Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A autorrregulação regional (ARR) no SUS consiste em um modelo descentralizado de regulação, onde os próprios municípios e regiões de saúde assumem um papel mais ativo no direcionamento dos pacientes através da pactuação das referências entre si. É uma ferramenta essencial para aprimorar a rede de urgência e emergência (RUE), garantindo maior eficiência no fluxo de atendimento e otimização dos recursos disponíveis. Dentre os pontos de destaque da ARR destacam-se: maior integração entre os níveis de atenção (UPAs 24h, hospitais e unidades de referência); o uso de sistemas informatizados para monitorar leitos e serviços disponíveis em tempo real e direcionamento eficiente dos pacientes, evitando a sobrecarga de UPAs e prontos-socorros. Motivado pela falta de acesso aos serviços qualificados com uma retaguarda hospitalar ineficiente, proporcionando um ambiente de conflito entre os papeis de cada equipamento de saúde, sendo a UPA 24h o ponto de intersecção, mantendo pacientes internados e descumprindo seu papel no sistema, com a intenção de direcionar os atendimentos à um serviço qualificado, fez-se a reorganização da RUE da Região Sul da DRS V Barretos. Por meio de planejamento estratégico proposto para região, através de espaços coletivos, ferramentas diagnósticas e muito diálogo nas Oficinas de Regionalização com a implantação do Hospital Regional de Bebedouro (HRB), fez-se necessário a atualização da rede através da ARR.
Relatar a experiência sobre a implementação da autorregulação regional no contexto da RUE na região sul da DRS V Barretos-SP, destacando as transformações nos processos de gestão e produção do cuidado em saúde. O uso intensivo dos equipamentos de saúde da RUE decorrente das mudanças demográficas, epidemiológicas e da alta prevalência de acidentes e violências, tem imposto a necessidade de reestruturação do sistema de saúde na região em busca de melhores desfechos. Tal política visa a garantia de acesso rápido e direcionado com integralidade e equidade no atendimento ao paciente com agravos agudos. A proposta da ARR com protagonismo do HRB, juntamente com a DRS V Barretos-SP, foi de trazer celeridade e transparência ao processo regulatório, uma vez antes desta organização os pacientes tinham seu acesso ao atendimento adequado em menor tempo, elevando a gravidade dos casos e resultando em piores cenários clínicos.
Trata-se de um estudo retrospectivo e observacional que comparou os dados de gravidade dos pacientes na admissão à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do HRB nos três meses anteriores e três meses posteriores à implementação da ARR. O período analisado abrangeu de junho a dezembro de 2024. A ARR foi implementada em 7 de outubro de 2024, embora as tratativas tenham iniciado em fevereiro do mesmo ano. Os dados foram captados na base do programa EPIMED solutions. Os dados observados foram: número absoluto de internações em UTI no período, SAPS 3 (Simplified Acute Physiology Score 3) que é um sistema de escore prognóstico utilizado em UTI para estimar a gravidade da doença e a probabilidade de mortalidade hospitalar em pacientes críticos; SOFA (Sequential Organ Failure Assessment) no primeiro dia de UTI que também é um sistema de pontuação utilizado em UTI para avaliar a gravidade da disfunção orgânica em pacientes críticos, quanto maior a pontuação maior o número de órgãos com função alterada. Este é um dado especialmente útil para monitorar a evolução clínica e prever o risco de mortalidade; Tempo de internação em UTI e hospitalar, mortalidade hospitalar e número de pacientes com indicação de cuidados paliativos. As análises estatísticas foram realizadas após verificação da homogeneidade das variâncias entre as amostras (teste de Bartlett) e após, Para verificar se há uma relação temporal significativa, foi utilizado a Correlação de Pearson.
Os dados avaliados demonstraram um aumento de número de internações na UTI após o início da autorregulação, o que sugere uma maior garantia de acesso ao leito intensivo. Ao mesmo tempo que aumentou o número absoluto de internações de pacientes críticos, os índices de gravidade SAPS 3 e SOFA dos pacientes admitidos foram menores após a ARR com significância estatística p=0,0153 e p=0,079 respectivamente, o que corrobora a ideia de o paciente chegar mais precocemente ao hospital de referência regional confere menos gravidade quando encaminhado diretamente ao serviço com atendimento qualificado. Não houve diferença estatística entre dias de internação na UTI (p=0,4422), no hospital (p=0,9431) e aumento do número de internações entre os períodos pré e pós ARR. Não houve diferença estatisticamente significante (p=0,2080) entre número de internação e indicação de cuidados paliativos, evidenciando que a indicação dos cuidados paliativos segue uma proporção fixa. Entretanto, para finalizar, houve diferença estática na análise de mortalidade hospitalar (p=0,032) no período analisado pré e pós ARR possivelmente pela queda dos índices de gravidade SAPS 3 e SOFA. Ou seja, observa-se diminuição de mortalidade no hospital quando os pacientes são admitidos com menor gravidade.
Essa experiência demonstra a eficácia da ARR como uma estratégia de qualificação da RUE, oferecendo acesso mais rápido e adequado, com potencial de melhorar os desfechos de saúde e reduzir a mortalidade em pacientes críticos. A integração entre as unidades de saúde, o uso de ferramentas tecnológicas e a gestão regionalizada são elementos-chave para a sustentabilidade e melhoria contínua do sistema de saúde.
Regulação, acesso, reorganização da rede.
ELMA APARECIDA FORMIGA, FLAVIA CARDOSO DE SOUZA FREITAS CASTRO, IZABELA DIAS BRUGUGNOLLI