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A poliomielite (paralisia infantil) é uma doença infecciosa grave causada pelo poliovírus, com transmissão oro-fecal. Embora haja casos assintomáticos, pode atingir o sistema nervoso central, levando a incapacidades permanentes e óbitos. Graças às campanhas de vacinação em massa desde 1980, a doença está eliminada das Américas desde 1994 e quase erradicada globalmente. A vacinação é o meio mais eficaz de prevenção da doença, sendo necessária a vacinação de pelo menos 95% da população-alvo. Devido à queda das coberturas vacinais observadas nos últimos anos, há um risco iminente de recrudescimento do vírus no Brasil. A Campanha de Vacinação contra a Pólio foi destinada a todas as crianças de 1 a 4 anos de idade em estratégia indiscriminada. As ações foram realizadas nas escolas de educação infantil, voltadas para esse público, como forma de facilitar o acesso e ampliar o alcance das coberturas vacinais. A ação foi desenvolvida pela Vigilância Epidemiológica Municipal, com o apoio de instituições de ensino de enfermagem dos cursos técnicos e superiores, após a divulgação da Secretaria Municipal de Educação, evidenciando a importância de parcerias intersetoriais para a promoção da saúde. Por meio dessa ação, buscamos reforçar a imunização de crianças de 1 a 4 anos e melhorar o alcance da cobertura vacinal do município. Embora esta prática seja sempre recomendada, por motivos diversos, a vacinação nas escolas de Mogi das Cruzes não constitui mais uma rotina.
Tendo em vista que a escola representa um espaço prioritário para a campanha devido à alta concentração de crianças e à facilidade de acesso aos responsáveis, o objetivo principal da ação, foi ampliar o acesso à vacinação, buscando obter melhores taxas de cobertura vacinal na Campanha de Vacinação contra a Pólio. Além disso, podemos destacar outros objetivos desta ação: Sensibilizar a comunidade escolar sobre a importância da vacinação na prevenção de doenças imunopreveníveis; Evidenciar o protagonismo da escola no processo de promoção da saúde dos alunos e da comunidade; Promover a conscientização dos pais e responsáveis sobre a relevância da imunização infantil; Identificar e superar, por meio da adesão, possíveis barreiras locais que dificultam o acesso à vacina.
A ação ocorreu de 4 de maio a 27 de junho de 2024, sendo iniciada pelo planejamento através de em reuniões com a Secretaria Municipal de Educação (SME), destacando a importância da parceria das escolas para o êxito da ação, apresentação da proposta operacional e definição de metas e cronogramas. Também foram realizadas reuniões com as instituições de ensino de enfermagem superior e técnico para propor a parceria. Foram elaborados materiais informativos para as escolas e pais/responsáveis, além da capacitação das equipes de saúde para a aplicação da vacina oral contra a poliomielite, garantindo a execução adequada das atividades. Na etapa de execução, foi enviada comunicação para todas as escolas de educação infantil do município. Para as escolas privadas, a adesão foi opcional, enquanto para as públicas, o aceite foi dado por meio da anuência da SME. As escolas foram solicitadas a informar o total de alunos de 1 a 4 anos e a enviar o informativo da campanha aos pais/responsáveis, pedindo autorização para a vacinação. Com as respostas, agendou-se a vacinação nas escolas. As equipes de vacinação, formadas por grupos de estágio e equipes da Vigilância Epidemiológica Municipal, foram organizadas em escalas. A vacinação ocorreu com autorização dos responsáveis, e as carteiras de vacinação foram avaliadas. Para aqueles com atraso, foram emitidas convocações para comparecer ao posto de saúde. Na análise da ação avaliou-se a adesão das escolas e responsáveis, e dados de vacinação.
Foram elencadas 207 escolas de educação infantil, sendo 40 da rede privada e 167 públicas. Das 40 escolas da rede privada, apenas 2 aderiram à campanha. Uma foi atendida para a vacinação e a outra, com apenas 1 aluno a vacinar, foi orientada a encaminhá-lo ao posto de saúde. Das 167 escolas públicas (municipais e conveniadas), 63,5% (106) aderiram efetivamente à campanha. Destas, 23 escolas foram atendidas pelas unidades com Estratégia Saúde da Família, 26 pela equipe da Vigilância Epidemiológica Municipal e 57 pelas instituições de ensino de enfermagem. 61 escolas não responderam às solicitações ou não aderiram à participação na ação, apesar do aceite da SME. Nas escolas atendidas, com 7.490 alunos na faixa etária alvo, 4.868 (65%) foram autorizados pelos responsáveis e vacinados. Apesar da ação, a cobertura final da campanha no município foi de apenas 44,30%, com 10.056 doses de vacina aplicadas. Ainda assim, a vacinação nas escolas representou 48,4% do total de doses aplicadas no município.
A experiência demonstrou a fragilidade do tema vacinação diante da população abrangente, como escolas e responsáveis. Apesar de a estratégia ter potencial eficaz, a baixa adesão das instituições e pais/responsáveis implicou no não êxito nos resultados. Ainda assim, pode-se observar que quase 50% dos vacinados no município foram atendidos na escola, o que reforça que a vacinação no ambiente escolar é um caminho que pode contribuir para o retorno das altas coberturas vacinais. Aliado a isso, é necessário reforçar o protagonismo de todos na continuidade da saúde coletiva, incluindo as escolas, famílias e a comunidade, além dos profissionais de saúde. Apesar dos resultados, entendemos esta experiência como válida, uma vez que representa o recomeço de um caminho a ser percorrido para o sucesso da vacinação em nosso país. A iniciativa reforçou a importância da efetiva integração entre os setores de saúde e educação, além do envolvimento direto das famílias e da comunidade escolar, o que fará a diferença para as campanhas futuras, na prevenção de doenças e na promoção da saúde coletiva.
Vacina, Poliomielite
LILIAN PERES MENDES, ISABELLA FERREIRA RAMON FELIN BORGES