Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A imunização é, sem dúvida, uma das medidas mais eficazes na prevenção de doenças imunopreveníveis. As consequências da falta de vacinação têm se refletido no retorno de algumas doenças, como o sarampo, e no aumento do risco de outras doenças que estavam sob controle, mas que agora representam um risco maior de reaparecimento. A vacinação de adolescentes, conforme o calendário básico de vacinação do Programa Nacional de Imunização (PNI), inclui vacinas contra o HPV, meningite e a vacina contra a dengue. Além das vacinas da rotina infantil que já teriam que estar atualizadas. O Ensino Fundamental 2 compreende os anos escolares do 6º ao 9º, abrangendo, em geral, a faixa etária de 11 a 14 anos. Apesar da Lei 14.886/24, que tornou obrigatória a vacinação nas escolas, como essa prática não faz mais parte da rotina escolar e, atualmente, é notável o aumento da recusa à vacinação em geral, acreditamos que o anúncio da oferta direta de vacinação nas escolas poderia comprometer a efetividade das ações, dificultando a avaliação dos esquemas vacinais dos adolescentes. Assim, vislumbramos maior êxito da ação com a obtenção da cópia atualizada da carteira de vacinação dos alunos do que na solicitação direta da autorização dos responsáveis para vacinação nas escolas, como meio de obter um retrato mais amplo da situação vacinal dos alunos, além da possibilidade de planejamento de ações de vacinação mais assertivas.
O objetivo geral foi de analisar pelo menos 95% das cadernetas de vacina dos adolescentes matriculados no ensino fundamental 2 da rede pública de ensino de Mogi das Cruzes das escolas localizadas fora da área de abrangência das unidades com Estratégia de Saúde da Família (ESF). Dentre os objetivos específicos destacamos análise do esquema vacinal preconizado para a idade, incluindo a vacina contra a Dengue, convocação dos alunos com o esquema vacinal em atraso e a oferta da aplicação das vacinas na escola. Com a conclusão da ação, o objetivo foi de aumento das coberturas vacinais dos adolescentes, nas vacinas contra HPV, Meningite ACWY e Dengue.
Realizada reunião com a Diretoria de Ensino Regional e Secretaria Municipal de Educação para a apresentação da proposta. As equipes contratadas foram responsáveis por todas as etapas da ação, nas áreas fora da abrangência das unidades com Estratégia de Saúde da Família (ESF), sendo 4 equipes, cada uma composta por 1 motorista, 1 enfermeiro e 2 técnicos de enfermagem, que, após o recebimento de capacitação, iniciaram as atividades propostas. Realizado o agendamento para a ação na escola, solicitando a lista nominal dos alunos matriculados no Ensino Fundamental 2 por turma, e as cadernetas originais para avaliação ou a cópia atualizada das mesmas. Mediante análise, emitida a convocação nominal para os alunos com o esquema vacinal em atraso, com a orientação para comparecimento ao posto de saúde em até 7 dias. A escola foi incumbida de primeiramente solicitar as cadernetas de vacinas ou cópias, entregar as convocações emitidas aos responsáveis dos alunos e cobrar o retorno desta convocação, que incluiu um protocolo confirmando que o aluno compareceu ao posto para a atualização do esquema vacinal. Na sequência, foi ofertado o agendamento para vacinação na escola, com as vacinas contra HPV e Meningite ACWY, tendo sido decidido manter a vacinação contra a Dengue apenas na unidade de saúde. Após a ação, foi realizado o controle dos alunos que atualizaram o esquema vacinal, seja após a convocação ou durante a vacinação na escola. A ação foi realizada de agosto a outubro de 2024
Foram atendidas 41 escolas do Ensino Fundamental 2, totalizando 14.550 alunos matriculados. Dentre os alunos, foram avaliadas apenas 5.925 carteiras de vacinação (40,7%), devido à falta de apresentação destas carteiras ou cópias à equipe, conforme o agendamento realizado. Das carteiras avaliadas, apenas 1.436 (24,2%) estavam em dia para todas as vacinas. Foram emitidas 4.489 convocações para a atualização do esquema vacinal. Das escolas atendidas, 3 não solicitaram aos responsáveis a carteira de vacinação conforme acordado, sendo que a análise foi realizada pela cópia já existente em prontuário. Das outras 38 escolas, apenas 1 conseguiu apresentar 96,8% das carteiras para avaliação, cumprindo a meta estimada de avaliar pelo menos 95% das carteiras dos matriculados. 4 escolas obtiveram mais de 75% das carteiras, e 9 conseguiram entre 50% e 74,9% das carteiras obtidas para a avaliação.
Seja por falta de adesão dos pais no envio das carteiras para análise ou outros motivos que possam ter ocorrido nas escolas, impedindo que o número inicial proposto de avaliação de 95% das carteiras fosse alcançado, a experiência mostrou que ainda é necessário melhorar a conscientização do papel das escolas e responsáveis para a diminuição de adolescentes com o esquema vacinal em atraso e, consequentemente, a melhoria das coberturas vacinais. Apesar das dificuldades, qualquer criança ou adolescente registrado para a vacinação representa um passo a mais cumprido para a melhoria das coberturas vacinais em geral. Embora ainda estejamos aquém, foi possível observar um aumento na procura pela atualização vacinal no período em que a ação foi realizada. Esta ação não pode ser considerada concluída, sendo apenas o início de um trabalho árduo e contínuo para a conclusão da vacinação dos adolescentes em nosso município.
Imunização, Escolas Públicas, Vacina
LILIAN PERES MENDES, MARIA ANGELINA JUNGERS ARDACHNILZOFF