Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
O envelhecimento populacional é um fenômeno global que exige dos sistemas de saúde estratégias integradas de atenção à saúde, capazes de promover não apenas a prevenção e tratamento de doenças crônicas, mas também a manutenção da funcionalidade, saúde mental, adesão a tratamentos e estado nutricional dos idosos (WHO, 2005; ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2015). A funcionalidade adequada, aliada à preservação cognitiva e emocional, é fundamental para garantir autonomia, independência e qualidade de vida na terceira idade (MENDES et al., 2024). Estudos indicam que alterações cognitivas, sintomas depressivos e baixa adesão terapêutica podem comprometer a funcionalidade, aumentar o risco de quedas, hospitalizações e agravar condições crônicas, enquanto o sobrepeso e a obesidade têm impacto direto na mobilidade e na saúde cardiovascular (ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE, 2024; IBGE, 2023a). Por outro lado, intervenções multidisciplinares em centros de atenção ao idoso têm demonstrado efeito positivo na manutenção da funcionalidade, adesão ao tratamento e bem-estar emocional (IBGE, 2023b). O Centro de Atenção à Saúde do Idoso (CASI), projeto do município de Batatais, pela Secretaria Municipal de Saúde, voltado para a promoção da saúde em parceria com o Centro Universitário Claretiano, adota abordagem multidisciplinar, promovendo ações preventivas e de promoção da saúde desde 2023.
Considerando a necessidade de compreender o perfil integral dos idosos atendidos, o presente estudo teve como objetivo descrever a funcionalidade, cognição, estado emocional, adesão ao tratamento e estado nutricional de idosos atendidos no CASI, em Batatais-SP.
Trata-se de um estudo transversal e descritivo, composto por 397 idosos atendidos no Projeto CASI, com idade entre 60 e 92 anos, avaliados durante a triagem inicial do projeto. Foram incluídos todos os idosos que participaram das avaliações multidisciplinares do CASI. Os dados utilizados foram coletados dos prontuários. As avaliações realizadas abrangeram diferentes domínios de saúde: funcionalidade (Escala de Katz, categorizando a independência nas atividades básicas de vida diária); saúde emocional (Escala de Depressão Geriátrica (GDS), identificando sintomas depressivos); adesão ao tratamento medicamentoso (Escala de Morisky, com escores categorizados em alta, média e baixa adesão); função cognitiva (Mini Exame do Estado Mental (MEEM), com escore ≥24 indicando cognição preservada); mobilidade e risco de queda (teste Timed Up and Go (TUG), com registro do tempo em segundos); Estado nutricional (medidas antropométricas incluindo peso, altura, índice de massa corporal (IMC) e relação cintura-quadril (RCQ)). A análise dos dados foi conduzida por estatística descritiva, utilizando o Microsoft Excel® 2019. Variáveis categóricas foram expressas em frequências absolutas e relativas (%), enquanto variáveis contínuas foram apresentadas como média ± desvio-padrão. O estudo seguiu as normas éticas, foi previamente aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição. Os participantes foram informados sobre os procedimentos e assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
A amostra do estudo foi composta por 397 idosos atendidos no CASI, com idade variando entre 60 e 92 anos. A análise da funcionalidade, por meio da Escala de Katz, revelou que 94,5% apresentaram funcionalidade preservada, indicando independência nas atividades básicas da vida diária. Em relação à saúde emocional, a avaliação pelo GDS mostrou que 90,7% apresentaram baixos escores (entre 0 e 5), sugerindo baixa presença de sintomas depressivos. Quanto à adesão ao tratamento medicamentoso, 49,1% demonstraram alta adesão (Morisky = 0), enquanto apenas 5% apresentaram baixa adesão (escore ≥3), evidenciando, em geral, boa adesão às prescrições médicas. A avaliação cognitiva pelo MEEM indicou que 90,4% apresentavam escores compatíveis com cognição preservada (MEEM ≥24), sugerindo manutenção das funções cognitivas essenciais para autonomia e tomada de decisão. A avaliação de mobilidade e risco de quedas pelo teste TUG, mostrou que 51,9% completaram o teste em 10 a 20 segundos, indicando um risco moderado de quedas. Em termos de estado nutricional, a média de IMC foi de 29,26 ± 5,1, com prevalência de sobrepeso em 65,5%. A média da RCQ foi de 1,6, evidenciando variações significativas entre os participantes, o que sugere necessidade de atenção para o risco cardiovascular associado à distribuição de gordura corporal. As demais variáveis serão apresentadas nas tabelas 1 e 2.
Os dados obtidos indicaram que a população atendida apresenta, em sua maioria, funcionalidade e cognição preservadas, boa adesão ao tratamento medicamentoso, elevada prevalência de sobrepeso, baixos índices de sintomas depressivos, mobilidade dentro de limites aceitáveis, demonstrando um perfil de saúde relativamente estável, embora com indicadores nutricionais que demandam atenção clínica. Os achados reforçam que o CASI desempenha papel importante na promoção da funcionalidade, cognição, saúde emocional e adesão ao tratamento, ao mesmo tempo em que evidencia áreas de atenção, como sobrepeso e mobilidade, que demandam estratégias preventivas específicas e ressaltam a importância do CASI na prevenção de doenças e promoção da qualidade de vida.
Idosos; Promoção da Saúde; Envelhecer Saudável.
BRUNA FRANCIELLE TONETI, ROGÉRIO DOZINETI TERCAL, LUIS FERNANDO BENEDINI GASPAR JÚNIOR, ROSELILIAN DA CUNHA PEREIRA ALVES RODRIGUES, RICARDO MELE FILHO, SILVANA FREZZA PISA, ANA LAURA TASSINARI RIBEIRO, MARCEL FREZZA PISA, ÉRIKA DA SILVA BRONZI MOURA