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O CAPSij de Rio Claro é um serviço que atende crianças e adolescentes de 3 a 18 anos, com sofrimento mental moderado ou agravado. Devido a grande demanda de crianças entre 9 e 12 anos que chegam ao serviço com queixa de alteração do comportamento a equipe técnica criou um grupo no qual fosse possível potencializar a expressão do sujeito, adequando as vivências e comportamentos com os seus semelhantes a partir do contato com a música e toda a gama de sentimentos e emoções que ela transmite. Sendo o CAPSij um equipamento que tem por objetivo estreitar os laços com o território, utilizar a música para esse objetivo foi uma estratégia lúdica para atrair os usuários de forma que eles pudessem contextualizar seus gostos e preferências num espaço de trocas e acolhimento.
Promover um espaço de trocas de vivências e expressões através da música, onde o sujeito possa ter sua voz e preferências acolhidas e estimuladas, além de poder também compreender e entender as outras vozes de seus semelhantes. Desmistificar a figura clínica do médico, de forma que ele possa fazer parte do processo terapêutico com maior proximidade dos usuários, intervindo nas discussões e elaborando estratégias juntamente com a equipe, de tal forma que o médico também seja protagonista na vida do sujeito sem nenhuma rotulação, estereótipos ou que remeta apenas a medicação.
O grupo é realizado às segundas-feiras das 8:30 as 9:30 horas, com a presença do médico generalista, psicóloga e terapeuta ocupacional. Está dividido em duas quinzenas: 9 e 10 anos e 11 e 12 anos que se revezam, devido a alta demanda, em média temos a participação de 15 crianças por quinzena. Num primeiro momento há uma troca de experiências entre os usuários e posteriormente falamos sobre as músicas. Apesar das divergências, todas as expressões são acolhidas e ouvimos os pedidos de cada usuário, primeiramente na caixinha de som. Se for possível, o médico já tenta tocar no violão, a música solicitada. Quase na totalidade as musicas escolhidas são os ritmos de Funk, Rap e Sertanejo, as quais fazem sentido para os usuários e muitas vezes refletem sua cultura e território. A equipe tenta manejar para que todos os desejos sejam ouvidos.
Após alguns encontros o grupo ficou mais a vontade para se expressar e os usuários que antes eram mais “tímidos” começaram a cantar e pedir músicas. A primeira musica que todos chegaram a um concenso foi: Você partiu meu coração, (Nego do Borel). Depois cantamos muito, Meu abrigo (Melim) , Nosso Quadro (Ana Castela). Além de várias outras … Foi possível perceber o estreitamento com território, já que são essas músicas que eles ouvem em casa, na escola, na quadra, etc. Os usuários também estabeleceram uma proximidade maior com o médico e demonstraram interesse pelo violão, além de se vincular mais com as técnicas. A equipe também observou melhora na escuta do outro, o que colaborou para adequação comportamental. O grupo fez sua primeira apresentação ao publico no Evento do Janeiro Branco, promovido pela Saúde Mental da Cidade de Rio Claro no espaço do Lago Azul (um espaço comunitário da cidade).
O grupo Cantando com o Doutor é um espaço de acolhimento, alegria, expressão e trocas. É uma experiência exitosa e potente, pois mostrou que o trabalho em que todos são protagonistas, dá lugar a sentimentos e emoções importantes e que precisam ser vivenciadas. Ainda temos muito que avançar, talvez trazendo mais instrumentos, músicos do território, familiares, enfim,… sempre caminhando para dar vez e voz aos usuários do serviço. “Desejo a você O que há de melhor A minha companhia Pra não se sentir só…” Meu Abrigo(Melim)
Vivências, trocas, grupo, vozes.
Jociellen Fernanda Goia de Souza, Juliene Patricia Antonio, Leonardo Faza Tostes, Renata Campos Pagano