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As práticas corporais e as atividades físicas no SUS têm sido fortalecidas como estratégias de cuidado e promoção da saúde desde a publicação da Política Nacional de Promoção a Saúde (PNPS). No contexto da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), os grupos de práticas corporais, organizados pelos Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e outros equipamentos de atenção a saúde, são estratégias de promoção de saúde e cuidado que buscam superar abordagens individualizantes e fragmentadas fortalecendo dinâmicas de produção de subjetividades ativas, críticas e solidárias, mobilizando recursos e possibilidades que extrapolam o âmbito das mudanças focadas apenas nos comportamentos e hábitos dos indivíduos. Prado e Santos (2023) destacam que as ações de promoção de saúde fortalecem um modelo de saúde fundamentado nos determinantes sociais da saúde. Os autores destacam o potencial destas ações para articulação de conhecimentos interdisciplinares no cuidado individual e coletivo. Entretanto, ponderam sobre as dificuldades gerenciais e operacionais existentes, destacando que poucos estudos problematizaram ou avaliaram a efetividade das ações de promoção de saúde ou as experiências de intersetorialidade desenvolvidas. Desta forma, este trabalho se justifica pela necessidade de aprimorar processos de avaliação das ações de promoção de saúde, especificamente no desenvolvimento de indicadores dos grupos de práticas corporais no CAPS Adulto III Paraisópolis.
Analisar a experiência e definir objetivos em comuns dos grupos de práticas corporais realizados no CAPS Adulto III Paraisópolis; e Desenvolver e analisar mecanismos de avaliação que fortaleçam a articulação dos grupos com os projetos terapêuticos singulares dos participantes.
Os grupos de práticas corporais no CAPS Adulto III Paraisópolis são variados. As pessoas usuárias são inseridas nos grupos a partir dos atendimentos de referência nos quais o protagonismo das pessoas usuária é fundamental para a pactuação sobre seu projeto terapêutico singular. Foi utilizado como estratégia metodológica o PDSA (Plan, Do, Study e Act), uma ferramenta que promove mudanças a partir de ciclos de planejamento, execução, estudo e ação, sendo uma forma de testar e avaliar mudanças a partir dos resultados gerados pelas ações. Na fase de planejamento foi elaborado um questionário de avaliação da experiência a partir do estabelecimento de objetivo comuns entre os diferentes grupos de práticas corporais: ampliar o cuidado de forma integral, favorecendo a vinculação com a Unidade Básica de Saúde; aumentar o tempo de realização das atividades físicas na semana e; potencializar a inserção dos participantes em espaços no território. Na etapa “Do”, aplicou-se um questionário com perguntas relacionadas aos objetivos em apenas um dos grupos, o grupo de futebol, que é realizado semanalmente em um espaço externo ao CAPS, na Praça da Cidadania. Após a aplicação foram realizadas intervenções com estratégias que envolveram: rodas de conversa sobre a importância da UBS e identificação de barreiras de acesso; dinâmicas para mapear espaços no território com práticas corporais gratuitas; e apoio individual
No período analítico do ciclo, o uso do questionário evidenciou um tempo de permanência alto no grupo, sendo um indicador relevante. Entretanto, diferentemente de um grupo de práticas corporais proposto pela Atenção Primária no qual a fidelização pode significar uma incorporação para o cotidiano de uma rotina com sentido e significado fortalecedor para saúde, em um CAPS as equipes precisam identificar se o processo de permanência de longo prazo pode ser interpretada como iatrogênica, ou seja, como uma dificuldade relacionada a não ter acesso a outros espaços na sociedade, prejudicando a reabilitação psicossocial. A inserção em espaços no território demonstrou ser um desafio complexo que necessita envolvimento dos demais profissionais da equipe do CAPS, da RAPS e também pode ser facilitado com o envolvimento de familiares ou rede de apoio. Definiu-se como ações: a construção coletiva de um mapa de práticas corporais no território; a proposição de dinâmicas de envolvimento de familiares ou rede de apoio para fortalecer objetivos relacionados aos projetos terapêuticos e a inserção em espaços no território; a continuidade do processo com aplicação de novo ciclo de PDSA avaliando os demais grupos de práticas corporais do CAPS Adulto III Paraisópolis (Grupo de Práticas Corporais no PEC; Grupo de Yoga, Grupo de Dança, Grupo de Voleibol e Grupo de Caminhada); e a disseminação dos resultados para toda a equipe do CAPS.
No período analítico do ciclo, o uso do questionário evidenciou um tempo de permanência alto no grupo, sendo um indicador relevante. Entretanto, diferentemente de um grupo de práticas corporais proposto pela Atenção Primária no qual a fidelização pode significar uma incorporação para o cotidiano de uma rotina com sentido e significado fortalecedor para saúde, em um CAPS as equipes precisam identificar se o processo de permanência de longo prazo pode ser interpretada como iatrogênica, ou seja, como uma dificuldade relacionada a não ter acesso a outros espaços na sociedade, prejudicando a reabilitação psicossocial. A inserção em espaços no território demonstrou ser um desafio complexo que necessita envolvimento dos demais profissionais da equipe do CAPS, da RAPS e também pode ser facilitado com o envolvimento de familiares ou rede de apoio. Definiu-se como ações: a construção coletiva de um mapa de práticas corporais no território; a proposição de dinâmicas de envolvimento de familiares ou rede de apoio para fortalecer objetivos relacionados aos projetos terapêuticos e a inserção em espaços no território; a continuidade do processo com aplicação de novo ciclo de PDSA avaliando os demais grupos de práticas corporais do CAPS Adult
Práticas Corporais; Promoção de saúde
PAULO ROBERTO SPINA