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Muito se discute, entre os gestores de unidades de saúde dentro do SUS, sobre a escassez de dados ou indicadores que possam colaborar nas tomadas de decisão e melhor direcionamento das prioridades das políticas públicas. Pensando entre nós, que estamos na gestão no SUS: para que precisaríamos de dados, de informação ou indicadores? Para Uchoa (2013, p.7), “dado é uma informação disponível, mas ainda não organizada ou manipulada; informação é um dado que já passou por um primeiro nível de organização, de acordo com um interesse específico e indicador é uma variável crítica, que precisa ser controlada, mantida em determinados patamares.” A notificação obrigatória consiste em informar a ocorrência de uma doença ou agravo ao serviço municipal responsável pela Vigilância em Saúde. Para que a função de vigilância possa ser utilizada de forma efetiva para o planejamento e aprimoramento das ações em saúde de um local, é fundamental que haja uma coleta adequada dos dados que, posteriormente, estes dados coletados sejam transformados em informação técnica de fácil entendimento e que possam atingir não só os profissionais da área da saúde, mas também a população como um todo. (SILVA, W.N.T et al, 2020) Visto a importância de compilar os dados em série histórica e de devolver a informação aos serviços de saúde, gestores e comunidade, é que foi lançado o Boletim Epidemiológico de Santos, a fim de colaborar no direcionamento de ações aos grupos e territórios prioritários e vulneráveis
1- Consolidar os dados das doenças de notificação compulsória e outros agravos , assim como dados demográficos, SIM (mortalidade) e SINASC (nascimentos), produção e atividades desenvolvidas pelas várias unidades do Departamento de Vigilância em Saúde. 2 – Elaborar Boletim Epidemiológico de Santos com dados e informações na série histórica dos últimos 5 anos, a fim de colaborar nas tomadas de decisão aos gestores SUS. 3 – Divulgar anualmente o Boletim Epidemiológico de Santos para toda rede notificadora do município e no site da Prefeitura Municipal de Santos para veiculação dos dados à comunidade.
No ano de 2019, houve uma motivação inicial dos técnicos do Departamento de Vigilância em Saúde (DEVIG) em compilar os dados e divulgar para a comunidade, um produto final consolidado, das seções de Vigilância Epidemiológica, Mortalidade Materna infantil, Sanitária, Zoonoses e Vetores, Saúde do Trabalhador e Controle de Intoxicação. A primeira edição foi publicada em 2019 (com dados de 2014 a 2018) e, então, outras edições a sucederam nos anos subsequentes, com dados referentes aos 5 anos anteriores. O início da compilação dos dados se inicia em maio de cada ano, quando os técnicos concluem e finalizam os casos nos sistemas oficiais, com os dados referentes aos agravos e doenças de notificação compulsória, dados de nascimentos, mortalidade e atividades desenvolvidas pelas seções do DEVIG. Foram analisados os dados e elaborados gráficos e tabelas com os casos confirmados referentes a residentes em Santos, distribuídos por região da cidade, faixa etária, sexo, proporções e incidência, na série histórica dos últimos 5 anos, denominado Boletim Epidemiológico de Santos. A formatação dos dados de maneira simples e organizada é fundamental para que o boletim atinja seu objetivo. Foram compilados mais de 57 temas, totalizando 300 páginas no Boletim Epidemiológico nº 5 (2019-2022), divulgado em 2023.
Os boletins são elaborados anualmente, com série histórica dos últimos 5 anos e publicados no site da Prefeitura de Santos, e enviados via e-mail para todos serviços de saúde notificadoras do SUS e privados. Acesso virtual à comunidade através do link https://www.santos.sp.gov.br/?q=servico/boletim-epidemiologico-de-santos Podemos mostrar(dentre as inúmeras tabelas) através da informação no Boletim Epidemiológico nº 5 que nos últimos 5 anos : – o nº de nascimentos em Santos está com tendência decrescente de 4.556 nascimentos em 2018 , para 3.755 em 2022; – o nº de casos de dengue tem as maiores incidências nas crianças de 5 -9 anos; – os medicamentos é o agente tóxico em 90% das intoxicações exógenas por tentativa de suicídio; – os casos de tuberculose aumentaram, sendo as maiores incidências na região da Zona Noroeste e Centro; Assim, mostramos a evolução dos agravos ano a ano desde 2014, sua tendência crescente ou decrescente, destacando territórios e grupos prioritários para monitoramento eficiente e constante, permitindo ao gestor (a ponta ou nível central), definir linhas de ações mais direcionadas aos grupos e áreas mais vulneráveis, para tomada de decisão na rede SUS, assim como melhor direcionamento de recursos financeiros, tão escassos na rede pública.
As cinco edições do Boletim Epidemiológico de Santos apresentam um compilado de dados, informações e indicadores importantes numa série histórica de 2014 a 2022, com ampla divulgação à rede de saúde notificadoras, universidades, acadêmicos, gestores e comunidade. É possível ver os números, analisar os dados, na perspectiva de uma tomada de decisão mais direcionada para o controle das doenças ou agravos mais importantes num determinado território e grupos mais vulneráveis. Por fim, destaco que “ um mesmo dado pode ser considerado um indicador ou uma simples informação ou um indicador, a depender de quem o vê”. (Uchoa,2013) REFERÊNCIAS: Silva, William Nicoleti Turazza da; Rosa, Maria Fernanda Prado; Oliveira, Stefan Vilges de Produção de boletins epidemiológicos como estratégia de Vigilância em Saúde no contexto da pandemia de COVID-19 Vigilância Sanitária em Debate, vol. 8, núm. 3, 2020, Julho-Setembro, pp. 171-177 INCQS-FIOCRUZ DOI: https://doi.org/10.22239/2317-269x.01658 Uchoa, Carlos Eduardo Elaboração de indicadores de desempenho institucional / Carlos Eduardo Uchoa; desenho e elaboração Coordenação Geral de Programas de Capacitação /DDG. _ Brasília: ENAP/DDG, 2013. 36p. Programa de Gestão Estratégica
vgilância, boletim epidemiológico, informação
Carolina Ozawa, Ana Paula Nunes Viveiros Valeiras, Arthur José de Farias e Souza