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A experiência realizada entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026 no CAPS de Pereira Barreto estruturou-se em um planejamento anual que integrou cuidado em saúde mental, produção artística e articulação intersetorial. O processo culminou no evento Janeiro Branco – CAPS Fashion Day, compreendendo que o cuidado e a expressão pública de cidadania são indissociáveis no enfrentamento ao estigma do sofrimento psíquico. Originalmente focado na exposição de oficinas de arteterapia, o projeto foi reorientado pelo protagonismo dos usuários, que manifestaram o desejo de atuar como modelos. Essa demanda transformou a oficina em um processo contínuo de criação e preparação terapêutica. Inspirada na premissa de que a vida acontece fora das instituições, a experiência buscou aproximar o serviço da comunidade. Embora limitações logísticas tenham transferido o local da praça central para o próprio CAPS, o sentido político e simbólico da ocupação territorial foi preservado. O evento contou com ampla articulação em rede, envolvendo o Legislativo, as Secretarias de Saúde e Assistência Social e a Atenção Básica. Durante a ação, foram ofertados serviços de aferição de pressão, glicemia e testes rápidos, além de atividades culturais e doação de vestuário proveniente do varal solidário. A oficina de audiovisual do CAPS realizou a cobertura técnica e a produção de materiais de promoção à saúde. A prática dialoga com a legislação municipal e projeta continuidade ao integrar o calendário oficial de eve
Objetivo Geral: Desenvolver e consolidar um processo anual de cuidado em saúde mental que articule produção artística, protagonismo dos atendidos, intersetorialidade e ocupação de espaços coletivos, culminando no evento Janeiro Branco – CAPS Fashion Day como estratégia de promoção da saúde, enfrentamento do estigma e afirmação da cidadania no território. Objetivos Específicos: 1. Fortalecer o protagonismo e a autonomia dos atendidos do CAPS, reconhecendo seus desejos, capacidades e projetos de vida como elementos centrais do cuidado em saúde mental. 2. Utilizar a arte, o artesanato, a moda e a comunicação audiovisual como dispositivos terapêuticos, culturais e políticos de expressão, inclusão social e visibilidade da saúde mental. 3. Promover a articulação intersetorial entre CAPS, Atenção Básica, Assistência Social, CRAS, gestão municipal, poder legislativo e comunidade, ampliando o acesso a ações de promoção da saúde e cidadania.
A experiência foi desenvolvida ao longo de um processo anual, iniciado em janeiro de 2025, no CAPS de Pereira Barreto, tendo como eixo estruturante a oficina de arteterapia e artesanato. A partir de encontros regulares, os atendidos participaram da produção de peças artesanais, da organização do varal solidário e da construção coletiva do projeto que culminaria no evento Janeiro Branco – CAPS Fashion Day. A metodologia adotada teve como base a escuta qualificada e a investigação temática, permitindo que os desejos, interesses e projetos dos atendidos orientassem o percurso das atividades. No ano de 2025, o desfile foi realizado com roupas doadas, sem customização prévia, envolvendo atendidos, familiares e funcionários do CAPS, reafirmando o caráter coletivo e inclusivo da proposta. A experiência contou com a participação da equipe multiprofissional do CAPS, familiares, artistas locais e ampla articulação intersetorial, envolvendo Secretaria Municipal de Saúde, Secretaria Municipal de Assistência Social, Atenção Básica, CRAS Itinerante e vereadores. Durante o evento, foram ofertados serviços de promoção da saúde, ações culturais, alimentação e doação de roupas. A oficina de audiovisual do CAPS foi responsável pela cobertura do evento e pela produção de conteúdos de comunicação em saúde mental, incluindo o videoclipe do Hino do CAPS, fortalecendo a visibilidade da experiência e o diálogo com a comunidade.
Os resultados da experiência evidenciam impactos qualitativos, institucionais e processuais relevantes. Destacam-se o fortalecimento da autoestima, do protagonismo e da autonomia dos atendidos, expressos na participação ativa no desfile, na exposição pública de suas produções e na vivência de espaços de reconhecimento social. O CAPS Fashion Day possibilitou a ampliação dos vínculos entre atendidos, familiares, profissionais e comunidade, contribuindo para a redução do estigma associado ao sofrimento psíquico e para a aproximação da população com o serviço de saúde mental. A experiência produziu ainda resultados institucionais, como a consolidação do evento no calendário municipal do Janeiro Branco, o fortalecimento da imagem do CAPS como espaço de cuidado, cultura e cidadania e a ampliação da divulgação das ações por meio da produção audiovisual, incluindo o videoclipe do Hino do CAPS.
Ao longo do desenvolvimento da experiência, tornou-se evidente que seus principais resultados extrapolam indicadores quantitativos ou a realização de um evento específico. O sorriso, o brilho no olhar, a superação de medos e a felicidade vivenciada pelos atendidos configuraram-se como expressões potentes da produção de vida. A experiência reafirma que o cuidado em saúde mental se constrói na cidade, nas relações e na participação social. Conforme Paulo Amarante, a Reforma Psiquiátrica propõe a invenção de novas possibilidades de vida, de vínculos e de cidadania, para além da substituição de serviços (AMARANTE, 2007). Para o ciclo 2026–2027, prevê-se a ampliação do desfile para a participação de toda a comunidade e a consolidação da oficina de customização de roupas, fortalecendo a lógica da inclusão, da não segregação e da sustentabilidade.
saúde mental, janeiro branco
DIOGO DE SOUSA MENEZES, LUCIO PERCIO MARIANO DA SILVA, VANESSA APARECIDA DA SILVA ROSA