partir de rodas de conversas temáticas, atividades de reflexão, meditação, entre outras estratégias de controle de crise, e a aplicação da Auriculoterapia. Conforme o vínculo e adesão ao grupo, a equipe incluiu momentos de psicoeducação sobre hábitos saudáveis e busca de ampliação de repertório em suas atividades cotidianas. O grupo é semanal, aberto, e com uma programação construída com os participantes, no formato de ciclos do cuidado. Nestes ciclos, ocorrem diferentes discussões que enfatizam mudanças na rotina e nos modos de se relacionarem com as pessoas, a fim de que eles encontrem sentido no processo terapêutico, se identifiquem e possam, enfim, ter possibilidade de mudanças em seus comportamentos e tomada de decisões mais assertivas para suas vidas.
A adesão no grupo é alta, com poucas ausências. Através das discussões e dos relatos de melhoras dos participantes foi observado pela equipe: melhora do padrão do sono; diminuição do padrão de uso de cigarro; compreensão sobre formas de comunicação não violenta; retorno as atividades laborais; melhora nos hábitos da rotina com inserção de atividades físicas, melhora da alimentação, além de uso mais consciente das medicações.
A partir dessa experiência, foi possível observar que a aplicação de técnicas das práticas integrativas (ancestrais) no CAPS, tais como a auriculoterapia, possibilita apoio ao tratamento tradicional, amplia o repertório de enfrentamento de sintomas e colabora para o processo de reabilitação psicossocial. As rodas de conversa permitem que os usuários reflitam e reavaliem relações e comportamentos, além de favorecer que eles se envolvam com a tomada de decisões, promoção de sua autonomia e engajamento no projeto terapêutico singular.
auriculoterapia, saúde mental, escuta qualificada.
VANESSA DO NASCIMENTO ALVES FERREIRA, SOFIA ZDONEK MONGELÓ