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O CAPS se constitui como dispositivo estratégico da RAPS, oferecendo cuidados intensivos a pessoas com grave sofrimento psíquico e transtornos mentais, em situação de crise. Desenvolve intervenções terapêuticas por meio de equipe multiprofissional com vistas à reabilitação psicossocial, e nesse sentido busca promover o acesso dos usuários aos seus direitos, assistência social, trabalho, cultura, lazer, entre outros. Com o advento da Reforma Psiquiátrica houve a proposição de um novo modelo de cuidado em saúde mental e o fechamento gradual dos hospitais psiquiátricos. Contudo, a lógica manicomial se perpetua estando arraigada na sociedade nos modos de pensar, agir e se relacionar, dificultando a plena inserção social das pessoas com transtornos mentais. Ao contrário do que muita gente ainda pensa, o CAPS não é um manicômio disfarçado, mas um serviço de passagem (transitório) que serve de ponte (singularizada), entre a enfermidade e a saúde mental, cuja finalidade é favorecer a reabilitação, possibilitando que os usuários ampliem a autonomia e independência, além de fortalecerem seus laços familiares e comunitários. A intersetorialidade e os dispositivos da rede são fundamentais para a reabilitação psicossocial, de modo que o “CAPS no Parque” se iniciou em março/2024 enquanto a principal proposta de ação extra muro do CAPS Adulto Estação de Barueri no referido ano, desenvolvida em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente, responsável pelo Parque Municipal.
Promover o cuidado em liberdade pela inserção social dos usuários de forma humanizada, pautado nas diretrizes da Reforma Psiquiátrica; Fomentar o protagonismo e fortalecer a contratualidade por parte dos envolvidos na ação, a partir da construção conjunta das programações (“o que”), implementação das vivências flexibilizadas pela ampliação do ambiente onde elas ocorrem (“como”) e avaliação (“o que” e “como podem melhorar”); Promover mudanças no imaginário social quanto aos serviços prestados pelo CAPS, as pessoas em sofrimento psíquico e com transtornos mentais que muitas vezes vivenciam estigma e exclusão; Expandir as atividades externas organizadas pelo CAPS e as parcerias intersetoriais em nível municipal; Promover a reabilitação psicossocial dos usuários atendidos pelo acesso aos recursos municipais disponíveis na rede.
Foram realizadas ações mensais no Parque Municipal de Barueri Dom José de março a dezembro de 2024, intercalando os períodos manhã, tarde e horário intermediário para viabilizar o acesso a todos e o compartilhamento da ação pelos profissionais de ambos os períodos (manhã e tarde). Houve incentivo e apoio para os usuários e familiares acessarem o Parque, considerando as singularidades e incluindo o acompanhamento por profissionais no transporte público para aqueles que apresentavam maior dificuldade ou necessidade de uso do cartão de transporte do serviço. Desenvolveu-se atividades esportivas (caminhada, pilates, expressão corporal), de música, rodas de conversa, dinâmicas de integração e dramatização, além de pausas para alimentação compartilhada. Consistiram em momentos de descontração, alegria e entusiasmo. As atividades planejadas previamente foram conduzidas por profissionais da equipe médica e técnica do CAPS bem como pelos educadores físicos da Secretaria Municipal de Esportes envolvidos no Programa VidAtiva dos CAPS. Mantiveram-se abertas para participação dos usuários, familiares e demais interessados presentes no ambiente. Foram discutidas e avaliadas mensalmente nas reuniões de equipe e assembleias com usuários e familiares. Ainda foram promovidas ações específicas durante o “CAPS no Parque” na Semana da Luta Antimanicomial e no Setembro Amarelo – Campanha de Prevenção ao Suicídio e Valorização da Vida em parceria com o CAPS AD, CAPS IJ e Consultório na Rua.
Maior conexão e entrosamento entre os participantes, expressão da criatividade e desenvolvimento da comunicação interpessoal; Participação de pessoas presentes no Parque nas atividades bem como interesse em conhecer o trabalho desenvolvido pelo CAPS; Adesão, engajamento e compartilhamento de emoções positivas entre os participantes da ação; Maior expressividade de alguns usuários, comparado ao observado em outros formatos de intervenções terapêuticas; Apropriação dos usuários e familiares quanto aos recursos disponíveis no território que muitos desconheciam ou nunca tinham acessado; Ampliação da autonomia e fortalecimento do protagonismo dos usuários e familiares; Participação dos familiares na atividade, aproximando e fortalecendo as relações familiares e o engajamento com o tratamento; Inclusão social e fortalecimento dos vínculos comunitários; Construção de parcerias intersetoriais, viabilizando a divulgação e comercialização de produtos produzidos pelos usuários nos grupos “Talentos”, “Semeando Saúde” (horta) e Mandala; Ampliação do cuidado em saúde mental.
Desde a sua origem, o CAPS Estação vem promovendo atividades externas culturais e de lazer, ações educativas e terapêuticas em serviços da rede e mesmo em parques junto com os usuários e familiares. Contudo, a proposta da ação sistemática “CAPS no Parque” se tratou de iniciativa inovadora que impactou positivamente não apenas nos usuários do serviço, mas também a equipe multiprofissional, pois possibilitou troca de conhecimentos, demonstração de habilidades e emprego de atitudes que, somente no trabalho intramuros, não poderiam ser externalizadas. É preciso ultrapassar os muros do CAPS junto com os usuários e familiares a fim de se efetivar a reabilitação psicossocial, o cuidado em liberdade e em ambiente comunitário, o fortalecimento do protagonismo e da autonomia, rompendo com as barreiras físicas e mentais que dificultam e/ou impedem os acessos aos recursos disponíveis no território. A ação se mostrou eficiente como estratégia de superação de retrocessos e rompimento com a lógica manicomial que se estabeleceu (e ainda se perpetua) na sociedade, excluindo as pessoas em sofrimento psíquico, mantendo-as institucionalizadas em locais impróprios, sem o cuidado necessário e o reconhecimento das mesmas enquanto cidadãs.
Reabilitação, saúde mental, intersetorialidade
VIVIANE SIQUEIRA DA SILVA, ADRIANA MARINI ROLO, ANA PAULA LIMA DE MELO, ANA PAULA QUARESMA, ARETUSA GORI FRANCISCO, BEATRIZ ALVES DOS SANTOS, BRUNO PERINI, CARLA REGINA FEITOSA GROSSE DE ANDRADE, ELAINE CRISTINA DE SOUZA, ELAINE CRISTINA FARBO DE ALMEIDA, ELISANGELA CAVALCANTI DE SOUZA, FERNANDA OLIVEIRA LIMA, FERNANDA PACAGNAM PERINI, FERNANDO SIQUEIRA KEL, LUCIANO PRATA, MARIA DE FÁTIMA ANDRADE VILAVERDE, MARIO DE FELICIS SOBRINHO, ROBERTA MOTA LOPES, RODRIGO PEREIRA MONTEIRO, RONIVALDO FLORIANO SILVA, SUELLEN ARAUJO COSTA, SUZANA ZIL DA SILVA, VANUSA SOARES DOS SANTOS