Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
O brincar é um ato necessário ao desenvolvimento físico e cognitivo das crianças. É uma atividade que auxilia na formação, socialização, criação de vínculos entre os pares e desenvolvimento de habilidades psicomotoras, sociais, físicas, afetivas, cognitivas e emocionais. Além disso, é um direito pautado no Estatuto da Criança e do Adolescente, Artigo 16, de 1990.(1,2) O desenvolvimento infantil é influenciado por diversos fatores, como a interação humana, a linguagem, a capacidade de concentração, o ambiente familiar e as relações afetivas. Entre as habilidades que as crianças adquirem ao longo de seu desenvolvimento, destacam-se: a aquisição da linguagem, a compreensão do mundo ao redor, a memória, a atenção e a resolução de problemas. ³ Através do prazer e da diversão, a criança acelera seu desenvolvimento. Em interação com atividades propostas pelo terapeuta, ela aprende a agir, conviver e, sobretudo, a se compreender. Além de fomentar a curiosidade, a autoconfiança e a autonomia, a brincadeira promove o desenvolvimento da linguagem, do pensamento, da concentração e da atenção. ³
Proporcionar às crianças com alterações na funcionalidade e no desenvolvimento momentos de brincar com a sua família. Adaptar o brincar com as crianças e sua família, utilizando materiais disponíveis no local de atendimento, integrando com as avaliações e terapias. Avaliar o desempenho da criança em relação às habilidades trabalhadas para definir os objetivos terapêuticos.
Relato de experiência que ocorreu em julho de 2023, com as avaliações das crianças encaminhadas pela regulação ambulatorial do município. Com base nessas avaliações, as crianças com perfil para reabilitação foram direcionadas às terapias apropriadas, incluindo o uso da Sala de Brincar. Critérios de Inclusão: Crianças de 2 a 12 anos provenientes das UBS, agendadas pela regulação em vagas ofertadas pelo CER para avaliação. As crianças devem atender aos critérios de inclusão estabelecidos pelo protocolo de acesso ao CER, especificamente nas áreas de Reabilitação Intelectual e Reabilitação Física. Crianças que apresentem benefícios com a sala de brincar. Crianças que não evoluem no atendimento em consultório. Critérios de Exclusão: Crianças com doenças infectocontagiosas. Bebês com menos de 2 anos (estimulação precoce / prematuros). Crianças com agitação extrema, que necessitem de um ambiente mais controlado e com menos estímulos. A sala foi equipada com tatames de EVA provenientes da sala sensorial, além da piscina de bolinhas e tapetes sensoriais. Aproveitamos também uma cozinha de madeira já existente e alguns brinquedos doados, como panelas, bonecas, jogos de encaixe e uma cesta de basquete pequena.
Foram atendidas em média 30 crianças por semana no ambulatório que participaram, com suas famílias, da Sala do Brincar. Após 3-4 semanas, as crianças apresentaram uma redução nas dificuldades, melhoraram o comportamento, aumentaram a sociabilidade e a interatividade, e diminuíram a desconexão com os pares. Os avanços foram significativos no brincar de faz de conta, com uma redução na imitação de comportamentos e uma melhoria substancial na pontuação total de linguagem. A observação e interação com a criança na Sala do Brincar auxiliou na definição terapêutica de cada indivíduo.
De acordo com os achados de O\Connor e Stagnitti (2011), observamos resultados semelhantes ao longo da intervenção lúdica. Durante os atendimentos foram priorizados os seguintes aspectos: a preferências das crianças; utilização cores e formas que estimulem a criatividade; iluminação adequada; disponibilidade de brinquedos e livros ao alcance das crianças; organização do ambiente de maneira funcional e um espaço seguro e acolhedor. Na avaliação e terapias das crianças durante a brincadeira, foi possível adotar as seguintes abordagens: observação das características, expressões e comportamentos da criança enquanto brinca; identificação de possíveis dificuldades ou limitações durante a atividade; promoção da autonomia ao entrar e sair da sala, tirar os calçados, guardar em local adequado, cumprir regras simples da sala, etc; estimulação da brincadeira entre pais/avós/cuidadores e a criança e eliminação da ideia de apenas de tratamento de saúde.
sala de brincar; reabilitação; criança
LETÍCIA PEREZ PARDO DIAS