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Transtornos do desenvolvimento são identificados cada vez mais cedo, dentre eles o autismo é definido como um transtorno neuropsiquiátrico que apresenta sinais ainda na infância, na maioria dos casos, até os três anos de idade (Zampiroli, 2012). Um marco no cuidado desse transtorno é o documento “Linha de Cuidado para a Atenção às Pessoas com Transtornos do Espectro do Autismo e suas Famílias na Rede de Atenção Psicossocial do Sistema Único de Saúde”, lançado em 2022. Destinado a gestores e profissionais da Rede de Atenção Psicossocial, com o objetivo de contribuir para a ampliação do acesso e a qualificação da atenção às pessoas com Transtornos do Espectro do Autismo e suas famílias (São Paulo, 2022). A Política Nacional de Atenção Básica também reforça a valorização do sujeito, sua singularidade e inserção social, atendendo as necessidades da população sem nenhuma distinção (Couto e Lima, 2017). Diante o crescente número de casos com suspeita de autismo encaminhados para e-Multi, torna-se necessário ações alinhadas pela equipe, visando cuidados e promoção de saúde na Atenção Básica.
Promover o desenvolvimento cognitivos, a oralidade e o repertório social de pacientes com Transtornos Globais do Desenvolvimento, através da metodologia de atendimento em grupo operativo, com intervenções realizadas com os paciente e genitores.
O atendimento em grupo operativos, que conforme Batos (2010) consiste em um trabalho cujo objetivo é promover um processo de aprendizagem para os sujeitos envolvidos. A faixa etária dos participantes dos grupos eram entre 1 até 12 anos, sendo os grupos divididos nas seguintes faixas etárias: 1 até 4, 5 até 8 e 9 até 12. Foram desenvolvidas atividades semanais, no período da manhã e tarde, com duração de 40min. Os atendimentos foram realizados pela equipe multiprofissional nas UBS, principalmente com psicólogos e fonoaudióloga, e posteriormente ocorreu a inclusão da profissional fisioterapeuta. Os encaminhamentos para participação no grupo, ocorriam via matriciamento com a Estratégia Saúde da Família, encaminhamento da rede e requalificação da fila de espera. Os assistentes sociais prestavam apoio indireto no acompanhamento familiar, principalmente em orientações sobre o acesso e garantia de direitos, como Benefício de Prestação Continuada e Bilhete Único Especial da SPTRANS. A avaliação das atividades foi realizada através de questionários online e coleta de relatos verbais das genitoras (em anexo), sobre opiniões referentes as atividades desenvolvidas. As intervenções realizadas no grupo foram avaliadas por meio de relatórios solicitados ao CEI (Centro de Educação Infantil), à EMEI (Escola Municipal de Educação Infantil) ou à EMEF (Escola Municipal de Ensino Fundamental), contendo principalmente informações sobre o desenvolvimento nas atividades, os comportamentos e a int
No total, os grupos contaram com cerca de 30 participantes, com boa assiduidade nos encontros que ocorriam de forma semanal. As crianças e seus genitores demonstraram-se participativos nas atividades desenvolvidas. A seguir, apresentam-se relatos das mães que participaram dos acompanhamentos em grupos. Elas responderam a seguinte pergunta disparadora: “Na sua opinião quais os pontos positivos e negativos do grupo?” (respostas na integra, estão em anexo). As genitoras acompanharam seus filhos ao longo das atividades realizadas e mostraram-se solícitas quando orientados pelos profissionais que realizam as atividades. Os relatos das mães evidenciam que elas notam a importância das atividades em grupos realizadas na UBS, que buscam promover o desenvolvimento de seus filhos, mas apresentam interesse em acompanhamentos individualizados. As genitoras relatam dificuldades para encontrar serviços que atendam as necessidades dos filhos. Segundo Defense-Netvral e Fernandes (2016) somente sete estados no Brasil possuem políticas públicas voltadas ao TEA, o que revela uma dificuldade na consideração e inclusão do autismo como uma deficiência no país. Compreendem que somente os atendimentos em grupo na UBS não são suficientes para um cuidado integral, mesmo que o acesso em saúde seja um direito. Conforme, Nascimento et al. (2017) a criança e sua família têm direito a cuidados integrais ofertados pelo SUS.
Muitos profissionais não se sentem à vontade para realizar intervenções, sendo necessário a promoção de formações continuadas para maior qualificação dos atendimentos. Na Atenção Básica em Saúde, composta pela UBS e suas equipes, existe a responsabilidade de identificar precocemente sinais de atrasos no desenvolvimento e realizar encaminhamentos para especialidades, além de oferecer cuidados ao paciente, que também envolvem a vacinação, saúde bucal, consultas etc. Desta forma os cuidados não ocorreram somente nos grupos que foram realizados. As genitoras também foram estimuladas a procurarem atividades que propiciam interação social e desenvolvimento, em locais de atividades esportivas, culturais etc., conforme a especificidades de cada caso. Mas sem perder o vínculo com a UBS de referência, visando sempre um cuidado ampliado e não frequentado.
Formação; Atenção Básica, Desenvolvimento
JOEL HUGO POLONI