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O uso problemático de substâncias psicoativas (SPA) representa importante desafio para a saúde pública, com impactos significativos nos aspectos físicos, psíquicos e sociais dos usuários. No município de Santana de Parnaíba, o CAPS AD Travessia atende pessoas em sofrimento relacionado ao uso de álcool e outras drogas, demandando estratégias contínuas de cuidado, vínculo e promoção do autocuidado. Diante dessa realidade, em janeiro de 2025 foi implantado um grupo terapêutico estruturado como espaço de reflexão, educação em saúde e apoio ao processo de tratamento. A proposta surgiu da necessidade de oferecer um dispositivo clínico coletivo que favorecesse a compreensão sobre dependência química, riscos associados ao uso de SPA e seus impactos biopsicossociais, fortalecendo a autonomia dos usuários. A experiência ocorre no CAPS AD Travessia, toda terça-feira por uma hora, com participação de usuários que já passaram pelo Grupo de Chegada, beneficiando diretamente pessoas em acompanhamento no serviço e, indiretamente, seus familiares e a rede de apoio, contribuindo para a integralidade do cuidado em saúde mental no SUS municipal.
Favorecer processos de reflexão crítica sobre o uso de substâncias psicoativas e seus impactos na saúde. ● Promover educação em saúde relacionada aos riscos do abuso de álcool e outras drogas. ● Estimular o autocuidado e a corresponsabilização do usuário em seu projeto terapêutico. ● Ampliar o conhecimento sobre diferentes substâncias e seus efeitos biopsicossociais. ● Fortalecer o vínculo com o serviço e apoiar a continuidade do tratamento em saúde mental.
Trata-se de um grupo terapêutico fechado, realizado semanalmente, com duração de 60 minutos, destinado a usuários do CAPS AD Travessia que já receberam orientações iniciais no Grupo de Chegada e apresentam condições clínicas e psíquicas para participação. O grupo ocorre em dois horários (terça- feira às 10h30 e quarta-feira às 14h), visando facilitar o acesso conforme a rotina dos usuários, com capacidade de até 15 participantes por encontro. A proposta contempla inicialmente 10 encontros estruturados, com temáticas relacionadas à dependência química, álcool, tabaco, maconha, crack e cocaína, drogas sintéticas, solventes, opiáceos e benzodiazepínicos. As atividades utilizam recursos audiovisuais, materiais gráficos e rodas de conversa, abordando conteúdos sobre funcionamento das substâncias no organismo, redução de danos, promoção da saúde e práticas de autocuidado. A inserção ocorre mediante avaliação da equipe, respeitando regras de convivência em grupo. A alta é construída conjuntamente entre usuário e profissional coordenador, considerando o processo de autorreflexão e evolução terapêutica, com posterior encaminhamento para grupos de prevenção à recaída e outras atividades do serviço.
Desde sua implantação, o grupo tem se consolidado como importante dispositivo de cuidado coletivo no CAPS AD Travessia. Observa-se maior engajamento dos usuários no tratamento, ampliação do conhecimento sobre substâncias psicoativas e fortalecimento da capacidade de reflexão sobre comportamentos de risco. Os participantes relatam melhor compreensão dos impactos do uso de SPA em suas vidas, maior motivação para o autocuidado e maior adesão às propostas terapêuticas do serviço. O grupo também favorece a troca de experiências entre os usuários, fortalecendo vínculos, apoio mútuo e sentimento de pertencimento. A equipe identifica redução de abandonos, maior participação em outras atividades do CAPS e maior clareza dos usuários sobre seu processo de tratamento, contribuindo para a continuidade do cuidado e prevenção de recaídas. Alguns pacientes conseguiram completar os 10 encontros propostos e foram encaminhados ao Grupo de Prevenção à Recaída, mantendo melhoria no autocuidado e alguns conseguindo manter-se abstinentes do uso de substâncias psicoativas.
O grupo terapêutico mostrou-se uma estratégia potente no cuidado em saúde mental voltado a pessoas em uso problemático de álcool e outras drogas. Ao articular informação, escuta qualificada e reflexão coletiva, a experiência contribui para o fortalecimento da autonomia dos usuários e para a construção de projetos terapêuticos mais conscientes. A iniciativa reafirma a importância dos dispositivos grupais no CAPS como espaços de produção de cuidado, vínculo e responsabilização compartilhada, ampliando as possibilidades de enfrentamento do sofrimento relacionado ao uso de SPA. Como perspectiva futura, pretende-se manter e qualificar o grupo, fortalecendo sua integração com outras ações do serviço e ampliando estratégias de prevenção à recaída e reinserção social, consolidando práticas alinhadas aos princípios do SUS e da atenção psicossocial.
Saúde Mental;CAPS;Grupo;SPA;Autonomia;autocuidado
CRISTIANE PINHEIRO LIMA DE BRITO, ALINE BATISTA DA SILVA, VANESSA MARIA DA SILVA RODRIGUES, ENEIDA COSTA RAMALHO, MARIA SILVIA DE ALMEIDA MELLO FREIRE