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A febre amarela (FA) é uma doença causada por arbovírus, transmitida no ciclo silvestre por mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes. Acomete primatas não humanos (PNH) e humanos, podendo evoluir de forma abrupta e grave, com elevada letalidade nos casos mais severos. Permanece como relevante ameaça à saúde pública devido ao seu alto potencial epidêmico, especialmente em populações não vacinadas. Apesar de ser imunoprevenível e de a vacinação ser recomendada em todo o território nacional, surtos continuam ocorrendo com diferentes magnitudes. A imunização em massa é, comprovadamente, a medida mais eficaz para prevenir casos, óbitos e a reurbanização da doença. Em janeiro de 2025, diante da confirmação da circulação viral em municípios do estado de São Paulo — incluindo regiões próximas a Campinas — e em Minas Gerais, com registro de epizootias em PNH e casos humanos, tornou-se imprescindível agir de forma imediata e estratégica. O cenário exigiu a implementação oportuna de medidas intensificadas de prevenção e controle em Campinas, com vacinação organizada e direcionada, mapeamento criterioso e monitoramento contínuo das áreas prioritárias. Essa abordagem permitiu otimizar recursos, alcançar populações suscetíveis que vivem e/ou circulam nessas regiões e assegurar uma resposta equitativa, eficaz e baseada em risco.
• Identificar, com base em critérios epidemiológicos e ambientais, áreas com maior potencial de dispersão do vírus da febre amarela; • Georreferenciar todos os casos suspeitos e confirmados de epizootias em PNH e casos humanos, qualificando a análise situacional acerca de possíveis populações em áreas de risco e suscetíveis; • Antecipar e fortalecer ações de vigilância e controle de forma oportuna e estratégica; • Direcionar as equipes de saúde para vacinação intensificada nas áreas classificadas como de maior risco; • Redefinir prioridades de vacinação conforme confirmação de epizootias e/ou casos humanos; • Garantir monitoramento em tempo real das ações nos níveis local, distrital e municipal; • Qualificar a comunicação e sensibilização da população nos territórios prioritários; • Ampliar a cobertura e a homogeneidade vacinal por meio de ações direcionadas e equitativas; • Disponibilizar ferramenta on-line dinâmica para monitoramento contínuo e planejamento de futuras intervenções.
Foram definidas como áreas prioritárias para intensificação das ações aquelas situadas em zonas rurais, regiões com características de ocupação rural favoráveis à manutenção do vetor silvestre e áreas periurbanas com interface ambiental sensível. A priorização considerou critérios técnicos e epidemiológicos, como confirmação de casos em humanos ou em PNH, registros suspeitos e histórico de circulação viral, assegurando abordagem baseada em risco e evidências. A Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ) estruturou um painel dinâmico na ferramenta My Maps, viabilizando o compartilhamento, em tempo real, de camadas georreferenciadas com as Vigilâncias em Saúde Regionais (Visas). A plataforma permitiu disseminar, de forma oportuna, informações sobre PNH positivos, em investigação ou negativos, além de casos humanos suspeitos e confirmados de febre amarela, e acompanhar a programação, execução e conclusão das ações nas áreas priorizadas. Os polígonos das áreas estratégicas foram inicialmente destacados em vermelho e classificados conforme o nível de prioridade. Durante a execução das ações, a cor era alterada para amarelo, possibilitando monitoramento ativo do andamento e aderência às prioridades estabelecidas. Após a conclusão, as áreas passavam para verde. Semanalmente, as Visas atualizavam o sistema com dados como estimativa de imóveis, número de vacinados e não vacinados, fortalecendo o controle, a transparência e a gestão orientada por resultados.
O trabalho integrado entre UVZ, Visas e agentes comunitários de saúde possibilitou, com o apoio do My Maps, a identificação visual, dinâmica e compartilhada das áreas com maior risco de dispersão do vírus da febre amarela no município. A georreferenciação dos casos suspeitos e confirmados de epizootias em PNH e de casos humanos qualificou a análise situacional, subsidiando decisões ágeis e baseadas em evidências, com direcionamento oportuno das ações de intensificação e redefinição contínua de prioridades. Por se tratar de ferramenta on-line, acessível a todos os níveis de gestão, garantiu transparência, monitoramento em tempo real e comunicação mais eficiente com a imprensa e a população. Essa integração favoreceu estratégias complementares de mobilização, como envio de mensagens via WhatsApp e uso de carro de som nos territórios prioritários, ampliando alcance e adesão. As ações casa a casa asseguraram equidade ao priorizar populações mais vulneráveis, resultando em mais de 11 mil imóveis visitados e cerca de 8 mil pessoas suscetíveis vacinadas. O monitoramento sistemático permitiu ainda identificar imóveis fechados, ausências e recusas, viabilizando estratégias específicas de busca ativa e garantindo maior cobertura e homogeneidade vacinal.
As ações desenvolvidas demonstram um caráter claramente transformador na gestão municipal ao integrarem vigilância epidemiológica, tecnologia e atenção básica em uma estratégia coordenada, ágil e baseada em evidências. O uso do georreferenciamento em tempo real, aliado à atuação articulada entre UVZ, Visas e agentes comunitários de saúde, rompeu com modelos fragmentados, instituindo uma lógica preventiva, dinâmica e orientada por risco. Essa inovação organizacional qualificou a tomada de decisão, permitiu a redefinição contínua de prioridades e garantiu maior precisão na alocação de recursos públicos. A experiência evidencia também forte abrangência intersetorial, ao conectar diferentes níveis de gestão e fortalecer a comunicação com a população por múltiplos canais, ampliando o alcance das ações e a confiança social. Ao assegurar equidade, transparência e monitoramento contínuo, o município consolidou um modelo replicável e sustentável de enfrentamento à febre amarela, capaz de antecipar cenários, proteger vidas e fortalecer a capacidade institucional do SUS local. Trata-se de uma iniciativa inovadora que reafirma o compromisso com a saúde pública, a eficiência administrativa e a proteção coletiva.
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CHAÚLA VIZELLI, CÍNTIA CHRISTINA BASTOS, DAIANE CRISTINA PEREIRA MORATO, IVIE EMI SAKUMA KAWATOKO, MARCELA DO PRADO COELHO, VLADSON BARBI DE MELLO, CLÁUDIO LUIZ CASTAGNA, HELOÍSA GIRARDI MALAVASI, RODRIGO NOGUEIRA ANGERAMI, WANICE SILVA QUINTEIRO PORT