Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A transmissão vertical do HIV e da Sífilis é um desafio para a saúde pública, representando um indicador essencial da qualidade da assistência materno-infantil. No Brasil, a certificação da eliminação dessas infecções é concedida pelo Ministério da Saúde às unidades que atendem a critérios rigorosos de qualidade assistencial, alinhados às diretrizes internacionais. Entre 2020 e 2023, o município de Barueri registrou 21.040 nascidos vivos. No entanto, dados do SINAN indicam a persistência da sífilis congênita, com 69 casos confirmados no período (2020 – 13 casos, 2021 – 12 casos, 2022 – 22 casos e 2023 – 22 casos). Esses números reforçam a necessidade de aprimoramento das estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e manejo clínico adequado na rede. A Atenção Básica (AB) desempenha um papel central na prevenção da transmissão vertical, promovendo a identificação precoce de gestantes sororreagentes, o acompanhamento pré-natal adequado e a articulação entre os níveis assistenciais. No entanto, persistem desafios na estruturação dos fluxos assistenciais, na adesão ao pré-natal qualificado e na garantia da integralidade do cuidado. Diante desse cenário, este estudo analisou o processo de certificação de boas práticas para a eliminação da transmissão vertical do HIV e da sífilis na AB de Barueri, utilizando o modelo de avaliação de Donabedian. Esse modelo possibilita uma análise estruturada da assistência, considerando os componentes de estrutura, processo e resultados.
Objetivo Geral: Avaliar o processo de certificação da eliminação da transmissão vertical de HIV e sífilis na Atenção Básica do município de Barueri, fundamentando-se no modelo de avaliação proposto na tríade por Donabedian. Objetivos Específicos: •Estruturais: Examinar a acessibilidade aos serviços de saúde, a infraestrutura física, a disponibilidade de recursos humanos e a gestão dos sistemas de informação. •Processuais: Avaliar a existência e implementação de protocolos assistenciais, a alocação de recursos e a adequação dos fluxos assistenciais. •Resultados: Mensurar os impactos na saúde da população, incluindo adesão ao tratamento, percepção da qualidade da assistência e indicadores epidemiológicos.
Durante o processo, a Equipe Nacional de Validação analisou quatro áreas temáticas: Programas e serviços de saúde; Vigilância epidemiológica e qualidade de dados; Capacidade diagnóstica e qualidade de testes; e Direitos humanos, igualdade de gênero e participação da comunidade. Foi adotada uma abordagem quali e quantitativa, com coleta de dados primários e secundários. Inicialmente, realizou-se uma revisão documental de normativas institucionais e diretrizes nacionais. A investigação de campo incluiu visitas técnicas para mapeamento dos fluxos assistenciais e levantamento de dados. Entrevistas foram conduzidas com profissionais de saúde para identificar desafios e boas práticas. Além disso, analisaram-se prontuários de gestantes e crianças expostas, verificando a adesão aos protocolos assistenciais e a efetividade do seguimento clínico. Os dados quantitativos foram extraídos de sistemas de informação em saúde para avaliar indicadores, considerando critérios como taxa de transmissão vertical, adesão ao pré-natal e tratamento adequado. A análise estatística permitiu identificar tendências e lacunas assistenciais. Os resultados foram apresentados em relatório técnico, subsidiando o aprimoramento da assistência, estratégias de educação permanente e políticas para fortalecimento da rede. Também foi aplicado um questionário estruturado, com questões abertas e fechadas, a 19 enfermeiros de diferentes unidades que consentiram em participar do estudo sobre a temática apresentada.
Os resultados evidenciam avanços na assistência materno-infantil, com ampliação da oferta de testes rápidos e maior adesão das equipes aos protocolos assistenciais. Isso resultou em maior testagem precoce e adesão ao tratamento, fortalecendo o controle da transmissão vertical. A análise dos prontuários revelou melhorias na qualidade do registro e no monitoramento de gestantes e crianças expostas, garantindo acompanhamento mais efetivo. A taxa de transmissão vertical manteve-se estável, evidenciando o impacto das intervenções. Usuárias relataram maior satisfação com o atendimento, destacando acessibilidade e humanização dos serviços. A integração entre atenção básica e maternidades foi fortalecida, promovendo a continuidade do cuidado. O monitoramento das ações permitiu identificar lacunas e aprimorar estratégias. Todos os enfermeiros relataram conhecimento de pelo menos um protocolo institucional. Sobre o acompanhamento das metas do programa, 42,1% avaliaram como Forte (grau 4), 36,8% como Médio (grau 3) e 10,5% relataram dificuldades. Apenas um profissional indicou Muito Forte (grau 5). Os pontos positivos citados incluem busca ativa eficaz, adesão aos protocolos, acolhimento, rastreamento e trabalho em equipe, enquanto os desafios envolvem capacitação contínua, organização dos fluxos, adesão do corpo clínico, monitoramento e rastreamento de parceiros.
O estudo evidencia avanços na qualidade da assistência, com melhorias estruturais, maior adesão aos protocolos e fortalecimento da rede. A satisfação dos usuários reflete o impacto positivo das intervenções, demonstrando maior acessibilidade, humanização e eficiência no cuidado. A integração entre os serviços e o monitoramento contínuo garantem a sustentabilidade das estratégias de prevenção, promovendo a detecção precoce e o tratamento adequado. O fortalecimento da capacitação profissional e a adequação dos fluxos assistenciais são essenciais para consolidar melhorias e qualificar a assistência. A certificação representa um marco no aprimoramento das políticas de saúde, promovendo segurança assistencial e alinhamento com os objetivos globais de eliminação da transmissão vertical. No entanto, desafios operacionais persistem, exigindo capacitação contínua, otimização dos processos e fortalecimento do engajamento da equipe. Os achados reforçam a necessidade de planejamento estratégico contínuo para consolidar avanços, ampliar a adesão às diretrizes e garantir a efetividade das políticas de prevenção.
Sífilis congênita, HIV, atenção básica
ELAINE DE FATIMA FONSECA LIMA, FERNANDA LUCAS ZACARIOTO MEDEIROS, MARIA DE FATIMA DA SILVA, RONALDA NORBERTO DE CASTRO ALECRIN, PRISCILA KORITAR