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O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento de início precoce e curso crônico, caracterizada por prejuízos na interação social, na comunicação verbal e não verbal e por padrões restritos e repetitivos de comportamento. O diagnóstico é essencialmente clínico e sua etiologia permanece indefinida, embora estudos em genética e neuropsicologia apontem para uma base biológica. Além da tríade autística clássica, são frequentes comorbidades como déficit intelectual, alterações no desenvolvimento motor, prejuízos nas funções executivas e transtornos mentais associados, incluindo ansiedade, depressão, transtorno obsessivo-compulsivo e TDAH. A expressiva heterogeneidade clínica do TEA dificulta a adoção de uma abordagem terapêutica única, reforçando a necessidade de intervenções individualizadas e integradas. Diretrizes assistenciais, como a linha de cuidado da pessoa com TEA, destacam a importância da articulação de diferentes práticas no âmbito da Rede de Atenção à Saúde, considerando a singularidade de cada caso. Nesse contexto, as PICS configuram-se como estratégias adjuvantes no cuidado integral, especialmente para sintomas como irritabilidade, agitação e distúrbios do sono. Diante da demanda de crianças com TEA atendidas na unidade de saúde e da predominância desses sintomas, foi implantada uma intervenção grupal com auriculoterapia, com participação dos cuidadores, visando à redução dos sintomas comportamentais e ao fortalecimento dos vínculos terapêuticos e familiares.
Avaliar os efeitos da auriculoterapia, como prática integrativa e complementar, na redução de sintomas comportamentais e emocionais — especialmente agitação, alterações de humor e distúrbios do sono — em crianças com Transtorno do Espectro do Autismo, bem como seu impacto na qualidade de vida e no fortalecimento dos vínculos familiares.
Trata-se de um estudo de caráter descritivo, do tipo relato de experiência, realizado em uma unidade de saúde com crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Participaram do estudo 10 crianças, com idades entre 6 e 11 anos, todas apresentando queixas de agitação motora, alterações de humor e distúrbios do sono. A intervenção consistiu na realização de auriculoterapia em grupo, com duração de 10 semanas, sendo um encontro semanal. As sessões ocorreram com a presença de um cuidador (pais, responsáveis ou familiares), visando ao fortalecimento dos vínculos terapêuticos e familiares. Foram utilizados os seguintes pontos auriculares: ápice da orelha, frontal, ansiedade, hélice 6 e Tai Yang, selecionados de acordo com os sintomas apresentados. A avaliação dos resultados foi realizada por meio de autorrelato dos cuidadores, considerando a percepção de melhora, piora ou manutenção dos sintomas relacionados ao comportamento, ao humor e ao sono ao longo do período de intervenção.
Participaram da intervenção 10 crianças com Transtorno do Espectro do Autismo, com idades entre 6 e 11 anos. Ao final dos 10 encontros de auriculoterapia, observou-se que 100% das crianças apresentaram melhora em pelo menos um dos sintomas avaliados, conforme relato dos cuidadores. Quanto à agitação motora, todos os participantes (100%) apresentaram redução do sintoma, sendo relatados momentos de maior tranquilidade e melhor adaptação às rotinas diárias. Em relação à qualidade do sono, 70% das crianças apresentaram melhora, com redução de despertares noturnos e maior facilidade para iniciar o sono. No que se refere à estabilidade emocional, 30% dos participantes demonstraram melhora do humor, com diminuição de episódios de irritabilidade. Adicionalmente, os cuidadores relataram efeitos positivos no convívio familiar e social, incluindo maior participação das crianças em atividades escolares, familiares e sociais, bem como melhora na interação com irmãos e outros familiares ao longo do período de acompanhamento.
Os resultados deste estudo indicam que a auriculoterapia, enquanto prática integrativa e complementar em saúde, mostrou-se uma estratégia adjuvante promissora no cuidado de crianças com Transtorno do Espectro do Autismo. A intervenção contribuiu para a redução de sintomas comportamentais, especialmente da agitação motora, além de favorecer melhorias na qualidade do sono e na estabilidade emocional, conforme percepção dos cuidadores. Destaca-se, ainda, o impacto positivo nos aspectos psicossociais, com relatos de melhor interação familiar, maior participação em atividades sociais e escolares e fortalecimento dos vínculos entre crianças, cuidadores e equipe de saúde. Esses achados reforçam a importância de abordagens integradas e centradas na singularidade de cada criança, considerando o envolvimento ativo da família no processo terapêutico. Embora se trate de um relato de experiência com número reduzido de participantes, os resultados observados apontam para o potencial da auriculoterapia como recurso complementar no cuidado integral à criança com TEA, indicando a relevância da continuidade da intervenção e da realização de novos estudos com amostras ampliadas.
Autismo, Auriculoterapia, Crianças, Comportamento
IRAÍ GOMES DOS SANTOS