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No que tange às estratégias governamentais contra o uso abusivo de álcool e substâncias, no ano de 2003 o Ministério da Saúde buscou modificar o olhar voltado a este infortúnio. Anteriormente os métodos utilizados eram baseados no proibicionismo, onde o indivíduo tinha a abstinência completa como critério intrínseco ao tratamento (Alves, 2009). Em contrapartida, a nova técnica denominada de redução de danos (RD) foi proposta em consonância com os princípios do SUS. Neste sentido, a redução de danos pode ser compreendida como uma estratégia de cuidado, onde a liberdade individual do sujeito é garantida, descentralizando o foco na abstinência e salientando o direito integral à saúde (Machado e Boarini,2013). Segundo Fernandes et al (2017) há evidências de que o uso abusivo de álcool e múltiplas drogas podem agravar ou desencadear transtornos mentais, podendo gerar complicações no âmbito familiar e/ou social. É crescente o número de usuários com transtornos mentais que fazem uso de substâncias, e internações devido este fator. Em razão disto, a partir da reunião de matriciamento entre o CAPS AD III e CAPS III Praça Chile, comprova-se a importância dos cuidados complementares a esta população. Para lidar com o exposto, pensou-se na Redução de Danos como estratégia para minimizar as consequências do uso de álcool e outras drogas, considerando que humanidade. Sendo assim, o sentido de uma sociedade ideal livre de drogas se perde (Alves, 2009).
Implementação de um grupo de redução de danos no CAPS III Praça Chile, visando minimizar os danos do consumo de substâncias, além de promover ambiente acolhedor, trocas de experiências, conscientização sobre a prevenção de doenças, inclusão social, redução do estigma e reflexão. O grupo poderá oferecer outras subjetivações e territórios existenciais capazes de ressignificar vivências.
O grupo constitui-se em uma tecnologia leve de cuidado que contempla a especificidade do usuário de álcool e/ou outras drogas, a partir de uma prática participativa, compartilhada e dialogada com os sujeitos do cuidado. Nesta perspectiva, o grupo acontece quinzenalmente às segundas-feiras dentro do equipamento CAPS III Praça Chile, às 14h, com duração de 1h30, com apoio de quatro técnicos (dois de cada unidade de saúde). O grupo é composto por usuários do serviço que estejam fazendo uso prejudicial de álcool ou outras drogas como uma demanda secundária, desejam tratamento regular e esteja pactuado em seu Projeto Terapêutico Singular. O espaço terapêutico promove dinâmicas e discussões em grupo, incentivando reflexões acerca do uso de substâncias, prejuízos à saúde, estratégias para minimizar os danos, incentivo ao autocuidado e autonomia, norteados pelos princípios do acolhimento, não julgamento e sigilo.
A partir do grupo notou-se a importância dessas estratégias para os pacientes com transtornos mentais ou outros acometimentos psíquicos, visto que foi possível observar redução do uso e até mesmo abstinência em alguns casos, reinserção social, comprometimento apesar de recaídas, criação e fortalecimento dos vínculos dos pacientes para com os técnicos e com outros participantes do grupo, reconhecimento do espaço como ambiente seguro e acolhedor. Além disso, houve altas no grupo pelas referências técnicas, trazendo indicativos de que o uso de substâncias não impactava mais de uma forma significativa na vida do sujeito. Ademais, além de propiciar resultados benéficos para os pacientes, promoveu melhores condições para o gerenciamento dos serviços, assim como fortalecimento dos vínculos entre as equipes dos equipamentos, uma comunicação mais efetiva e troca de saberes. Por fim, notou-se um aperfeiçoamento dos encaminhamentos e avaliações mais assertivas, promovendo cuidado integral ao sujeito.
A Reforma Psiquiátrica proporcionou a criação de práticas inovadoras e uma nova perspectiva terapêutica para indivíduos em situação de vulnerabilidade psíquica e/ou usuários de álcool e outras drogas. A implementação de ações de Redução de Danos (RD) na Atenção Psicossocial representa um avanço significativo na superação do modelo hospitalocêntrico e proibicionista, caracterizado por abordagens disciplinares, medicalizadoras e focadas exclusivamente na abstinência. Essa mudança paradigmática promove uma abordagem mais humanizada, com olhar à integralidade, universalidade e equidade. Nesse sentido, a partir do grupo evidencia-se a eficácia da estratégia de RD, respeitando a liberdade de escolha do sujeito, promovendo a conscientização sobre os direitos e deveres dos usuários, facilitando o acesso ao serviço de saúde, apoio psicológico, inclusão social, desestigmatização da pessoa que faz uso de substâncias e a importância da territorialização como elemento organizativo.
Redução de Danos, Saúde Pública, Abstinência
EDUARDA MIRELLY GOMES, FABIANA SOARES FERNANDES, LILIANE MICHILINI CRESCÊNCIO QUEIROZ, MARIA EDUARDA DE CALDAS SAMUEL, PATRICIA BATISTA ALVES TEIXEIRA, BRUNA BADOLATO