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No município de São Paulo, a Divisão de Vigilância em Saúde Ambiental (DVISAM) da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (COVISA) coordena o Programa de Vigilância em Saúde Ambiental relacionado à qualidade da água para consumo humano (VIGIAGUA). Dentre as diferentes ações desenvolvidas pelo Programa, está a realização de coletas mensais de amostras de água na rede de distribuição da concessionária pública e também em soluções alternativas a fim de monitorar a qualidade da água fornecida no município conforme preconizado pelo Programa Nacional e Portaria GM/MS 888/2021. Além do monitoramento da qualidade da água supracitado, também se realiza investigação de denúncias e de ocorrência de surto de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar (DTHA), realizando coletas de amostras de água intra-prediais para avaliação da qualidade desta. Em 2023, a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo iniciou processo de acreditação de Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município, tendo o monitoramento da qualidade da água fornecida na unidade de saúde como um dos critérios exigidos. Assim, foi estabelecido parceria entre Coordenadoria de Atenção Básica (CAB) e COVISA para que o Programa VIGIAGUA realizasse as coletas de água nas unidades de saúde.
Avaliação da qualidade da água utilizada nas Unidades Básicas de Saúde do município de São Paulo a fim de contribuir com o processo de acreditação estabelecido pela Secretaria Municipal de Saúde.
A partir da listagem de UBS fornecida pela Coordenadoria de Atenção Básica (CAB) à Divisão de Vigilância em Saúde Ambiental (DVISAM) foi estabelecido cronograma de coletas a serem realizadas pelas 28 Unidades de Vigilância em Saúde (UVIS). Foram realizadas 3 coletas de amostra de água em cada unidade presente no primeiro cronograma, tendo preferencialmente como pontos de coleta: bebedouro, consultório odontológico e central de material e esterilização (CME). Nas UBS contempladas no segundo cronograma, foi acrescido um ponto de coleta: sala de curativo. Nos casos em que um dos pontos preferenciais não estava disponível, a equipe da UVIS foi orientada a coletar em consultório médico. As amostras de água foram encaminhadas para o Laboratório de Controle de Qualidade em Saúde (LCQS) da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo para realização da análise e emissão dos laudos, os quais foram encaminhados para as UBS com as orientações pertinentes. Nos casos de resultados insatisfatórios de acordo com a Portaria GM/MS 888/2021 para os parâmetros analisados ou de resultados satisfatórios, no entanto com presença de coliformes totais, as unidades de saúde foram orientadas quanto à realização de limpeza/higienização do ponto de coleta, troca de filtros de bebedouros e/ou limpeza e desinfecção dos reservatórios para posterior recoleta de amostra pela UVIS até que todos os pontos tivessem laudo satisfatório e, inclusive com ausência de coliformes totais.
De junho de 2023 a janeiro de 2024 foram realizadas coletas de amostras de água em todas as unidades solicitadas pela CAB à DVISAM, totalizando 341 UBS no município de São Paulo. Foram realizadas um total de 1387 amostras intra-prediais, sendo 1225 (88,32%) coletas iniciais e 162 (11,68%) recoletas. Do total de UBS onde se realizaram coleta de água, 82,99% tiveram laudos satisfatórios em todas as amostras iniciais com ausência de coliformes totais, não desencadeando recoletas. O número de amostras realizadas em cada unidade variou entre 3 e 16 coletas, sendo esta variação devido ocorrência de resultados insatisfatórios, ou seja, em desconformidade com a Portaria GM/MS 888/2021 ou satisfatórios, no entanto com presença de coliformes totais, desencadeando recoletas até obtenção de laudo satisfatório e com ausência de coliformes totais. Dentre as 1225 coletas iniciais, 1,55% tiveram resultado insatisfatório, sendo que destas, 57,89% foi decorrente de presença de E.coli. Quanto aos pontos de coleta, dentre as coletas iniciais com resultado insatisfatório, 26,32% foram coletadas na sala de curativo e 21,05% no consultório odontológico. Em relação às 162 recoletas realizadas, 22,22% tiveram resultado insatisfatório, sendo que destas, 94,44% foi decorrente da presença de E.coli. Quanto aos pontos de coleta, dentre as recoletas com resultado insatisfatório, 30,56% foram coletadas em bebedouro e 27,78% em consultório odontológico.
A realização de coletas intra-prediais nas Unidades Básicas de Saúde no município de São Paulo possibilitou a avaliação da qualidade da água utilizada nestas unidades e também o levantamento de informações acerca da limpeza e desinfecção de caixas d’água e bebedouros, além da troca de filtro destes. A partir das ações desencadeadas neste processo, foi possível identificar potenciais risco à saúde e intervir para o reestabelecimento da qualidade da água conforme preconizado na Portaria GM/MS 888/2021, promovendo orientação e ressaltando a importância dos cuidados de higiene nas unidades, tanto a partir de ações junto à equipe de higiene como de todos os demais profissionais e também usuários.
água, vigiagua, ambiental, coleta, hídrica, DTHA
Thais de Souza Cordeiro, Eliane Sati Nishimura, Cleuber José de Carvalho, Magali Antonia Batista