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A OMS estimula a inclusão das Práticas Integrativas e Complementares (PICs) nos sistemas públicos de saúde desde Alma Ata em 1978. No Brasil as PICs são oferecidas segundo Portaria Ministerial 971/06 que aprovou a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), ampliada em 2017, incluindo a auriculoterapia (AT). A AT (acupuntura auricular e acupressão auricular) é praticada há séculos, via estimulação de pontos específicos da orelha, geralmente utilizando sementes vegetais, mas também pode utilizar cristais, magnetos ou agulhas diversas como as semepermeantes. A AT faz parte da acupuntura e a Resolução do Conselho Federal de Odontologia (CFO) nº 160/2015 reconheceu esta última como especialidade odontológica, contudo ainda pouco difundida no meio acadêmico nas atividades clínicas (pública ou particular). O Ministério da Saúde (MS) através da Coordenação Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde em convênio com a Universidade Federal de Santa Catarina, ofereceu o curso de “Formação em Auriculoterapia para Profissionais de Saúde da Atenção Básica” o qual o autor principal, cirurgião dentista participou do curso e com a retomada dos atendimentos programáticos pós COVID-19 utilizou a AT para o controle da dor miofascial representada por dor muscular com pontos de gatilho, ou não mandibular, têmporas, área pré-auricular e ouvido (ATM) e musculatura do sistema estomatognático em pacientes da UBS Caxambu, Jundiaí.
O objetivo com este trabalho foi relatar a efetividade do tratamento da dor miofascial na Região da articulação temporomandibular através da auriculoterapia – em um ambulatório odontológico de uma Unidade Básica de Saúde tradicional.
A base desse estudo foi o acompanhamento de 02 pacientes adultas, sexo feminino, ambas relatando sintomatologia dolorosa sobre a região da ATM; ao exame identificamos dor músculos craniocervicofaciais (mastigatório), sem limitação de movimentos mandíbula ou abertura bucal, ausência de ruídos articulares ou zumbido; sintomatologia maior ao acordar com sensação de fadiga e cansaço. Ao exame intra oral verificamos condições satisfatórias de higiene, ausência de alterações patológicas, maloclusões, necessidade de reabilitação protética ou demais alterações. A intervenção proposta (estudo piloto) foi a AT semanalmente (10 semanas) em orelhas alternadas. A via de estimulação dos pontos foi por sementes vegetais fixadas nos pontos selecionados com micropore, a pele previamente limpa com algodão e álcool 70%; cada ponto deveria ser auto estimulado ao menos 05X/dia/10 segundos; caso ocorresse dor excessiva o referido ponto poderia ser removido antes do retorno. Os pontos selecionados para o tratamento foram os principais referidos na literatura como pontos para o tratamento da DTM/bruxismo e pontos para ansiedade como segue: triângulo cibernético (Shen Men, Rim e Simpático); Relaxamento Muscular; Maxila; Mandíbula; Temporal; Ouvido Externo e adição de um ou dois pontos de acordo com queixa referida do paciente, como insônia.
Verificou-se melhora no nível da sintomatologia auto referida pelas duas participantes. A participante casada realizou as 10 sessões planejadas (março/maio 2023), relatando melhora a partir da primeira sessão com diminuição álgica contínua até cessação antes da última aplicação da AT. A segunda participante também relatou expressiva melhora já na primeira aplicação relatando total remissão na terceira sessão, não retornando mais (agosto 2023). Em contato posterior, a paciente relatou que apresenta esporadicamente sintomatologia, mas não como a magnitude prévia à AT realizada.
A etiologia da DTM/bruxismo possui causas multifatoriais, desde fatores posturais, estruturais e psicológicos. Não há um consenso quanto ao melhor tratamento a ser aplicado nos casos de DTM, que incluem terapia comportamental, fisioterapia, placa miorrelaxante, ajuste oclusal, intervenção medicamentosa e para casos extremos, – cirurgia. Diante disso e dos benefícios alcançados pela AT em analgesia e no tratamento da dor que são conhecidos e aceitos pela comunidade científica,- e validados pela OMS -optou-se pela aplicação dessa técnica no tratamento da DTM/bruxismo. Assim, este estudo piloto confirmou o efeito da AT ao nível do controle da dor da DTM/bruxismo; essa técnica além de ser de fácil manuseio, é não invasiva, de baixo custo e confortável para o paciente. É preconizado pelo MS e CFO (Art. 2º da resolução nº 160: “… aplicando-o como método para o tratamento, prevenção e/ou manutenção do estado geral de saúde do paciente odontológico…”. Maior apoio pelos gestores municipais deveria ser oferecido para uso da AT na atenção básica em saúde bucal no tratamento de algias orais.
auriculoterapa, dor miofascial
Amadeu Antonio Vieira, Priscila Dias Zamben