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A dor crônica é definida pela OMS como dor que persiste por mais de três meses, afeta 30% a 40% da população adulta, e tem sua maior incidência em mulheres acima de 50 anos. Ela está frequentemente associada a condições como artrite, fibromialgia e neuropatias, sendo uma das principais causas de incapacidade global. Com impacto negativo na qualidade de vida, afeta sono, relações sociais, estado emocional e capacidade funcional. O tratamento tradicional é realizado com analgésicos, especialmente opioides, e pode acarretar riscos de dependência e efeitos adversos. No Brasil, a dor crônica tem prevalência de cerca de 40%, sendo a lombalgia a mais comum. Na Atenção Básica à Saúde, são oferecidos tratamentos convencionais e incentivo para práticas integrativas alternativas como a auriculoterapia, que estimula pontos específicos na orelha para aliviar dores musculoesqueléticas, cefaleias e distúrbios emocionais. Esta técnica tem se mostrado eficaz na redução da intensidade e frequência da dor, além de diminuir a dependência de medicamentos. A integração da auriculoterapia na Atenção Básica pode reduzir filas de espera, aliviar a sobrecarga do sistema de saúde e gerar economia nos custos relacionados à dor crônica. Os custos econômicos e sociais dessa condição são elevados, superando até doenças como diabetes e câncer. Incorporar a auriculoterapia ao sistema de saúde pode oferecer um cuidado mais eficiente, sustentável e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Explorar a eficácia da auriculoterapia no alívio da dor crônica em mulheres acima de 50 anos.
A seleção das participantes ocorreu por meio de uma busca ativa na Estratégia de Saúde da Família (ESF), com Agentes Comunitários de Saúde (ACS) identificando mulheres com diagnóstico de dor crônica superior a 10 anos e intensidade de dor acima de 3 na Escala de Intensidade de Dor. Dez mulheres foram selecionadas, assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e participaram voluntariamente. As participantes responderam a uma anamnese inicial, que revelou que todas sofriam de dor há mais de uma década. A maioria relatou dor nos joelhos e coluna lombar, sendo uma delas diagnosticada com fibromialgia. Todas utilizavam medicamentos diários para dor, como analgésicos e anti-inflamatórios, e muitas realizavam tarefas domésticas como atividade profissional. A auriculoterapia foi aplicada semanalmente na ESF, totalizando 10 sessões. A técnica foi realizada por uma farmacêutica clínica capacitada, utilizando sementes de mostarda para estimular pontos auriculares específicos, como Shen Men, Rim, Fígado e Baço, adaptados às necessidades individuais. Ao final do tratamento, as participantes foram reavaliadas usando a Escala Visual Analógica e questionários sobre percepção de dor e qualidade de vida.
Os resultados pós-tratamento mostraram uma melhora significativa na dor e qualidade de vida das participantes: ●Adesão ao tratamento: Das 10 mulheres selecionadas, 3 desistiram devido a conflitos de horário, restando 7 para análise. ●Redução do uso de medicamentos: 90% das participantes reduziram o uso de analgésicos e anti-inflamatórios, ficando mais de cinco dias sem medicação. ●Mobilidade e atividades diárias: 90% relataram melhora na mobilidade e na realização das tarefas domésticas, com menos limitações devido à dor. ●Intensidade da dor: Inicialmente, todas classificaram a dor como 10 na Escala de Intensidade de Dor. Após o tratamento, 70% relataram redução para 5, mostrando melhora significativa. ●Qualidade do sono e bem-estar emocional: 100% relataram melhora na qualidade do sono e nos sentimentos de capacidade e alegria, contrastando com a tristeza e incapacidade anteriores. Esses resultados indicam que a auriculoterapia é eficaz no tratamento da dor crônica em mulheres acima dos 50 anos, especialmente para dores nas articulações e fibromialgia. A redução na intensidade da dor e a melhora no bem-estar físico e emocional sugerem que a técnica pode modular a percepção da dor. A desistência de 3 participantes destaca a influência de fatores externos na adesão ao tratamento, e a redução da dor em 70% sugere que alguns casos podem precisar de sessões adicionais ou terapias complementares.
Este estudo demonstra que a auriculoterapia é uma intervenção potencialmente eficaz para o alívio da dor crônica em mulheres com mais de 50 anos, promovendo melhorias na mobilidade, qualidade do sono e bem-estar geral. A inclusão de ACS no processo de identificação e acompanhamento das participantes foi essencial para a implementação do estudo. A auriculoterapia mostra-se promissora como uma prática complementar no Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente para populações que sofrem de dores crônicas e que dependem de medicação frequente.
praticas integrativas,auriculoterapia, dor cronica
STEPHANY MIRANDA ALVES