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A Atenção Primária à Saúde (APS) constitui a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS), fundamentada nos princípios da integralidade, continuidade do cuidado e humanização. Nesse contexto, as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) configuram-se como estratégias relevantes para o manejo de condições crônicas, como a dor persistente, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida dos usuários. Nesse cenário, a UBS Rio Pequeno incorporou a auriculoterapia como prática integrativa no cuidado aos usuários com dor crônica, ampliando as possibilidades terapêuticas oferecidas na APS e fortalecendo estratégias de cuidado centradas no usuário, no vínculo e na corresponsabilização pelo tratamento.
Descrever a experiência de implementação da auriculoterapia como prática integrativa no manejo da dor crônica em usuários acompanhados na Atenção Primária à Saúde, destacando sua aceitação, aplicabilidade no serviço e contribuições para o cuidado integral.
Trata-se de um relato de experiência desenvolvido a partir das sessões de auriculoterapia realizadas na UBS Rio Pequeno. As sessões foram conduzidas por enfermeira capacitada, com agenda semanal organizada no âmbito das ações assistenciais da unidade, destinada a usuários com queixas de dor crônica, incluindo dores musculoesqueléticas e articulares. A técnica consistiu na estimulação de pontos específicos no pavilhão auricular, definidos conforme avaliação individual. A avaliação dos resultados baseou-se nos relatos verbais dos usuários durante o acompanhamento.
Os usuários acompanhados demonstraram boa adesão e aceitação da auriculoterapia como prática integrativa no manejo da dor crônica. As sessões contemplaram diferentes queixas dolorosas, incluindo dores musculoesqueléticas, articulares, neuropáticas, cefaleias e dores decorrentes de condições osteoarticulares e pós-procedimentos, refletindo a diversidade de demandas atendidas na Atenção Primária à Saúde. De modo geral, os relatos dos usuários indicaram redução da intensidade da dor ao longo do acompanhamento, associada à melhora do bem-estar físico e emocional. Muitos referiram maior facilidade para a realização das atividades da vida diária, melhora da qualidade do sono e redução do impacto da dor nas rotinas pessoais e laborais. Em alguns casos, os usuários relataram diminuição do uso de medicamentos analgésicos, reforçando o potencial da auriculoterapia como estratégia complementar no cuidado à dor crônica. Observou-se ainda que a orientação adequada quanto à estimulação dos pontos auriculares contribuiu para o engajamento dos usuários no tratamento, fortalecendo a corresponsabilização pelo cuidado e o vínculo com a equipe de saúde. A experiência evidenciou que a auriculoterapia pode ser incorporada de forma viável à rotina da UBS, ampliando as possibilidades terapêuticas ofertadas na APS e qualificando o cuidado integral aos usuários com dor crônica.
A experiência com a auriculoterapia na UBS Rio Pequeno evidenciou que essa prática integrativa é uma estratégia eficaz, segura e bem aceita no manejo da dor crônica na Atenção Primária à Saúde. Sua utilização contribui para o cuidado integral, fortalecimento do vínculo entre profissional e usuário e ampliação das opções terapêuticas no SUS. Ressalta-se a importância da continuidade e ampliação dessa prática, bem como da valorização do papel do enfermeiro na implementação das PICS na APS.
Auriculoterapia; Atenção Primária à Saúde
PATRICIA OLIVEIRA DE ALMEIDA, JULIANA PARREIRA CAPASSO