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A experiência foi implementada na Unidade Básica de Saúde Jardim Tietê II, situada no distrito de São Mateus, na zona leste do município de São Paulo. Situada numa região cujo entorno é caracterizado por elevada vulnerabilidade social, com incidência significativa de gestações não planejadas, especialmente entre adolescentes e mulheres em contextos socioeconômicos desfavoráveis. Nesse território identificou-se uma adesão reduzida aos métodos contraceptivos de longa duração disponibilizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), tais como o Dispositivo Intrauterino (DIU) e o implante subdérmico (Implanon). Tal cenário refletia lacunas no acesso à informação qualificada e na efetivação da assistência em saúde reprodutiva. Diante disso, a equipe da UBS reconheceu a necessidade de fortalecer as ações de planejamento familiar, promovendo a ampliação do acesso a métodos contraceptivos seguros, eficazes e de longa duração. A principal meta foi enfrentar o elevado número de gestações não planejadas e promover a autonomia reprodutiva das mulheres da comunidade. As ações realizadas para condução da proposta e contemplação dos objetivos do foram: Reforçar as ações educativas com abordagem multiprofissional no Grupo de Planejamento Familiar/Reprodutivo junto aos pacientes participantes.
Objetivo geral: Diminuir o número de gestações não planejadas em mulheres em situação de vulnerabilidade do território da UBS Jd. Tietê II por meio da ampliação do acesso à inserção de DIU e Implanon. Objetivo específico: Ampliar a capacitação das equipes para inserção de dispositivos anticoncepcionais reversíveis de longa duração.
Primeiramente foi realizado a ampliação e reorganização do fluxo de atendimento de pacientes nos grupos, por meio da alteração da frequência para semanal sem a necessidade de agendamento prévio, conforme recomendação da área técnica de saúde da mulher do Município de São Paulo; além de fortalecimento da capacitação da equipe médica para a inserção do DIU e Implanon, assegurando acolhimento, escuta qualificada e respeito às escolhas individuais. Enfermeiros, auxiliares de enfermagem, médicos de família, ginecologistas, assistentes sociais e agentes comunitários de saúde, compuseram a equipe multiprofissional, atuando de forma integrada, desde a busca ativa até a inserção e o acompanhamento do DIU e Implanon. No que se refere aos recursos materiais e insumos, a experiência exigiu o fornecimento regular desses contraceptivos, além de kits de inserção estéril, campos cirúrgicos descartáveis, luvas, pinças de Pozzi, histerômetros, bisturis e anestésicos locais, entre outros itens essenciais à realização segura dos procedimentos. Quanto à infraestrutura, foram utilizados os próprios consultórios e demais espaços assistenciais já existentes na UBS, otimizando o uso dos recursos disponíveis. Do ponto de vista financeiro, os métodos contraceptivos utilizados são fornecidos pelo SUS, cabendo à unidade a organização logística para garantir sua adequada distribuição, bem como o acolhimento e seguimento das usuárias, de forma integral, segura e humanizada.
No âmbito organizacional, a experiência contribuiu positivamente para a melhoria do fluxo de atendimento, com a redução de demandas espontâneas relacionadas a gestações não planejadas. Também foi possível perceber um fortalecimento da autonomia das mulheres em relação às decisões sobre sua saúde reprodutiva, maior vínculo entre usuárias e profissionais e integração mais efetiva entre as ações educativas e assistenciais, resultando em um cuidado integral e centrado nas necessidades individuais. Quanto ao número de gestações não planejadas, especialmente entre adolescentes e mulheres em situação de vulnerabilidade social, houve significativa redução. Analisando o período de 2021 a 2025 há redução progressiva de gestantes que iniciaram o pré-natal na UBS, após um pico registrado em 2023, passando de 149 para 84 gestantes em 2025. Esse comportamento coincide com a ampliação das ações de planejamento reprodutivo e o aumento expressivo da oferta de métodos contraceptivos de longa duração. Entre 2024 e 2025, as inserções de Implanon cresceram de 21 para 58, enquanto os DIUs mantiveram oferta regular, evidenciando maior adesão aos métodos de longa duração. Os dados apontam que a ampliação do acesso aos métodos contraceptivos de longa duração contribuiu para a redução gradual das gestações, evidenciando a efetividade das estratégias adotadas. Esse resultado também sugere maior confiança das mulheres nos serviços oferecidos e no acolhimento realizado pela equipe multi.
A experiência objetivou a redução das gestações não planejadas e a ampliação do acesso a métodos contraceptivos de longa duração, como o DIU e o Implanon. Além disso, buscou-se fortalecer a autonomia reprodutiva das mulheres, promover a equidade no acesso à saúde sexual e reprodutiva e consolidar o planejamento familiar como componente estratégico do cuidado longitudinal na APS. Os resultados percebidos reforçam a importância e o papel estratégico da Atenção Primária à Saúde na promoção da saúde sexual e reprodutiva. O planejamento reprodutivo confere às mulheres maior autonomia sobre seus corpos e projetos de vida, favorecendo decisões informadas, conscientes e seguras. Para o SUS, tais avanços traduzem-se em redução da demanda por atendimentos de urgência obstétrica, menor incidência de complicações gestacionais e neonatais, bem como otimização na alocação dos recursos. A capacitação da equipe para a inserção dos dispositivos e o seguimento clínico do cuidado, integrando-se às ações educativas, escuta qualificada e reestruturação dos fluxos assistenciais, garantiram o respeito às escolhas individuais da população e favorecem a diminuição da gravidez indesejada em mulheres em situação de vulnerabilidade.
Autonomia reprodutiva.
VICTOR HUGO PASSARELLI, THAINÁ CRISTINA DOS SANTOS, AMANDA JACIARA DE LIMA, DANIELA BRANDÃO CAMPOLONGO, KARINA FERREIRA DA SILVA, MARILANDE MARCOLIN