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A Sociedade Brasileira de Cardiologia – SBC estima que ao final deste ano, quase 400 mil cidadãos brasileiros morrerão por doenças do coração e da circulação. Muitas dessas mortes poderiam ser evitadas ou postergadas com cuidados preventivos e medidas terapêuticas. O alerta, a prevenção e o tratamento adequado dos fatores de risco e das doenças cardiovasculares podem reverter essa grave situação. As doenças cardiovasculares, afecções do coração e da circulação, representam a principal causa de mortes no Brasil. São mais de 1100 mortes por dia, cerca de 46 por hora, 1 morte a cada 1,5 minutos (90 segundos). As doenças cardiovasculares causam o dobro de mortes que aquelas devidas a todos os tipos de câncer juntos, 2,3 vezes mais. Durante o processo de Regionalização, nas Oficinas para levantamento e definição dos principais problemas de saúde no território, a Mortalidade por patologias Cardiovasculares no âmbito do DRS IV foi considerada a de maior relevância visto apresentar indicadores superiores ao do ESP e do País. Ao construir estratégias de intervenção para reverter tal situação, a necessidade de qualificar os profissionais de saúde para o atendimento preventivo na Atenção Básica e a qualificação dos profissionais na assistência seria fundamental para reverter tais números. Uma das ações propostas foi a capacitação dos profissionais na identificação precoce dos sintomas da dor torácica e a implantação do protocolo regional para atendimento a esta patologia.
A SES SP tem investido na melhoria dos indicadores de saúde da região, incluindo a disponibilização de marcapassos provisórios em 100% das UPAs e pronto-socorros, a ampliação dos exames de hemodinâmica, o aumento dos leitos de UTI cardiológica e a implementação do fluxo de porta balão no HGA. Com a finalidade de minimizar o indicador de mortalidade por patologias cardiovasculares uma das estratégias pensadas pelo Grupo de técnicos regionais e municipais da região da BS foi a capacitação dos profissionais que atuam na assistência mediante a aplicação de curso para identificação da dor torácica e a implantação de um protocolo regional para padronizar os atendimentos e com isso tentar reduzir o número de mortes por esta patologia. Para realizar esta atividade foi realizada parceria com médicos que atuam na rede privada, HGA e integrantes da SBC, os treinamentos foram realizados de forma online e presencial para profissionais de todos os pontos de atenção, com foco na U/E.
Todas as estratégias pactuadas no Plano de Ação da Regionalização descritas nas Matrizes 1 e 2 foram construídas pelos gestores, técnicos regionais e municipais e prestadores, sendo avaliadas e aprovadas em reuniões de CIR. Foi realizado contato com os profissionais do Hospital próprio do Estado – Hospital Guilherme Álvaro da CSS, sobre a possibilidade de realizar capacitação da rede sobre a prevenção em patologias cardiovasculares e nos foram apresentados 2 profissionais que se dispuseram a realizar as capacitações tanto web como de forma presencial. Estes profissionais, por serem membros da Comissão de Cardiologia apresentaram o protocolo de atendimento a dor torácica que após discussão entendemos ser viável sua aplicabilidade no território sendo que todos municípios possuem capacidade instalada para implantá-lo, faltando apenas difundir e capacitar os profissionais para operacionalizá-lo. Frente a isso, foram realizadas agendas, sendo estas pactuadas nas CIR para que os gestores pudessem liberar os profissionais para participarem das capacitações. Os treinamentos foram realizados de forma online e presencial para profissionais de todos os pontos de atenção, com foco na urgência e emergência da região e tem em sua agenda o compromisso de continuidade essas qualificações de formas sistemáticas.
Desde que iniciamos o processo de qualificação já foram realizadas 6 grandes reuniões, sendo 05 webs e 01 presencial, com participação de 100% dos municípios da região, com participantes entre técnicos de enfermagem, enfermeiros, administrativos e médicos totalizando, até o momento, 158 profissionais capacitados, com condições de reproduzir o conteúdo em seus locais de trabalho, difundindo o protocolo. A reversão no indicador de mortalidade por doenças cardiovasculares ainda não tem como ser averiguada e nem percebida, mas podemos avaliar o impacto nos profissionais capacitados. Hoje conseguimos que os 100% dos municípios implantassem o trombolítico como rotina nos seus serviços, o que antes não ocorria, muitas vezes porque não era instituído a disponibilização deste medicamento na rede, mas também pela resistência médica em utilizá-lo talvez por insegurança e falta de habilidade. Ressaltamos também, que toda a região possui acesso a angioplastia primária, além de marcapasso provisório em todos as unidades de Urgência e Emergência, com acesso ao marcapasso definitivo por meio de protocolo pactuado em CIR. Agora com o protocolo implantado, os 100% dos municípios têm o protocolo de atendimento à dor torácica instituído.
O que se aguarda com este movimento não é somente a redução do indicador de mortalidade, mas também que os profissionais se sintam capacitados para realizar diagnóstico, indicação medicamentosa, a administração da medicação e qualificar os encaminhamentos. Os próximos passos é instituir a educação permanente nos espaços de atendimento de forma que o protocolo instituído não se perca e vire mais um papel esquecido dentro de uma gaveta. Não queremos que seja algo burocrático, mas uma mudança da prática pois só assim teremos resultados promissores e contínuos.
Qualificação; Mortalidade Cardiovascular;
SONIA REGINA SOUZA SILVA, EGLE COUQUIM, LILIAM COUTO, PATRICIA AMORIN TEIXEIRA, EVERTON RIBEIRO