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Até 2018, os exames ambulatoriais de patologia clínica em Ribeirão Preto eram realizados por dez laboratórios prestadores distintos, incluindo o Laboratório Municipal, vinculado à Secretaria Municipal da Saúde (SMS). A multiplicidade de prestadores dificultava a padronização dos exames, pois cada laboratório utilizava metodologias próprias, comprometendo a uniformidade dos protocolos estabelecidos pela rede municipal. Diante desse cenário, em 2019 foi proposto um projeto de centralização dos exames laboratoriais ambulatoriais, abrangendo análises de sangue, escarro, urina, fezes e secreções. A iniciativa teve como objetivo concentrar a maior parte da produção no Laboratório Municipal de Patologia Clínica e na Fundação Santa Lydia, em conformidade com a Lei nº 8.080/1990, que prioriza a contratação de instituições públicas e filantrópicas no SUS. O projeto foi aprovado pela SMS em 2018, com abertura de processo licitatório para implantação de um laboratório público de grande porte, capaz de atender até 80% da demanda ambulatorial de exames de sangue e escarro. A licitação foi concluída em dezembro de 2019, e o novo Laboratório Municipal iniciou suas atividades em setembro de 2020. Atualmente, a rede municipal conta com cinco laboratórios prestadores, sendo o Laboratório Municipal responsável por cerca de 2,6 milhões de exames anuais. O município possui aproximadamente 62 postos de coleta, com produção estimada em 3 milhões de exames por ano.
Demonstrar o impacto da centralização dos exames de patologia clínica em Ribeirão Preto após cinco anos de implantação, com destaque para a economia gerada aos cofres públicos pela redução de custos com prestadores, melhoria da qualidade analítica, aumento da produtividade, padronização de metodologias laboratoriais, o aprimoramento da rastreabilidade em todas as etapas, redução no tempo de liberação dos resultados, a maior integração entre os serviços da rede de atenção à saúde e o fortalecimento da gestão pública direta.
A implantação da centralização demandou processos licitatórios para aquisição de soluções integradas, possibilitando que a maior parte dos exames de sangue fosse realizada em um único laboratório. Atualmente, o Laboratório Municipal opera com quatro contratos de cessão de equipamentos em regime de aluguel vinculados ao fornecimento de reagentes, além de contrato com laboratório de apoio para exames de baixa demanda e alta complexidade. A rede municipal conta com cerca de 100 postos de coleta, que realizam solicitações e coletas por meio de sistemas informatizados integrados via web service, conectando médicos solicitantes ao sistema laboratorial e aos equipamentos analíticos. Durante a coleta, são gerados códigos de barras que permitem rastreabilidade e interfaceamento completo com os analisadores. O transporte das amostras é realizado por empresa especializada, com rotas em dois períodos diários. Os exames são processados com apoio de inteligência artificial, permitindo liberação automática de resultados dentro dos parâmetros de referência. Com essa estrutura, mais de 80% dos exames são liberados em 24 horas. Resultados críticos são comunicados às equipes de saúde, e casos de doenças de notificação compulsória seguem protocolos específicos de vigilância. O laboratório também atua no monitoramento de gestantes e parceiros, prevenindo transmissão vertical de HIV, sífilis, hepatites e toxoplasmose. Além disso, é responsável pelo diagnóstico de dengue e tuberculose.
No ano de 2021, primeiro período completo de funcionamento do novo Laboratório Municipal, foram realizados 1.437.795 exames. Caso esse volume fosse executado por prestadores da rede complementar com base na Tabela SUS–SIGTAP, o custo estimado seria de R$ 9.200.911,23. Entretanto, os gastos efetivos com fornecedores totalizaram R$ 2.534.913,92, somados a aproximadamente R$ 1.000.000,00 em recursos humanos, resultando em economia de R$ 5.665.997,21. Em 2022, a produção aumentou para 1.996.982 exames, crescimento de 39%, com economia estimada de R$ 7.409.651,80. Em 2023, foram realizados 2.279.356 exames, aumento de 14%, gerando economia de R$ 9.323.084,39. Já em 2024, o volume atingiu 2.628.571 exames, crescimento de 15%, com economia estimada de R$ 10.904.660,12. Assim, após quatro anos da implantação do modelo de centralização e automação, o município alcançou economia aproximada de R$ 33.303.393,52 na realização dos exames laboratoriais em estrutura própria. Além da redução de custos diretos, o modelo proporcionou ganhos financeiros indiretos, como diminuição de recoletas, redução de desperdícios de insumos, maior produtividade operacional e otimização do uso de recursos humanos. A automação e integração dos sistemas permitiram maior eficiência na liberação de resultados, contribuindo para maior resolutividade assistencial e melhor direcionamento das ações de saúde pública, ampliando o custo-benefício do investimento realizado pelo município.
A centralização dos exames laboratoriais ambulatoriais em Ribeirão Preto demonstra que serviços públicos com gestão estruturada, tecnologia e automação podem ser eficientes e economicamente sustentáveis. Em quatro anos, o modelo gerou economia superior a R$ 33 milhões, associada a melhorias na qualidade diagnóstica, padronização dos resultados, rastreabilidade das amostras e maior agilidade na liberação dos laudos. Em um contexto de expansão da terceirização na administração pública, torna-se essencial a realização de estudos de viabilidade e economicidade para avaliar a manutenção da gestão direta em serviços estratégicos, como a patologia clínica. A experiência do município evidencia que, em localidades de grande porte e alta demanda, a centralização aliada à tecnologia e à qualificação profissional pode proporcionar redução de custos e maior eficiência assistencial. Além do impacto financeiro, o modelo ampliou a integração com a rede de saúde e fortaleceu as ações de vigilância e prevenção de doenças, contribuindo para diagnósticos mais rápidos e seguros. A experiência reforça a capacidade do SUS de ofertar serviços públicos de qualidade, demonstrando que é possível conciliar eficiência, economia e excelência na gestão.
Gestão em saude, exames laboratoriais.
ELAINE CRISTINA MANINI MINTO, EDUARDO BRAS PERIM, LUIZ BENJAMIN TRIVELLATO FILHO, GISLAINE CARLA BOVO GONÇALVES, GABRIELA INARA ARCARO VICENTINI, MARIA LIDIA MARIN, LARISSA ELIS SILVA CRIVELARI, GABRIEL MARTINS DA COSTA MANSO, HUGO MAISTRELO TORRES LIMA