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A adesão ao tratamento medicamentoso é o ato de se conformar às recomendações feitas por um profissional prescritor em relação ao tempo de tratamento, à dosagem do medicamento e à frequência de tomadas das doses.1 Muitos são os fatores relacionados à não adesão da farmacoterapia, envolvendo principalmente os pacientes. Assim, a não adesão está associada a fatores como analfabetismo, polifarmácia e problemas culturais.2 A taxa de analfabetismo no Brasil é de 5,6%. Ademais, 29% dos brasileiros entre 15 e 64 anos possuem dificuldades com textos simples. Em relação às deficiências, a taxa de pessoas com alguma deficiência mental é de 1,2 %, sendo maior em pessoas acima de 60 anos: 2,9%. Somado a estes fatos, a prevalência de polifarmácia entre usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) é de 9,4% na população geral e 18,1% em idosos acima dos 65 anos.3-7 Todos estes fatores contribuem para a não adesão e podem levar ao aumento da morbidade, mortalidade e custos econômicos para o tratamento de pacientes com diversas condições, como: diabetes, hipertensão, epilepsia e esquizofrenia.2 Neste contexto, a Assistência Farmacêutica de Marília tem realizado desde 2020 ações voltadas à adesão à farmacoterapia em pacientes com dificuldades na administração de seus medicamentos, utilizando caixas organizadoras. Tal iniciativa tem trazido melhorias nas condições de saúde destes pacientes, mostrando a relevância deste trabalho para a Assistência Farmacêutica e para o SUS.
Objetivo Geral Relatar a experiência da assistência farmacêutica no município de Marília com relação às estratégias de promoção da adesão ao tratamento medicamentoso em pacientes com dificuldades no manejo de sua farmacoterapia, estimulando ações semelhantes em outros municípios. Objetivos Específicos Aumentar a adesão ao tratamento medicamentoso em pacientes portadores de necessidades especiais, analfabetos e com polifarmácia; Reduzir complicações decorrentes da não adesão ao tratamento medicamentoso nestes pacientes; Promover melhorias na qualidade de vida desta população.
As ações vêm sendo realizadas tanto nas Farmácias Municipais quanto em Unidades de Saúde da Família (USF) que possuem farmácia. Foram contabilizados, até o momento, doze pacientes, entre os quais pessoas com dificuldade de leitura e compreensão em relação ao uso correto de medicamentos, pessoas com deficiência intelectual e pessoas em uso de polifarmácia. Muitas das necessidades destes pacientes foram identificadas pelos próprios farmacêuticos através do contato no momento da dispensação, enquanto outras foram indicações de outros profissionais de saúde atuantes que observaram as dificuldades destes usuários no momento de sua prática profissional, entre eles médicos, enfermeiros e agentes de saúde, que entraram em contato com os farmacêuticos para a realização das ações. Através da análise das prescrições destes pacientes, são montadas caixas organizadoras de medicamento para cada um deles, semanalmente. Todas as ações são documentadas em prontuário físico ou no Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC). Durante os encontros, os pacientes têm acesso a serviços como aferição de pressão e glicemia, também documentados em prontuário para o acompanhamento destes, além do esclarecimento de dúvidas, orientações a respeito de interações medicamentosas e exposição de queixas por parte dos pacientes, levadas pelos farmacêuticos aos outros profissionais envolvidos no cuidado desses usuários, para discussão de ações de maneira interprofissional.
Por meio da verificação do prontuário dos pacientes, exames laboratoriais e da própria observação do comportamento dos usuários pelos farmacêuticos, foram constatadas melhorias em muitos dos casos envolvidos. Através dos exames laboratoriais foi possível observar diminuições nos valores de colesterol total, triglicérides, colesterol LDL e aumento de colesterol HDL em pacientes em tratamento de dislipidemia, além de diminuições nos valores de glicemia de jejum e hemoglobina glicada em pacientes diabéticos. Os valores de glicemia capilar e pressão arterial realizados pelos farmacêuticos durante os encontros também se demonstraram animadores em muitos dos pacientes. Em alguns dos casos, não houve melhora significativa nas condições dos pacientes, haja visto que alguns deles não possuem uma rede familiar de apoio suficiente para o monitoramento de suas necessidades, ficando totalmente dependentes das ações dos profissionais de saúde.
A estratégia de se utilizar caixas organizadoras de medicamentos em pacientes com dificuldades de adequação à sua terapia medicamentosa tem se mostrado promissora na cidade de Marília. Através das ações realizadas pelos farmacêuticos da rede municipal, foram observadas melhorias nos valores de exames laboratoriais e mudanças comportamentais dos usuários participantes da iniciativa. Apesar da existência de casos nos quais não houveram mudanças significativas nos valores dos exames laboratoriais, fica clara a importância da ação, tendo em vista que muitos destes pacientes não possuem rede familiar estruturada para o apoio no tratamento de suas doenças, não realizando uma dieta adequada associada a exercícios físicos, entretanto, pode-se chegar à conclusão de que a saúde destes mesmos pacientes poderia estar pior sem a adequada administração de seus medicamentos proporcionada pela estratégia desenvolvida. A Assistência Farmacêutica do município espera ampliar esta ação, envolvendo mais pacientes com dificuldade em relação à terapia medicamentosa. Além disso, espera-se que a experiência sirva de inspiração para ações semelhantes em outros municípios, com melhorias nos indicadores de saúde do estado de São Paulo.
Assistência farmacêutica, adesão ao tratamento
LETICIA DE LIMA SOUZA, ALESSANDRO MAGON DE SÁ, LUCIANA ISA RODRIGUEIRO CORREA