Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
Os ambulantes são com certeza uma das populações mais vulneráveis a desenvolver câncer labial, mas será que estão se protegendo de forma correta? Se o diagnóstico de uma lesão é tardio, o prognóstico é desfavorável, os tratamentos mutilantes, paliativos e dispendiosos para as unidades hospitalares e planos de assistência médico-odontológicos. Quando o diagnóstico é feito nos estágios iniciais o câncer labial pode ser considerado curável. esclarecer a população sobre a necessidade da eliminação dos fatores de risco associados ao desenvolvimento do câncer, bem como orientá-la sobre a importância da realização do auto-exame de boca periódico, já que o câncer nas fases iniciais não apresenta sintomas. Pensando em prevenção e em realizar um levantamento epidemiológico uma equipe composta por 60 cirurgiões dentistas previamente treinados percorreram as praias de Santos nos dias 15/04/2023 e 27/05/2024. Percorremos entre o Emissário e o Aquário Municipal, distribuímos um folder explicativo com cuidados de prevenção e proteção e avaliação da condição labial foi realizada. Uma unidade móvel foi colocada no canal 3 com a Praia e os ambulantes com lesões observadas no lábio puderam realizar exames de diagnóstico e início de tratamento imediatamente ou foram encaminhados para tratamento junto ao Centro de Especialidades Odontológicas da Prefeitura de Santos.
O objetivo da campanha foi informar e orientar os ambulantes quanto a medidas de proteção aos raios solares, tratar os casos com alteração labial e fornecer um levantamento epidemiológico das condições labiais, hábitos nocivos e condutas de higiene bucal dos ambulantes das praias de Santos/SP.
Realizamos a Campanha de Prevenção para os ambulantes das praias de Santos nos anos de 2023 e 2024. Uma parceria publico privada pois contamos professores e alunos da Universidade Santo Amaro/SP na capacitação dos avaliadores e coordenação de todo levantamento de dados e a Prefeitura Municipal de Santos toda infra estrutura e profissionais para avaliação e tratamento dos ambulantes. Na Campanha realizada em 27/04/2024, tivemos a participação de 60 voluntários entre professores, alunos, dentistas. Foram realizadas 4 oficinas de capacitação on-line, com a participação de todos os envolvidos, um momento de troca de experiencias, aprendizado e calibração para o levantamento de dados obtidos nas entrevistas. Dividimos os voluntários em 5 equipes com 12 participantes, e cada equipe percorreu 1 quilometro da faixa de areia da praia, primeiramente um folder explicativo sobre medidas protetivas e como realizar autoexame foi entregue e detalhado ao ambulante, depois o termo de consentimento foi lido e explicado e caso concordasse então anamnese e avaliação labial eram realizadas, os casos com alteração foram fotografados e informados que seriam contatados para avaliação e tratamento. A Prefeitura disponibilizou uma unidade móvel e os ambulantes podiam ser avaliados e se necessário uma biópsia realizada. Os ambulantes com alterações labiais foram encaminhados para avaliação junto ao estomatologista do CEO e de acordo com as necessidades apresentadas foram encaminhados para tratamento.
Foram entrevistados cerca de 350 ambulantes nesses 2 anos e a incidência de alterações labiais fica em torno de 20%. Durante as 2 campanhas realizadas foram encaminhados para tratamento cerca de 100 ambulantes, destes apenas 22 foram para avaliação e tratamento. Alguns foram entrevistados por duas vezes e relatam que mudaram seus hábitos e estão mais atentos a modificações na pele dos lábios, conseguem realizar auto exame. A mudança na mentalidade de dar importância a proteção labial é vista nos ambulantes que foram entrevistados na primeira campanha (2023). mas ainda não é na maioria. Em 2024 ao chegar na praia muitos reconheciam e sabiam da campanha, implementaram medidas protetivas, principalmente uso de chapéu, mas o uso do protetor labial, mesmo os orientados anteriormente, não faz. Dados relativos à jornada de trabalho demonstraram que 95,1% dos ambulantes trabalhavam por 6 ou mais horas por dia e 98,9% trabalhavam sob exposição solar direta. Destes, apenas 6% utilizavam proteção labial e 68,1% utilizavam chapéu ou boné. Quanto à idade, com Odds Ratio de 1,04, nos mostrou que a cada aumento de 1 ano nós temos 1,04 vezes mais chances de os indivíduos apresentarem alguma alteração labial. A alteração mais encontrada foi o ressecamento labial, com índice de 24,9%.
Concluímos que a prevalência de lesões labiais e periorais é mais incidente nos ambulantes do que no restante da população. Entre as variáveis estudadas, colocamos a exposição solar crônica, sem a devida proteção, como fator causal mais significativo. A idade também demonstra influência na amostra, assim como o tempo de trabalho. Tabagismo pode contribuir de forma secundária para o surgimento e evolução das alterações. A população alvo não possui informações sobre esses riscos e políticas públicas de prevenção primária são fundamentais para a prevenir o câncer labial.
Câncer labial, Epidemiologia, Praias
CAIO VINICIUS GONÇALVES ROMAN TORRES, LUANA DE CAMPOS, ALVARO LUIZ MENDONÇA PINHEIRO BARBOSA, TATIANA DE ALMEIDA BEZZI ELIAS, REINALDO GUEDES JUNIOR, WILSON ROBERTO SENDYK