Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
Quanto aos efeitos e consequências das drogas, há evidências de que os danos atingem em maior proporção o público feminino com efeito fisico e psicologico mais danoso e prejudicial na transição da mulher-mãe . Ao refletir sobre o trabalho do Caps AD para evitar acolhimento dos filhos de suas mães pelo Estado enquanto realizam o tratamento para dependência química e desconstruir um vínculo ja prejudicado pelo uso nocivo e abusivo da substância. Esse relato da experiência no acolhimento conjunto realizado no Caps AD, usuária de 26 anos, mãe de um bebê 40 dias, desempregada, ensino fundamental incompleto, usuária de maconha e K2 há 2 anos, em uso durante a gestação, vive com companheiro usuário de maconha, residentes em casa cedida pela sogra no mesmo quintal, que acionou o Conselho Tutelar devido uso de K2, estando em vulnerabilidade podendo expor o recém-nascido a riscos. Após discussão do caso em reunião de Matriciamento na UBS é realizada visita domiciliar, apresentando o Caps AD e sobre a vulnerabilidade e riscos que estava exposta juntamente com seu bebê, o que foi recusado. Em reunião de equipe multidisciplinar no Caps AD, avaliamos que o acolhimento integral da jovem e seu bebê seria adequado pelas questões de vulnerabilidade e riscos, por frequentar cena de uso levando seu bebê recém-nascido. Acionada a rede de saúde municipal para discutir as questões legais do acolhimento conjunto no Caps AD III que seria adaptado para oferecer o acolhimento integral com segurança.
Esse relato tem como objetivo demonstrar o trabalho multiprofissional e interinstitucional sendo o Caps AD III o articulador com a rede de saúde possibilitando sensibilizar e promover o acolhimento integral conjunto de mãe-bebê a fim de retirá-los da situação de risco e vulnerabilidade em que se encontravam, conscientizando a usuária do sobre o uso prejudicial da substância. Como objetivo secundário, a atuação dos profissionais de enfermagem ao se capacitarem para o atendimento conjunto não comum nos Caps AD III, adequando o espaço e as rotinas do serviço para prestar assistência livre de danos.
Relato de experiência do trabalho da equipe multidisciplinar Caps AD III em conjunto com Atenção Hospitalar, Caps Adulto, Conselho Tutelar ofertando atendimento de saúde mental e acolhimento integral de jovem usuária de K2, que após o nascimento do filho, manteve o uso abusivo da substância, frequentando locais de uso com o seu bebê recém-nascido. Em Matriciamento o Caps AD teve conhecimento da situação da mesma, iniciando as buscas ativas no território e visitas domiciliares pela profissional de referência para estabelecer vínculo e sensibilizá-la sobre a situação de risco em que estava exposta juntamente com seu filho recém-nascido, planejamento e organização das ações a serem realizadas durante os oitos dias de acolhimento integral, preparando a equipe para intervenções emergenciais com A.F.S. ou o RN. O atendimento médico clínico e psiquiátrico foi focado na possibilidade de síndrome de abstinência no RN, A. F.S não relatava ou apresentava sintomas de fissura, evitando a medicação para que pudesse amamentar. O Hospital Municipal manteve-se de sobreaviso garantindo apoio emergencial caso mãe ou RN apresentassem quadros de abstinência ou outros agravos clínicos
Durante o acolhimento integral (4 a 12 de dezembro/2023), foi desmistificada a ideia A.F,S. tinha do serviço como um local para “loucos”, incentivado a reflexão sobre suas escolhas que passariam a afetar o desenvolvimento do seu filho, não tendo a abstinência como objetivo nesse momento, mas a redução de danos, para não se expor e consequentemente o bebê aos riscos ao levá-lo a cena de uso. Por ser o primeiro filho, não tinha conhecimento dos cuidados necessários com um recém-nascido, no início encontrava-se apática, irritada com a dificuldade na amamentação, sentia falta do companheiro, mas não relatava o desejo pelo K2. Por ser pequeno o espaço externo da unidade, o técnico de enfermagem efetuava passeios diários pela manhã e à tarde aproveitando esses momentos para escuta ativa, incentivando a expor seus projetos de vida e sua relação com a substância. Nos atendimentos em psicoterapia individual com a psicóloga de referência ficou evidenciado que manter o bebê com A.F.S. fortaleceu o vínculo, percebemos isso na demonstração de afeto e na apropriação da responsabilidade materna demostrando medo na possibilidade de perder a guarda do filho.
No Caps AD foram discutidos os aspectos legais da permanência do RN com a mãe durante o acolhimento integral, recebemos a visita dos conselheiros tutelares que comprovaram a conformidade a Portaria nº 130, de 26 de janeiro de 2012; “Art. 3º O CAPS AD III poderá atender adultos ou crianças e adolescentes, conjunta ou separadamente. Nos casos em que se destinar a atender crianças e adolescentes, exclusivamente ou não, o CAPS AD III deverá se adequar ao que prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente. presente relato expões a importância do trabalho do Caps como articulador da rede para construção de ações conjuntas para obter opções de atendimento a usuária de substâncias psicoativas dentro da sua singularidade e necessidades, onde cada serviço acionado (Conselho Tutelar, UBS, Secretaria da Saúde, Rede hospitalar) contribuiu para proporcionar atendimento dentro das limitações atuais de espaço e profissionais, organizando ações em equipe multidisciplinar para vencer os desafios e as dificuldades do primeiro acolhimento integral no serviço de uma jovem em uso abusivo de K2 com seu filho recém-nascido a fim de preservar o vínculo afetivo.
Acolhimento integral conjunto mãe-bebê
Andreia Jardim de Camargo, Vivian Weinz