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Os medicamentos são uma das principais ferramentas terapêuticas na assistência à saúde, agindo na prevenção e tratamento de doenças e no alívio de sintomas. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) o uso racional de medicamentos (URM) ocorre sempre que os pacientes utilizam os medicamentos em doses adequadas às suas necessidades individuais, por um período adequado e ao menor custo para si e para a comunidade. O uso inadequado de medicamentos produz impactos negativos à saúde, aumentando morbimortalidade, resultando em riscos à saúde e desperdício de recursos financeiros. A OMS estima que, no mundo todo, pelo menos metade dos pacientes que fazem uso de medicamentos não o faz de maneira adequada, o que acaba sendo um importante problema de saúde pública. Dentro da Estratégia Saúde da Família, o agente comunitário de saúde (ACS) é responsável por realizar ações de promoção de saúde e prevenção de doenças, com foco em atividades educativas em saúde, atuando inclusive em domicílios. Pelo vínculo com a comunidade, este profissional tem grande potencial educador, sendo a realização de oficinas sobre o tema URM para ACS uma oportunidade de capacitar essa categoria profissional acerca de uma questão importante para a promoção de saúde, impactando diretamente na qualidade de vida dos pacientes.
O objetivo foi desenvolver uma capacitação para os ACS da rede municipal de saúde de Ribeirão Preto a respeito do URM, sensibilizando-os sobre a relevância do tema.
A elaboração de capacitações faz parte do planejamento da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto. O tema URM foi escolhido para instruir o ACS a identificar o uso irracional e orientar os pacientes quanto ao uso correto de medicamentos. A oficina foi desenvolvida contando com duas etapas, uma teórica e uma prática. A etapa teórica explorou conceitos referentes ao URM e a etapa prática foi dividida em 4 estações, sendo 2 estações demonstrativas e 2 estações reflexivas com discussões de casos clínicos. Foram elas: Estação 1: Dinâmica demonstrando as diferentes formas farmacêuticas e vias de administração. Estação 2: Dinâmica demonstrando diferenças na apresentação das embalagens de medicamentos, destacando a importância de se conhecer o nome genérico dos mesmos, para evitar duplicidade medicamentosa. Estação 3: Estudo de caso, com reflexão sobre a importância do ACS na abordagem de casos envolvendo comorbidades, polifarmácia, baixa cognição e baixa escolaridade, automedicação e duplicidade medicamentosa. Estação 4: Reflexão sobre a importância do ACS na abordagem de casos que envolvam, dentre outros fatores, determinantes sociais e vulnerabilidade, depressão, etilismo e crenças. Ao final da oficina, foi realizada uma apresentação sobre segurança do paciente e notificação de reações adversas. Foi frisada a importância dos ACS como multiplicadores de conhecimento e disponibilizado um checklist de pontos importantes a serem investigados nas visitas domiciliares.
A oficina foi repetida em quatro momentos e teve participação de 161 ACS de 21 unidades de saúde. A seguinte avaliação foi aplicada aos participantes: O que mais lhe agradou a respeito da capacitação? E o que lhe desagradou? Você concorda que já se sentia preparado(a) para lidar com questões relativas a medicamentos no meu ambiente de trabalho? Você concorda que se sente mais preparado para lidar com questões relativas a medicamentos após esta oficina? Você se sente preparado para compartilhar no seu local de trabalho o conhecimento adquirido após a capacitação? Dos 161 participantes da oficina, 131 preencheram o formulário de opinião. Destes, 71 disseram que nada desagradou, 39 assinalaram incômodo apenas com horários, 80 marcaram parcialidade na concordância, informando que já se sentiam preparados para lidar com medicamentos em seus trabalhos, 113 disseram se sentir mais preparados para lidar com medicamentos no trabalho após a oficina e 128 assinalaram se sentir mais preparados para compartilhar os conhecimentos com as equipes de saúde e com os pacientes após a oficina. Das 21 unidades de saúde contempladas pela oficina, 3 realizaram ação educativa para a comunidade a respeito do URM. Foram realizadas ações em sala de espera com cartazes informativos e também atividades em grupo. Além disso, após a oficina foi elaborado um guia de consulta para ACS (E-book), com informações diversas sobre o URM, voltado para embasar o dia a dia de trabalho.
Tendo em vista o impacto do uso de medicamentos na saúde pública e conhecendo-se a importância do ACS como um elo de ligação entre o serviço de saúde e a comunidade, a elaboração de uma oficina sobre URM para esses profissionais foi capaz de sensibilizá-los a respeito de um tema tão relevante para a promoção da saúde e qualidade de vida. Esse interesse refletiu-se na posterior realização de atividades voltadas para o tema nos serviços de saúde, junto à comunidade.
Medicamento, Agente Comunitário de Saúde
Daniela De Bortoli Sanches, Fernanda Garcia de Oliveira Baruffi, Mariana Bodoni Massocato Machado, Lucia Helena Terenciani Rodrigues Pereira, Jessica Cordeiro Menezes