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A gravidez não planejada é uma realidade que afeta inúmeras mulheres, gerando impactos significativos em sua saúde emocional, física e social, assim como nas famílias e comunidades em que estão inseridas. Para mitigar esses impactos, a atenção primária desempenha um papel essencial, ofertando métodos anticoncepcionais para garantir não apenas o acesso à prevenção da gravidez indesejada, mas também a promoção da saúde reprodutiva das mulheres. A escolha do método ideal depende de fatores como a saúde da mulher, seus desejos reprodutivos e sua adesão ao método. Na rede básica de saúde, estão disponíveis os seguintes métodos contraceptivos: DIU de cobre, anticoncepcional oral combinado, anticoncepcional injetável combinado (mensal), anticoncepcional injetável de progestágeno (trimestral), pílula de progestágeno isolado e procedimentos cirúrgicos (vasectomia e laqueadura). Nesse cenário, foi avaliado a importância da ampliação das opções contraceptivas, visando principalmente mulheres em idade reprodutiva de regiões com vulnerabilidade social. Dessa forma, a utilização de anticoncepcionais de longa duração, como o SIU hormonal e o implante subdérmico, mostrou-se uma estratégia eficaz na prevenção da gravidez não planejada devido à sua praticidade e alta taxa de adesão.
● Relatar a implementação e os resultados da ampliação do acesso ao planejamento reprodutivo na ESF Jardim Eldorado no município de Assis/SP. ● Avaliar a importância da oferta de SIU e Implante subdérmico na atenção primária. ● Avaliar a aceitação e adesão dos pacientes a esses métodos. ● Discutir os possíveis impactos na saúde reprodutiva, incluindo taxas de gravidez não planejada. ● Identificar desafios e possíveis barreiras à implementação dos contraceptivos na atenção primária. ● Ampliar a estratégia de educação em saúde feminina e sexual ● Melhoria na qualidade advinda do planejamento familiar
Em dezembro de 2023, foi realizado um treinamento para a equipe médica e de enfermagem da Estratégia de Saúde da Família sobre a inserção do sistema intrauterino de levonorgestrel e do implante subdérmico de etonogestrel. Durante o ano de 2024, a Prefeitura do município de Assis/SP, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, disponibilizou esses métodos para mulheres que manifestaram interesse e atenderam aos critérios de elegibilidade. A paciente é avaliada em consulta médica e de enfermagem para esclarecimento de como funciona o método, demonstração do dispositivo e a explicação de como o procedimento é realizado. No dia agendado para o procedimento, as mulheres fazem o teste rápido de gravidez antes de iniciar o procedimento. Após o procedimento a usuária permanece em observação por 10 minutos. Entrega-se o comprovante do dispositivo, lote, validade, além da prescrição de anti-inflamatório, agendamento de ultrassonografia transvaginal nos casos do Sistema intrauterino e agendamento de consulta de retorno para avaliar a adaptação e possíveis efeitos adversos. É garantida a retirada do método contraceptivo escolhido após sua inserção em qualquer tempo que paciente o desejar, como também a troca por outro método contraceptivo.
Foram realizadas na Estratégia de Saúde da Família Jardim Eldorado, no município de Assis/SP, 27 inserções de SIU hormonal e 29 inserções de Implantes subdérmico durante o ano de 2024 (total de 56 mulheres). A média da faixa etária do SIU hormonal foi de 32 anos e do implante subdérmico foi de 19 anos. Foram retirados 3 SIU por posicionamento inadequado e 1 expulsão do dispositivo, quanto ao implante subdérmico 4 foram retirados por efeitos adversos. No entanto, há uma taxa de continuidade de uso dos métodos de anticoncepção de longa duração acima de 83%.
A introdução do SIU e do Implante subdérmico na Estratégia de Saúde da Família representou um avanço significativo para a saúde reprodutiva das mulheres do território, proporcionando maior autonomia na escolha de seus métodos anticoncepcionais e diminuindo as taxas de gravidez não planejada. Essas intervenções contribuem para a equidade no acesso à saúde em regiões vulneráveis e reforçam a importância de políticas públicas voltadas para a saúde reprodutiva feminina. A introdução da inserção de SIU e Implanon na Estratégia de Saúde da Família contribuiu para: ● Aumento da acessibilidade aos métodos contraceptivos de longa duração. ● Redução de gestações não planejadas entre as usuárias da unidade. ● Maior autonomia das pacientes na escolha de seu planejamento reprodutivo. Dessa forma, ao incorporar esses métodos na atenção primária, é possível fortalecer a autonomia sobre o exercício da sexualidade da mulher e de seus processos reprodutivos, decidindo livremente se querem ou não ter filhos, como e quando tê-los, promover a saúde de forma abrangente e impulsionar a equidade no acesso a cuidados de saúde reprodutiva em regiões de vulnerabilidade social.
implante subdérmico, SIU hormonal, anticoncepção
LUCAS BORDIGNON ULIANA, LIGIA MARIA MESSIAS BELUCI TOTTI, BEATRIZ LOPES BUSTO, SUELI DE FATIMA RODRIGUES BEM, NATALIA CASSIANO, RODRIGO FRANCO DE OLIVEIRA, KEMELY NAKASSUGUI MARTINS, LARA BUENO