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O tabagismo é uma doença crônica epidêmica decorrente da dependência ao tabaco, cujo princípio ativo é a nicotina. Apesar da redução significativa da prevalência entre adultos nas últimas décadas, o consumo entre jovens permanece relevante. O tabaco é fator de risco para doenças cardiovasculares, respiratórias, hipertensão arterial, infertilidade e diversos tipos de câncer. No Brasil, ações de controle ao tabagismo foram organizadas desde a década de 1970, com a criação do Programa Nacional de Combate ao Fumo, e reforçadas por iniciativas legais e estratégias de conscientização, como o Dia Nacional de Combate ao Fumo. Desde então, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) coordena ações integradas de prevenção, tratamento e controle do tabagismo em parceria com o Ministério da Saúde e secretarias estaduais e municipais de saúde. No município de Osasco, o Programa Municipal de Controle do Tabagismo (PMCT) foi implantado em 2022, abrangendo unidades de Atenção Primária à Saúde e polos de atendimento. Em 2024, após baixa adesão nos encontros, o programa foi reorganizado para melhorar a identificação e o acompanhamento dos usuários, com enfoque na avaliação inicial, plano terapêutico individual e monitoramento sistemático das ações.
Este trabalho tem como objetivo, através de práticas integrativas e complementares — como aromaterapia, acupuntura, musicoterapia e técnicas de relaxamento — apoiar a cessação do tabagismo; sensibilizar os usuários sobre a relação entre qualidade de vida e expectativa de vida após a cessação; e identificar as necessidades individuais dos participantes, direcionando a prática integrativa mais adequada e avaliando continuamente os resultados obtidos.
Trata-se de relato de experiência sobre as ações implementadas no Polo X do Programa Municipal de Controle do Tabagismo (PMCT) em Osasco, com foco nas atividades desenvolvidas pelos profissionais envolvidos. As ações seguiram as diretrizes vigentes, incluindo treinamentos, capacitações e articulação com serviços relacionados ao programa, como farmácia credenciada, unidades de saúde e o CAPS AD. O fluxo de trabalho envolveu: (1) identificação de tabagistas por meio de cadastro nas unidades de saúde; (2) inscrição no PMCT por meio de divulgação ativa e QR Code; (3) abordagem básica com consulta de enfermagem individual para avaliar grau de dependência à nicotina (Teste de Fagerström), fatores de risco, motivação e tempo de exposição ao tabaco; e (4) aconselhamento terapêutico em grupo, com periodicidade semanal ou quinzenal, associado a acompanhamento médico e suporte medicamentoso por três meses, além de manutenção do aconselhamento por até 12 meses para suporte contínuo. Como auxiliar nesse processo houve a inclusão de práticas integrativas como aromaterapia e exercícios de relaxamento.
A análise dos dados obtidos no Polo X do Programa Municipal de Controle do Tabagismo em Osasco revelou avanços significativos na cessação do tabagismo entre os participantes que aderiram às estratégias implementadas. Observou-se que a articulação de atividades educativas, práticas integrativas e apoio terapêutico combinados ao suporte medicamentoso contribuiu para maior engajamento dos usuários no processo de abandono do tabaco. A reorganização do fluxo assistencial, com foco na avaliação inicial e no monitoramento contínuo, favoreceu a identificação precoce de dificuldades e a adaptação das intervenções conforme as necessidades individuais. As práticas integrativas como aromaterapia, musicoterapia e exercícios de relaxamento foram apontadas pelos participantes como facilitadoras do processo, associando redução dos sintomas de abstinência e aumento na adesão às ações propostas. Esses achados reforçam a importância de estratégias multiprofissionais para a eficácia dos programas de cessação do tabagismo.
O tabagismo configura-se como dependência crônica devido à ação rápida da nicotina no sistema nervoso central e é responsável por diversas doenças incapacitantes ou fatais. A implementação de estratégias multiprofissionais e práticas integrativas no Polo X do Programa Municipal de Controle do Tabagismo mostrou-se eficaz para promover a cessação entre os participantes, evidenciando que abordagens combinadas podem aumentar a adesão ao tratamento e os resultados terapêuticos. A avaliação contínua das ações adotadas é essencial para aprimorar a assistência, fortalecer o cuidado integral e apoiar a população na redução dos impactos negativos do tabaco na saúde.
PICS, TRABALHO EM EQUIPE
MARISLENE DOS SANTOS PORCIUNCULA BRAGA, CLAUDIA YUMI TAMAKI TAMASHIRO, THIAGO CEZA PASSOS PADUA