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Os dados sobre a violência no mundo e na América Latina levaram a Organização Mundial de Saúde (OMS) a fomentar debates sobre o tema. No Brasil a violência passa a ser entendida como um problema de saúde e várias ações foram instituídas em todos os níveis de atenção. Assim foram criados os Núcleos de Prevenção de Violência (NPV), reforçando a importância da Notificação de Violência, e garantindo a centralidade da Atenção Básica na organização do cuidado e planejamento das ações de prevenção. No final de 2024 o Fórum Brasileiro de Segurança Pública apresentou dados acerca da violência contra a mulher, ele aponta que cresceram todas as formas de violência contra o gênero feminino. Evidenciou que o parceiro íntimo, ex-parceiro e familiares são os principais agressores, sendo a residência o local onde a maior parte das violências acontece. Acompanhando essa trajetória, as Notificações de violência do território da UBS Chácara Santo Antônio mostram que são as mulheres aquelas mais atingidas pela violência. Assim, com base na Lei nº11.489 de junho/2007 que instituiu o Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo fim da Violência contra as Mulheres foi que iniciamos a campanha. Assim, foram realizadas rodas de conversa nos grupos da UBS para apresentar os dados do infográfico, discutir o tema e informar sobre os mecanismos de proteção hoje existentes, entre eles, o NPV em conformidade com os princípios e diretrizes do SUS quanto a prevenção, promoção e recuperação da saúde.
Geral Apresentar aos usuários da UBS Chácara Santo Antônio, participantes dos grupos ativos, homens e mulheres de diferentes faixas etárias, informações acerca da violência no Brasil, incentivar o debate sobre a violência contra a mulher discutindo estratégias de prevenção e promoção de saúde ampliando o repertório de informações sobre o tema. Específicos •Apresentar a origem da Campanha do Laço Branco no mundo, utilizando a história como ferramenta para reflexão sobre a violência; •Analisar os dados do Infográfico produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública sobre a violência contra a mulher em 2024; •Ampliar o universo informacional dos pacientes acerca das legislações e direitos a que a mulher vítima de violência pode recorrer, entre elas a Lei Maria da Penha; •Tornar claro o trabalho da Atenção Básica na prevenção e no atendimento às pessoas em situação de violência, especialmente o trabalho do NPV.
Durante o mês de dezembro confeccionamos um cartaz com os dados extraídos do Infográfico do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, e pulseiras com os dizeres “Campanha do Laço Branco – Homens pelo Fim da Violência Contra a Mulher” que foram usadas pelos profissionais da Unidade e entregue aos participantes do grupo. Cada participante deveria levar mais uma pulseira após participar da roda de conversa para disseminar o assunto. Foram feitas Rodas de conversa nos grupos já existentes e em sala de espera para apresentar o cartaz e discutir o tema. A equipe responsável foi composta por assistente social e psicólogo da UBS. Foram realizadas 6 rodas de conversa ao longo do mês.
A ação contribuiu para a ampliação do universo informacional dos usuários da UBS Chácara Santo Antônio. Percebemos que para muitos participantes a violência está reduzida a agressão física e/ou sexual. Ao abordar a Lei Maria da Penha pudemos orientá-los sobre as demais formas, como a violência patrimonial e psicológica. Resgatando a história do dia 6 de dezembro de 1989, dia em que Marc Lepine invadiu a sala de aula do curso de engenharia em Montreal no Canadá, e matou a tiros somente as mulheres estudantes do curso, se suicidando em seguida, mas deixando uma carta onde afirmava que era um absurdo mulheres cursarem engenharia, foi possível discutir com os usuários o machismo estrutural que está na base da sociedade ocidental e que é o grande mote para a manutenção da violência de gênero. Foi possível observar que homens e mulheres identificaram situações de violência que vivenciaram ou das quais foram autores, o que é fundamental para o rompimento com o ciclo da violência. Muitas pacientes, ao final das rodas de conversa, procuraram a equipe para relatar situações conhecidas no território, e puderam receber orientação adequada sobre como encaminhar essas mulheres para o atendimento na Unidade Básica de Saúde.
As rodas de conversa possibilitaram espaços de troca e de acolhimento, impactando de forma positiva aqueles que participaram. Ampliou o conhecimento sobre o tema da violência contra a mulher trazendo dados, políticas públicas e legislações que no cotidiano auxiliam as mulheres a romperem com o ciclo da violência. A ação vai de encontro as normativas municipais sobre a atenção a saúde da pessoa em situação de violência em consonância com o eixo da prevenção. Por meio dela disseminamos as ideias de cultura de paz, comunicação não violenta e promoção de saúde. Alinhados com uma perspectiva de educação em saúde que coloca o outro no lugar de sujeito da sua própria história, participe e responsável pela mudança social que levará ao fim de toda forma de exploração e violência de gênero e raça. Um outro aspecto relevante é a constante atualização da equipe multiprofissional na busca por novas ferramentas, técnicas e metodologias de trabalho, o que contribui para o sucesso da proposta.
Violência contra a mulher, promoção de saúde
LUANA EUZÉBIA DA SILVA