Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A primeira infância corresponde aos seis primeiros anos de vida da criança, neste período ela apresenta grande plasticidade neurológica. Sendo o ambiente familiar no qual está inserida fator relevante para o desenvolvimento saudável, o seu acompanhamento e o de sua família, com seus aspectos inerentes, é extremamente necessário para que se desenvolvam autonomia nos cuidados, aprimorem os processos de aprendizagem e o consequente desenvolvimento infantil, adquirindo corresponsabilização nesse processo. A caderneta da criança é destinada nacionalmente ao uso das áreas da Saúde, Assistência Social e Educação, juntamente com a família, como instrumento de monitoramento do crescimento e desenvolvimento da criança, assim como outros aspectos fundamentais para a atenção e proteção integral até os seus nove anos. Contém em sua primeira parte informações e orientações divididas em 11 temas direcionados à família e a segunda parte é destinada aos profissionais da saúde, educação e assistência social. Contudo, mesmo tratando-se de um instrumento abrangente e rico em informações, há dificuldade na busca de pesquisas quanto aos benefícios alcançados com seu uso. Assim, este relato de experiência surgiu com o intuito de trazer informações relativas à aplicação desse instrumento nas atividades assistenciais da equipe multiprofissional do CESCRIM – Centro Especializado na Saúde da Criança e da Mulher do município de Itanháem .
As atividades da equipe multiprofissional buscam acompanhar e identificar precocemente quaisquer sinais de alteração em crianças de alto e médio risco para o desenvolvimento, sendo assim, este trabalho tem por objetivo demonstrar o impacto do uso desse verdadeiro passaporte da cidadania nas famílias com crianças entre 0 a 24 meses, sendo um dos principais norteadores para a identificação de atrasos ou risco de atrasos no desenvolvimento infantil com importância no aspecto informativo, orientação e compreensão dos cuidadores inseridos no processo.
Este trabalho foi desenvolvido no Centro Especializado na Saúde da Criança e da Mulher do município de Itanháem, onde são atendidas famílias com crianças de alto ou médio risco para o desenvolvimento, classificadas na maternidade do Hospital Regional Jorge Rossman- Itanhaém, bem como, crianças outras encaminhadas pelas USFs. O atendimento multiprofissional ocorre dos 6 meses aos 2 anos de vida da criança, com intervalos de aproximadamente 6 meses. Aos 2 anos a criança é referenciada a USF – Unidade de Saúde Família da sua região ou a serviços especializados, quando necessário. Foram selecionadas oitenta e três famílias, atendidas no período de janeiro de 2023 a julho de 2023. Para demonstrar o impacto das informações e orientações presentes na Caderneta da Criança e oferecidas pela equipe multiprofissional, foi abordada e pesquisada a qualidade de vida da família, uma vez que conheceremos melhor os recursos familiares, que implicará no desenvolvimento infantil, além de fornecer dados para planejamento de ações profissionais, intersetoriais e instrumentos que auxiliem na corresponsabilização e empoderamento da família. Então, foi enviado o questionário Qualidade de Vida Familiar – QdVF – Brasil, Bitencourt e Gràcia. 2018. Fixamos a análise nas questões relacionadas ao apoio formal, no qual o serviço atuou com acolhimento da família, informações e orientações. Das oitenta e três famílias as quais o questionário foi enviado, quinze responderam.
Quando perguntado se “minha família tem ajuda externa para cuidar de necessidades especiais de todos os seus membros”, 66,7% sentem-se satisfeitos ou muito satisfeitos (itens “a ou b”). Ao serem questionados se “minha família consegue assistência médica quando precisa”, 80% responderam “a ou b”. E quando perguntados se “o parente da minha família com deficiência tem apoio para alcançar suas metas em casa” e se “minha família tem um bom relacionamento com os prestadores de serviços que trabalham e prestam apoio ao parente com deficiência”, 80% e 87% registraram “a ou b”, respectivamente. Em outro grupo de perguntas, as respostas sugerem um impacto positivo das ações realizadas, visto que as estratégias utilizadas podem resultar em um relacionamento familiar mais adequado e repleto de estímulos para impulsionar o desenvolvimento infantil. Quando foram perguntados se “os membros da família gostam de passar tempo junto” e 93,3% marcaram “a ou b”. Quando perguntados se “os membros da minha família falam abertamente entre si (por exemplo, dialogam)” e se “os membros da minha família ensinam os filhos a se relacionarem bem com as outras pessoas”, 86,7% e 86,6% confirmaram “a ou b”. Por fim, quando indagados se “os membros da minha família têm algum tempo para se dedicarem aos nossos próprios interesses, além da pessoa com deficiência” e se “os membros da minha família demonstram que eles se amam e cuidam uns dos outros” responderam “a ou b” 73,4% e 100%, respectivamente.
Pelo que se observa na prática durante os atendimentos, os resultados apresentados acima favoreceram a criação de um ambiente estimulador e propício para o desenvolvimento das crianças e a construção de comportamentos que geraram relações familiares mais felizes. Ficou evidente ao longo de pouco mais de dois anos utilizando a Caderneta da Criança como instrumento de compartilhamento de cuidados com as famílias, durante os atendimentos multiprofissionais, a necessidade de treinamento e aprimoramento constantes destes, não somente no manejo do referido instrumentos como a incorporação das teorias nas práticas profissionais cotidianas. Pode-se questionar, ainda, o impacto do envolvimento de outros setores na utilização desse instrumento, sendo que, em nossa prática, logramos atuação conjunta com setores da Educação e da Assistência Social que beneficiaram intensamente a qualidade de vida de diversas famílias.
caderneta da criança, desenvolvimento infantil
MARIA ELIZABETE TEOTÔNIO, ALEXANDRE RIBEIRO LUZ, VANESKA CAMARA MARQUES