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O envelhecimento está associado a alterações fisiológicas e funcionais que comprometem a autonomia e a qualidade de vida. Projetos de promoção da saúde têm buscado estratégias para preservar a capacidade funcional, prevenir doenças e melhorar o bem-estar. Mudanças antropométricas, como reduções de peso corporal, circunferências e índice de massa corporal (IMC), são geralmente associadas a benefícios à saúde, mas sua influência direta sobre a melhora funcional ainda é incerta.
Este estudo teve como objetivo verificar a influência de mudanças antropométricas no desempenho em teste funcional de idosos participantes de um projeto de promoção da saúde.
Trata-se de um estudo experimental, quantitativo, com 205 idosos (M = 180; H = 35; idade = 73,7 ± 7,5 anos; 70,5 ± 14,21 kg; 1,56 ± 0,07 m) do Centro de Atenção à Saúde do Idoso (CASI). Foram avaliadas medidas antropométricas (massa corporal, altura, circunferências de cintura, abdômen e quadril, IMC e RCQ) e o teste funcional de sentar e levantar, antes e após seis meses de participação. As análises estatísticas incluíram ANOVA de medidas repetidas e regressão linear simples, considerando como variável dependente o desempenho final no teste funcional (TF) e como preditores os deltas (Δ) das medidas antropométricas. Preditores significativos (p < 0,05) foram inseridos em modelo de regressão múltipla (método enter). O nível de significância adotado foi de 5% (α = 0,05), com análises realizadas no IBM SPSS Statistics 20.
Houve efeito significativo do tempo (p < 0,05) na melhora de todas as variáveis analisadas. A regressão linear simples identificou associações estatisticamente significativas entre alterações antropométricas e desempenho no TF (p < 0,05), mas com baixos coeficientes de determinação (R² entre 1,9% e 2,7%). No modelo múltiplo, ΔCintura, ΔPeso e ΔIMC foram incluídos como preditores. O modelo foi significativo (F = 2,680; p = 0,048), explicando 3,9% da variação no TF final (R² = 0,039; R² ajustado = 0,024). Contudo, nenhuma variável manteve significância individual (ΔCintura: p = 0,152; ΔPeso: p = 0,570; ΔIMC: p = 0,433). Os achados sugerem que reduções em IMC, peso corporal e circunferência da cintura estão associadas a melhor desempenho funcional em idosos, embora a magnitude dessa associação seja pequena. A baixa proporção de variância explicada (R² ≤ 3,9%) reforça a natureza multifatorial da capacidade funcional, em que fatores como força e potência muscular, equilíbrio, capacidade cardiorrespiratória, coordenação motora e aspectos psicossociais parecem exercer maior impacto.
Mudanças antropométricas exercem pouca influência sobre a melhora do desempenho funcional de idosos, destacando a necessidade de considerar múltiplos determinantes no planejamento de programas de promoção da saúde voltados a essa população.
Promoção da Saúde; Idosos; Envelhecimento Saudável
BRUNA FRANCIELLE TONETI, ROGÉRIO DOZINETI TERCAL, LUIS FERNANDO BENEDINI GASPAR JÚNIOR, RICARDO MELE FILHO, SILVANA FREZZA PISA, ROSELILIAN DA CUNHA PEREIRA ALVES RODRIGUES, ANA LAURA TASSINARI RIBEIRO, MARCEL FREZZA PISA, ÉRIKA DA SILVA BRONZI MOURA