Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A cobertura vacinal é um indicador da qualidade das ações de saúde e exerce impacto direto na prevenção de surtos e no controle de doenças imunopreveníveis. No município de Franco da Rocha, desde 2023 a Vigilância Epidemiológica vinha enfrentando desafios para elevar a cobertura, que se encontravam abaixo do preconizado pelo PNI. Como estratégia, foram realizadas ações de vacinação nas escolas, o que permitiu avanços significativos e melhoria das coberturas. Entretanto, para garantir a sustentabilidade desses resultados, a Vigilância propôs a implementação do Certificado de Vacinação como critério para matrícula e rematrícula nas unidades escolares do município. A medida visava estimular os responsáveis a manterem a vacinação das crianças atualizadas. Apesar da fundamentação técnica, o decreto foi rejeitado em 2024 por interferências políticas, interrompendo sua implantação. Em 2025, o município observou o primeiro impacto negativo dessa decisão: queda expressiva da cobertura vacinal e perda de repasses financeiros vinculados ao desempenho de imunização. Com a mudança de gestão, a proposta foi retomada porque a ampliação da cobertura vacinal já constava como compromisso no plano de governo da prefeita eleita. Assim, o Certificado de Vacinação voltou a ser discutido de forma intersetorial, reforçando a prioridade dada à proteção coletiva e à prevenção de retrocessos em saúde pública. Sua aprovação permitiu reorganizar a estratégia municipal de imunização e recuperar os índices
Descrever e analisar a implementação do Certificado de Vacinação como estratégia de gestão da Vigilância em Saúde para a recuperação, ampliação e sustentabilidade das coberturas vacinais infantis no município de Franco da Rocha. A experiência teve como objetivo demonstrar o impacto da articulação intersetorial entre Saúde e Educação na melhoria dos indicadores do Programa Nacional de Imunizações, na prevenção de doenças imunopreveníveis e na qualificação do monitoramento nominal da situação vacinal. Buscou-se evidenciar o Certificado de Vacinação como instrumento de gestão capaz de promover corresponsabilização familiar, reduzir vulnerabilidades.
A experiência foi estruturada em três etapas principais. A primeira envolveu análise situacional das coberturas vacinais do município, identificação de lacunas e levantamento das consequências sanitárias e financeiras decorrentes do desempenho abaixo das metas. Na segunda etapa, a Vigilância Epidemiológica elaborou minuta do decreto instituindo o Certificado de Vacinação, embasada em normativas nacionais e precedentes de outros municípios. O documento foi apresentado à gestão municipal e à Secretaria de Educação, promovendo debate técnico e intersetorial. Nas ações realizadas em 2023 e 2024 dentro das escolas, além da atualização da vacinação das crianças em atraso, também foi verificado no SIPNI se as doses registradas nas cadernetas constavam no sistema, garantindo a fidedignidade das informações. Com a aprovação do decreto em 2025, iniciou-se a terceira etapa, que contemplou capacitação das equipes escolares, orientação aos pais, elaboração de fluxos entre unidades educacionais e salas de vacinação, além de campanhas informativas sobre a importância da atualização vacinal. Paralelamente, manteve-se a estratégia de vacinação em escolas em alguns finais de semana para apoio aos responsáveis com dificuldade de acesso. O monitoramento foi realizado mensalmente, por meio do registro nominal das crianças e análise contínua das coberturas vacinais por faixa etária e imunobiológico.
Após dois meses da implantação do Certificado de Vacinação, observou-se aumento das coberturas vacinais do calendário infantil, revertendo a tendência de queda registrada ao longo de 2025. Houve intensificação do fluxo de atualização vacinal nas unidades de saúde, associada à participação ativa das instituições escolares no encaminhamento de crianças. A análise comparativa entre o terceiro quadrimestre de 2024 e o primeiro trimestre de 2026 evidencia o impacto positivo da estratégia, especialmente na recuperação das coberturas das vacinas Pneumocócica, Penta e Poliomielite. Em 2024, o município apresentava cenário epidemiológico favorável, com coberturas elevadas para Penta (100,33%), Pneumocócica (99,45%), Poliomielite (100,64%) e Tríplice Viral (107,3%). Contudo, no decorrer de 2025, observou-se redução progressiva desses indicadores, culminando, no segundo quadrimestre, em coberturas abaixo da meta Pneumocócica (93,86%), Penta (89,54%) e Poliomielite (89,56%). Com a implantação do Certificado de Vacinação, verificou-se retomada gradual das coberturas no início de 2026, alcançando 100% para Pneumocócica, 95,83% para Penta e 95,58% para Poliomielite, enquanto a Tríplice Viral manteve-se elevada, especialmente na primeira dose (98,61%). Esses resultados reforçam o Certificado de Vacinação como estratégia eficaz de fortalecimento da vigilância epidemiológica, da corresponsabilização intersetorial e da prevenção da reintrodução de doenças imunopreveníveis no município.
A implantação do Certificado de Vacinação demonstrou ser uma estratégia eficiente, sustentável e intersetorial para elevar e manter a cobertura vacinal no município de Franco da Rocha. Ao fortalecer o vínculo entre Saúde e Educação, promoveu maior responsabilidade familiar, facilitou a identificação de crianças com esquemas incompletos e contribuiu para prevenir agravos imunopreveníveis. Os resultados obtidos evidenciam que políticas públicas bem estruturadas, quando amparadas em critérios técnicos e na articulação entre setores, podem transformar indicadores e garantir proteção à população infantil. A experiência reforça a necessidade de continuidade da medida e sua consolidação como política permanente no município. Após dois meses da implantação do Certificado de Vacinação, observou-se aumento expressivo nas coberturas de diversas vacinas do calendário infantil, revertendo a tendência de queda registrada no início de 2025. O fluxo de atualização vacinal intensificou-se nas unidades de saúde, e as escolas passaram a desempenhar papel fundamental na identificação e encaminhamento das crianças com esquemas incompletos.
Cobertura Vacinal; Gestão ; Intersetorialidade
ANA PAOLA MANDRI, SAMANTA ANTOGNETTI GREGORIO