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O CapsCast do Gato Preto nasceu da necessidade de ampliar a visibilidade das experiências de usuários e trabalhadores de um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), promovendo diálogos sobre saúde mental, direitos e cidadania. O podcast se propõe a quebrar estigmas e construir narrativas que valorizem a subjetividade dos participantes, indo além dos diagnósticos e abordando temas como preconceitos, economia solidária, transtornos mentais, substâncias psicoativas, redução de danos, racismo e outros preconceitos, interseccionalidade, transfobia, inclusão social e políticas públicas. O projeto se justifica pela urgência de espaços democráticos de comunicação dentro da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), onde as vozes de pessoas em sofrimento psíquico possam ser ouvidas de forma ativa e respeitosa. Inspirado na lógica da economia solidária e da inclusão social, o podcast também se conecta a iniciativas de geração de renda e fortalecimento comunitário, ampliando o impacto do CAPS para além dos atendimentos clínicos tradicionais.
• Criar um canal de comunicação acessível para usuários e profissionais do CAPS, promovendo diálogos sobre saúde mental e cidadania. • Desmistificar transtornos mentais e dependência química, contribuindo para a redução do estigma social. • Valorizar experiências individuais por meio de narrativas que humanizam as vivências relacionadas ao sofrimento psíquico. • Abordar temas transversais, como racismo e outros preconceitos, interseccionalidade e políticas públicas, relacionando-os ao cuidado em saúde mental. • Expandir o impacto da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), promovendo engajamento comunitário e inclusão social.
O CapsCast do Gato Preto segue uma abordagem participativa e coletiva, envolvendo usuários do CAPS, profissionais de saúde e convidados de outras áreas. O processo de produção inclui: 1. Definição de temas – A escolha dos assuntos é feita coletivamente, levando em conta a relevância social e a experiência dos participantes. 2. Roteirização e preparação – Episódios são planejados com base em entrevistas, debates e relatos pessoais, sempre buscando uma linguagem acessível e inclusiva. O podcast também utiliza metáforas e músicas para facilitar a compreensão e o engajamento do público. 3. Gravação e edição – O podcast é produzido no próprio CAPS, com equipamentos adquiridos com iniciativas de economia solidária, buscando qualidade técnica e participação ativa de todos os envolvidos. 4. Publicação e divulgação – Os episódios são disponibilizados em plataformas digitais (Spotify, YouTube, redes sociais), ampliando o alcance do projeto. 5. Interação com o público – Comentários e sugestões dos ouvintes são incorporados, fortalecendo o caráter coletivo da iniciativa.
Desde sua criação, o CapsCast do Gato Preto tem alcançado resultados significativos: • Ampliação da visibilidade da saúde mental – O podcast trouxe temas complexos para um público mais amplo, incluindo gestores públicos, profissionais da RAPS e a sociedade em geral. • Participação ativa dos usuários do CAPS – Pacientes relataram maior senso de pertencimento e melhora na autoestima. Diversos usuários já passaram pela oficina e muitos conseguiram retornar ao mercado de trabalho, em parte, graças à segurança adquirida. • Engajamento comunitário – O podcast se tornou um espaço de troca entre diferentes atores sociais, fortalecendo redes de apoio e articulação entre serviços, inclusive intersetorialmente. • Reconhecimento institucional – A iniciativa tem sido mencionada em eventos sobre saúde mental e políticas públicas. • Os episódios produzidos podem ser escutados no Spotify e em outras plataformas: https://open.spotify.com/show/3pthZPnYe5DWkPqlS1onRT?si=4eba6efbbd3a4290 (ou procure por CapsCast do Gato Preto).
O CapsCast do Gato Preto reforça a importância da comunicação como ferramenta de cuidado e transformação social na saúde mental. A iniciativa demonstra que a produção de conteúdos acessíveis e participativos pode contribuir para a humanização do atendimento na RAPS e para a construção de políticas públicas mais inclusivas. A experiência também destaca o papel das tecnologias digitais na democratização da informação e na ampliação da voz de pessoas em sofrimento psíquico, ressignificando suas trajetórias por meio da produção coletiva de conhecimento. Ao participar deste congresso, buscamos compartilhar nossa metodologia, trocar experiências e fortalecer a presença da comunicação comunitária no campo da saúde mental.
Podcast, RAPS, Inclusão, Comunicação Popular
FÁBIO MORAES CORREGIARI, ZÉLIA MARIA FERRARI PAIVA RIBEIRO PAGLIARDE, ANA LÚCIA WASZKIEWICZ PEREIRA, JOSÉ OSWALDO CASCINO CARDOSO, GABRIEL ASTROGILDO DUTRA, CLAUDIA CRISTINA BORBA