Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A equipe do Consultório na Rua (CR) faz parte da Atenção Primária à Saúde e é específica para a população em situação de rua (PSR), com o objetivo de ampliar o acesso à saúde a este grupo populacional. A utilização de álcool e outras drogas é muito frequente no contexto dessa população, porém o acesso e seguimento em serviço especializado, como CAPS AD foi percebido, no cotidiano de trabalho da equipe no município de Ribeirão Preto, algo difícil. Identificou-se alguns fatores que poderiam contribuir para dificuldade de adesão, como horários específicos para acolhimento do serviço, receio dos usuários em procurar um serviço novo, sem ninguém de referência, desconhecimento de atividades desenvolvidas no CAPS, dentre outras. “(…) Diante da complexidade das demandas que apresentam (…), a PSR emerge no cenário nacional como um potente analisador quanto à urgência de se operar por ações colaborativas, interprofissionais e em rede entre as políticas públicas. Sabemos do histórico de ações hegemonicamente fragmentadas e setorializadas das políticas em geral”, essa é uma realidade nacional e o desafio está posto no cotidiano de muitas equipes de saúde (MACEDO, J.P.; SOUSA, A.P.; CARVALHO, 2020). Diante disso, a equipe do Consultório na Rua começou a se aproximar da equipe do CAPS AD a fim de minimizar esses entraves e pensar alternativas que facilitassem a inserção das pessoas em situação de rua nas atividades do equipamento de saúde mental.
Relatar a experiência de construção coletiva entre CAPS AD e Consultório na Rua no trabalho de reconhecimento do território e realização de atendimentos.
A experiência de aproximação entre as equipes se iniciou a partir de casos que estavam sendo atendidos pelos serviços, mas sem diálogo ou compartilhamento de projetos terapêuticos. As principais estratégias utilizadas para facilitar a comunicação entre os serviços e favorecer a adesão do paciente foram a criação de um formulário compartilhado para acolhimento e visitas conjuntas ao território. O instrumento para o acolhimento do usuário foi uma adaptação do formulário que já era utilizado no CAPS AD. O fluxo é o usuário em atendimento pelo Consultório na Rua, uma vez identificado como alguém que deseja iniciar seguimento no CAPS AD, tem um formulário preenchido e enviado por email para a equipe do CAPS ou ainda discutido com algum profissional, e a devolutiva era com a sugestão de grupos e outras atividades que o paciente pudesse ser inserido. A finalidade era evitar que o paciente contasse novamente sua demanda, que em geral trazia a história de vida e aspectos dolorosos, além de ser resolutivo (fator importante considerando que essa população costuma ser mais imediatista que as outras). As visitas conjuntas ao território acontecem uma vez por mês, com representantes das duas equipes. Como os dois serviços atendem todo o território do município, há uma alternância em locais onde concentra a população em situação de rua e/ou de cenas de uso dos 5 distritos da cidade.
Com diálogo mais frequentes e atividades compartilhadas, as equipes puderam se conhecer melhor, entender quais as atividades ofertadas e o trabalho desenvolvido por ambas. Foi possível sentir que há um fortalecimento do trabalho com o apoio mútuO. Também foi possível observar que as equipes tinham versões diferentes do mesmo paciente, por ex. os profissionais do CAPS AD conhecia numa fase mais organizada da vida e da rotina, com retorno à família, e o CR num momento de recaídas, num uso mais intenso de drogas e em situação de rua propriamente dita. Os profissionais do CAPS AD relataram que puderam conhecer melhor os locais de uso, a dinâmica envolvida em cada território e como isso influenciava na compreensão integral do paciente, a partir do relato de onde ele tem ficado na rua, por exemplo. A experiência, em muitos momentos, foi uma oportunidade de educação permanente e matriciamento in loco, na medida em que aconteciam atendimentos conjuntos, com a troca de saberes. Na rua, as orientações transitavam entre saúde em geral, como as demandas eram identificadas e encaminhadas bem como questões mais específicas, como redução de danos e formas de abordagem adequadas para conhecer melhor a pessoa e sua relação com o uso de substâncias psicoativas, de forma que ambos podiam colaborar. Para os usuários, identificamos que um primeiro contato com o profissional do CAPS na rua, estimulava o desejo da pessoa em fazer seguimento para depois estabelecer mais vínculo na instituição.
Essa relação viabilizou identificar e minimizar as lacunas encontradas na rede pública de saúde do Município de Ribeirão Preto, considerando o paciente em sua integralidade. Ainda pode ser melhorada e fortalecida com envolvimento de mais profissionais e um desejo de compreender as particularidades da pessoa em situação de rua. A aproximação entre os serviços coloca em prática um objetivo da rede pública de saúde que é de se iniciar o olhar ampliado e cuidado da saúde mental junto à atenção primária.
Pessoas em situação de rua, saúde mental
Ana Elídia Torres, Tatiana Maria Coelho Veloso, Valdir Leite Machado Júnior, MONICA DUTRA DA COSTA, GABRIEL DE SOUSA MEIRA, Márcia da Silva Paulino, Daise Alves de Paula, Juliana Cristina Dias, Deborah Maria Bordinhão Paulino, Maria Menezes Ferreira