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A auriculoterapia é uma das Práticas Integrativas e Complementares (PICS) mais ofertadas no Sistema Único de Saúde, com ampla aceitação pelos usuários e reconhecida eficácia em condições como dor crônica, ansiedade, estresse e distúrbios do sono. Apesar de sua relevância, observa-se significativa heterogeneidade na formação dos profissionais, ausência de padronização técnica, insegurança na aplicação clínica e escassez de materiais educativos confiáveis e atualizados para apoio à prática cotidiana. No contexto da Atenção Primária e dos serviços especializados, tais fragilidades impactam diretamente a segurança do cuidado, a qualidade assistencial e a sustentabilidade da oferta das PICS. Diante dessa realidade, emergiu a necessidade de desenvolver uma tecnologia educacional acessível, validada e alinhada às diretrizes do SUS, capaz de apoiar profissionais de diferentes categorias na tomada de decisão clínica. A experiência apresentada justifica-se pela lacuna existente entre a expansão da auriculoterapia no SUS e a oferta de instrumentos pedagógicos que garantam padronização, biossegurança, respaldo legal e fundamentação técnico-científica. O e-book clínico surge como estratégia inovadora de educação permanente, fortalecendo a qualificação profissional e contribuindo para o cuidado integral em saúde.
Desenvolver e implementar um e-book clínico educativo sobre auriculoterapia, destinado a profissionais de saúde do SUS; •Qualificar, padronizar e tornar mais segura a prática clínica; •Identificar dificuldades e necessidades formativas dos profissionais; •Estruturar conteúdos técnicos e científicos acessíveis; •Validar o material com especialistas da área, fortalecendo a educação permanente em Práticas Integrativas e Complementares.
Trata-se de uma experiência derivada de pesquisa de abordagem quali-quantitativa, descritiva e exploratória, realizada com 165 profissionais de saúde capacitados em auriculoterapia, de diferentes categorias, com atuação predominante no Sistema Único de Saúde (SUS). A coleta de dados foi realizada por meio de questionário estruturado aplicado em redes sociais, em comunidades específicas de auriculoterapia e PICS, possibilitando ampla participação. O instrumento investigou perfil profissional, formação, uso clínico da técnica, dificuldades na prática e necessidades de aprendizagem. Os dados quantitativos foram analisados por estatística descritiva e os qualitativos por análise temática, permitindo identificar lacunas formativas recorrentes e fragilidades técnicas. Com base nesses achados, foi desenvolvido um e-book clínico educativo, organizado em módulos sobre fundamentos da auriculoterapia, anatomia e inervação auricular, mapas padronizados, protocolos clínicos, biossegurança, legislação profissional e orientações para populações especiais. O material encontra-se em fase final de validação por peritos e especialistas em auriculoterapia e PICS, que avaliam clareza, relevância e aplicabilidade clínica. A experiência articula pesquisa aplicada, educação permanente e inovação pedagógica no contexto do SUS.
Participação de 165 profissionais de saúde capacitados em auriculoterapia, atuantes majoritariamente no Sistema Único de Saúde (SUS). As categorias profissionais mais representadas foram enfermagem, fisioterapia, psicologia, odontologia e nutrição. A amostra foi predominantemente composta por mulheres (85,5%), com maior concentração etária entre 35 e 44 anos (45,5%) e 45 a 54 anos (27,9%), indicando perfil profissional experiente. Quase metade dos participantes (49,7%) possuía mais de 15 anos de atuação na área da saúde. Quanto à formação, observou-se forte predominância da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) como instituição formadora, responsável por mais da metade das capacitações relatadas, consolidando-se como principal referência nacional. A maioria dos cursos apresentou carga horária entre 40 e 80 horas, abaixo do padrão ideal recomendado, o que refletiu em lacunas formativas. No uso clínico, 59,4% dos profissionais relataram aplicar auriculoterapia semanalmente e 13,3% diariamente, demonstrando ampla incorporação da prática nos serviços de saúde. As principais dificuldades identificadas envolveram interpretação de mapas auriculares, elaboração de protocolos clínicos, dúvidas legais e insegurança no atendimento de populações especiais. Como resposta foi desenvolvido um e-book clínico, que está em fase de avaliação por peritos, para que confirme a sua relevância como tecnologia educacional para qualificação da auriculoterapia no SUS.
A experiência evidenciou que a identificação sistemática das necessidades formativas dos profissionais é etapa fundamental para o desenvolvimento de tecnologias educacionais eficazes no campo das Práticas Integrativas e Complementares. Os resultados revelaram lacunas relevantes na formação em auriculoterapia, especialmente relacionadas à padronização técnica, segurança clínica e compreensão normativa. A construção do e-book clínico, baseada diretamente nos achados da pesquisa, representa uma estratégia inovadora de educação permanente, com potencial para qualificar a prática profissional, reduzir inseguranças e fortalecer a autonomia técnica dos trabalhadores do SUS. Embora o material ainda esteja em fase final de validação por peritos, sua estrutura responde de forma objetiva às fragilidades identificadas, alinhando-se aos princípios da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares e da Educação Permanente em Saúde. Trata-se de uma experiência replicável, de baixo custo e alto impacto, capaz de contribuir para a consolidação das PICS como política pública segura e sustentável.
AURICOLOTERAPIA – E-BOOK
MARCELO SPIANDON, ROGÉRIO NOGUEIRA DE OLIVEIRA